Dennis Wise (capitão) ergue a taça de campeão da Recopa Europeia 1997-98

Na História: Chelsea conquistou Recopa Europeia na Suécia há 23 anos

Após a boa vitória sobre o Malmö na última partida da Champions League, o Chelsea enfrenta novamente os suecos nesta terça-feira às 14h45, no horário de Brasília, abrindo o returno da fase de grupos. Ademais, esta será a quinta partida oficial dos Blues em território sueco na história, onde conquistou a Recopa Europeia há 23 anos.

Em síntese, o Chelsea nunca foi derrotado no país escandinavo, acumulando dois empates pela Recopa Europeia contra Atvidabergs FF e Helsingborgs IF – ambos por 0-0, e uma vitória contra o próprio Malmö na Liga Europa 2018-19. Por fim, o jogo que completa esse histórico é a final da Recopa Europeia em 1998, quando o Chelsea superou os alemães do VfB Stuttgart.

Na expectativa por uma boa atuação na quarta rodada da fase de grupos da Champions League, o Chelsea Brasil relembra esta final na Suécia no “Na História“. No mais, vem conosco fazer um aquecimento para o duelo de amanhã, relembrando o passado:

A competição

Primeiramente, destaca-se que a Recopa Europeia era naquele momento a segunda competição de clubes mais relevante do calendário europeu. A proposta da competição era reunir em disputa os campões das copas nacionais de todos os países afiliados à UEFA. Ademais, os Blues já haviam se sagrado campões do torneio na edição 1970-71, em decisão contra o Real Madrid.

Atendendo ao regulamento, o Chelsea se qualificou para a disputa do torneio na temporada 1997-98 após vencer a FA Cup no ano anterior. Na decisão disputada em Wembley, os Blues bateram o Middlesbrough por 2-0, com gols do Roberto Di Matteo e Eddie Newton. Dessa forma, a equipe londrina carimbou o passaporte para a Europa após 27 anos do último troféu continental.

Elenco dos Blues festeja em Wembley a conquista da FA Cup em 1997
Elenco do Chelsea de 1997 posa com a taça da FA Cup (Foto/Reprodução de: Daily Mail)

O caminho até a decisão

Até a final na Suécia, a equipe londrina precisou triunfar em quatro confrontos eliminatórios. Primeiramente, duas vitórias tranquilas contra os eslovacos do Slovan Bratislava garantiram a primeira viagem nórdica da competição, em duelo contra os noruegueses do Tromsø IL. Mesmo derrotado fora de casa, debaixo de neve, o Chelsea aplicou uma sonora goleada por 7-1 em Stamford Bridge, chegando às quartas-de-final.

Na sequência, os Blues eliminaram os espanhóis do Real Betis e, no confronto mais apertado até a decisão, os italianos do Vicenza foram superados na semifinal. Para isso, os Blues reverteram uma vantagem de três gols no agregado contra os italianos. Dessa forma, a equipe londrina garantiu a viagem até Estocolmo para a decisão no mítico estádio Rasunda – onde a seleção brasileira conquistou seu primeiro título mundial.

O adversário

Assim como o Chelsea, o VfB Stuttgart chegava à decisão após o título da copa nacional da temporada anterior e eliminando quatro adversários pelo caminho. Equipe de reconhecido poder defensivo, os alemães haviam eliminado fortes equipes do Leste Europeu, como Slavia Praga e Lokomotiv Moscou, da competição.

Quarto colocado na edição 1997-98 da Bundesliga, mas com doloridas derrotas para o Bayern München nas duas copas nacionais – até então, a Alemanha também possuía sua Copa da Liga -, o Stuttgart transferia o favoritismo na decisão para o Chelsea. Em suma, os Blues também haviam sido quarto colocados na Premier League, mas vinham de título na Copa da Liga Inglesa, novamente sobre o Middlesbrough.

O título

Enfim, em 13 de maio de 1998 na capital sueca, Chelsea e Stuttgart entraram em campo no estádio Rasunda para definir quem conquistaria um título importante para renovar suas galerias de troféus. Em um primeiro tempo truncado, os Blues dominaram as ações ofensivas, porém o placar permaneceu inalterado até o intervalo.

Na volta da pausa, o Chelsea manteve o controle da partida, mas com pouco sucesso, ao menos até a entrada de Gianfranco Zola. Aos 71 minutos de jogo, o jogador-treinador Gianluca Vialli solicitou a entrada de seu compatriota, que em apenas 20 segundos em campo abriu o placar na decisão.

Apesar de uma lesão na virilha, que o deixou no banco e como dúvida para a decisão, a determinação de Zola foi recompensada ao concluir a bola alçada na área por Dennis Wise direto para a meta alemã. Por fim, Dan Petrescu foi expulso nos últimos minutos da partida, provocando a pressão alemã até o apito final. Entretanto, os esforços do Stuttgart foram em vão e os Blues garantiram seu terceiro título num espaço de 12 meses e seu primeiro título continental em 27 anos.

Os personagens e a continuidade

A equipe que se sagrou campeã naquela noite em Estocolmo era composta por diversos jogadores icônicos dos Blues na era pré-Abramovich. Por exemplo, Ed de Goey, Dennis Wise e Roberto Di Matteo são lendas em Stamford Bridge, mas são dois italianos que merecem maior destaque por esta conquista: Gianluca Vialli e Gianfranco Zola.

Em suma, Vialli chegou ao Chelsea vindo da Juventus e, mesmo longe do seu auge físico, conquistou seis títulos que fundamentaram sua idolatria. Nesta Recopa Europeia, o ex-atacante desempenhou o papel de jogador-treinador, tendo sua primeira experiência profissional no comando técnico de uma equipe, mostrando estrela ao trazer do banco o outro destaque desta conquista.

Se marcar um gol de título continental já eternizaria qualquer jogador na história do clube, Zola tem um papel muito mais importante do que o tento em solo sueco. Chegado ao clube aos 30 anos, seu talento lhe rendeu uma das maiores idolatrias em Londres, proporcionando diversas mágicas em campo – por isso, o apelido de Bruxo – e sendo fundamental na virada do século e de importância dos Blues no futebol britânico e europeu.

Zola celebra a conquista da FA Cup em 1997
Lenda dos Blues, Gianfranco Zola foi destaque nos títulos da década de 90 (Foto/Reprodução de: Daily Mail)

A épica final contra o Real Madrid na Supercopa

Após a conquista na Suécia, o Chelsea garantiu vaga na Supercopa do mesmo ano para enfrentar os campeões da Champions League, o poderoso time do Real Madrid. Apesar do favoritismo espanhol, aquela noite em Mônaco também seria épica aos Blues, com a conquista em um jogo apertado, decidido aos 37 minutos da segunda etapa.

Em síntese, após uma jogada de Zola – sempre ele -, a bola foi rolada para a entrada da área, de onde Gus Poyet acertou um chute firme para abrir o placar. Com a partida próxima do fim, o Chelsea se portou bem defensivamente e ganhou mais um título europeu. Em tempo, essa foi a segunda final europeia disputada contra o temido Real Madrid, ambas com final feliz aos Blues.

Por fim, o Chelsea viaja à Suécia nesta semana para enfrentar o Malmö em mais uma noite europeia. Que a viagem desperte boas lembranças ao Chelsea, espera-se que seja escrito um novo capítulo até o nosso próximo final feliz. Ou seja, que as memórias azuis em Estocolmo reverberem no espírito dos blues em mais este confronto fora de casa.

Ficha Técnica

Chelsea (4-4-2): Ed de Goey; Steve Clarke, Frank Leboeuf, Michael Duberry, Danny Granville; Dan Petrescu, Dennis Wise, Gus Poyet (Eddie Newton 81′), Roberto Di Matteo; Gianluca Vialli, Tore André Flo (Gianfranco Zola 71′).

Reservas não utilizados: Kevin Hitchcock, Andy Myers, Laurent Charvet, Jody Morris, Mark Hughes.

VfB Stuttgart (3-5-2): Franz Wohlfahrt; Thomas Schneider (Jochen Endress 55′), Murat Yakin, Thomas Berthold; Marco Haber (Kristijan Dordevic 75′), Zvonimir Soldo, Gerhard Poschner, Krasimir Blalakov, Matthias Hagner (Sreto Ristic 79′); Jonathan Akpoborie, Fredi Bobic.

Reservas não utilizados: Marc Ziegler, Mitko Stojkovski, Matthias Becker, Krisztián Lisztes.

Gol: Zola 71′

Cartões amarelos: Wise 25′, Akpoborie 33′

Cartões vermelhos: Petrescu 85′, Poschner 90+2′

Arbitragem: Stefano Braschi (ITA)

Category: Conteúdos Especiais

Tags:

Article by: Igor Estolano