O Chelsea na temporada 2020/21: Treinador

O maior ídolo da história dos Blues têm um grande trabalho pela frente

Chelsea Brasil está fazendo uma série de textos especiais que antecedem o início da nova temporada. A quinta e última parte do Guia da Temporada 2020/21 é sobre o técnico. A cada dia um texto sobre o time londrino, jogadores do elenco e considerações sobre as melhores possibilidades para deixar o elenco dos Blues mais forte.

A temporada que terá início neste final de semana traz grandes expectativas para o Chelsea e seu treinador Frank Lampard. Após duas janelas sem contratações, os Blues reforçaram os setores carentes da equipe. Agora, Frankie irá passar por novo teste. Ele precisará se aproximar do nível atingido por Liverpool e Manchester City nas últimas duas temporadas inglesas.

A carreira de Lampard como treinador

O inglês iniciou sua vida como técnico um pouco mais de um ano após encerrar sua carreira como jogador. Ele assumiu o comando do Derby County no dia 31 de maio de 2018 para disputar a segunda divisão inglesa.

lampard levou mount para o derby county

Mount e Lampard fizeram parceria no Derby County (Foto: Andy Clarke)

Na Championship, levou o time aos playoffs do acesso à Premier League, sendo derrotado na final para o Aston Villa. Na temporada regular, ficou na honrosa sexta colocação. Ele foi bastante elogiado pelo estilo de jogo que conseguiu implementar no Derby. A passagem ficou marcada por um futebol agressivo e ofensivo, que priorizava a posse de bola e a pressão na saída de jogo adversária.

No dia quatro de julho de 2019, Lampard foi anunciado como novo treinador do Chelsea, clube onde fez história como jogador. Ele chegou para substituir Maurizio Sarri, que havia acertado com a Juventus.

Em sua primeira temporada no comando da equipe azul de Londres, o ex-camisa oito fez um ótimo trabalho, alcançando o quarto lugar na Premier League. Isso garantiu uma vaga na Champions League, objetivo vital para as pretensões do clube.

O time sofreu na defesa durante toda a temporada, o que causou certa instabilidade em todas as competições disputadas. A equipe produzia ofensivamente, mas não se garantia na defesa. Foram mais gols sofridos do que qualquer outro time na metade de cima da tabela da PL.

A temporada 2019/2020

O treinador buscou diversas formações e se mostrou bastante adaptável e aberto às mudanças. O time iniciou a temporada no 4-3-3, mas variou para um 3-4-3 e até mesmo para um 3-5-2 em alguns momentos. Lampard claramente não estava preso a nenhum sistema ou forma de jogar.

Ele procurou a todo o tempo o melhor para a equipe, o que o obrigou a fazer constantes mudanças táticas e mudanças de nomes. A defesa, por exemplo, variou a temporada inteira. Kepa Arrizabalaga e Willy Cabellero trocaram a titularidade diversas vezes já que nenhum deles convencia no gol.

Entre os zagueiros, Antonio Rudiger, Andreas Christensen, Kurt Zouma e Fikayo Tomori entraram e saíram do time, terminando a temporada sem o estabelecimento de uma zaga titular.

Sobre os volantes, Matteo Kovacic, Jorginho e N’Golo Kanté também trocaram muito de funções. Kovacic jogou mais vezes e se destacou em diversos momentos, mas Jorginho não apresentou grande futebol como o “regista” que foi durante toda a carreira.

Mateo Kovacic

Kovacic foi um dos melhores jogadores da equipe na temporada (Foto: Getty Images)

Já Kanté sofreu com lesões e teve dificuldade de jogar como um meio campista mais avançado. No final da temporada estava fazendo um papel novo, o de primeiro volante, jogando bem e reconquistando certo espaço. Muitos enxergam o francês como um primeiro volante, mas vale lembrar que ele nunca atuou nessa função.

No Leicester, jogava em uma dupla de meio campistas, ao lado de Danny Drinkwater. Ambos revezavam nas saídas para o ataque. No Chelsea de Antonio Conte, por sua vez, Kanté jogava ao lado de Nemanja Matic ou Cesc Fábregas. Era um sistema com três zagueiros que dava a mesma liberdade para os dois volantes escalados.

Com Sarri, Kanté avançou ainda mais no campo. Em alguns momentos, jogando quase como um meia pela direita.

Mudanças após a retomada pós-paralização

No ataque, focou muito na criação de jogadas a partir de Willian, que agora se transferiu para o Arsenal, e Christian Pulisic, principalmente após a retomada do futebol. Pulisic se mostrou um jogador importantíssimo com gols e assistências decisivas. O norte-americano é capaz de receber a bola e virar com ela dominada. Pode-se dizer que ele “passa a marcha” do ataque dos Blues e encaixa o time ofensivamente.

pulisic foi exaltado pelo treinador

Pulisic tem potencial para se tornar uma estrela mundial (Foto: Getty Images)

É importante lembrar que alguns jogadores perderam espaço após a volta das equipes aos gramados. Tammy Abraham cedeu lugar a Olivier Giroud, que terminou a temporada em grande estilo e mostrou ser muito útil como pivô. Mesmo não sendo um grande goleador, o francês agradou por ser ótimo recebendo bolas longas e preparando para quem vem de trás.

O atacante campeão do mundo em 2018 pela França pode ser usado a partir da próxima temporada para potencializar os novos nomes ofensivos. Caso seja titular, ele pode receber a bola já preparando as jogadas para a finalização de quem chega por trás.

O Chelsea tem agora Kai Havertz, Timo Werner e Hakim Ziyech, que oferecem a possibilidade de finalização com precisão vindo de trás.

A utilização dos jovens

De forma geral, o time de 2019/2020 ficou marcado por sua instabilidade defensiva e por sua boa capacidade ofensiva. O treinador claramente prioriza a posse de bola e a pressão na saída de jogo do adversário. Desta forma, enxerga-se um time moderno e adaptado ao futebol das grandes equipes do mundo.

Os maiores méritos de Lampard na temporada estiveram ligados à utilização de jovens da base para possibilitar a transição necessária em uma temporada em que o clube não pôde contratar. Achados como Mason Mount e Reece James foram brilhantes.

Além deles, outros nomes também se destacaram em recortes da temporada. Tammy Abraham foi muito participativo até o início de 2020, enquanto Fikayo Tomori foi bem nos primeiros jogos, marcando até mesmo o gol mais bonito da temporada em um chutaço de fora da área.

Tomori começou bem, mas rapidamente perdeu espaço no time (Foto: Metro)

No meio campo, o escocês Billy Gilmour teve destaque na reta final da temporada, alternando bons jogos com partidas não tão incríveis. Todavia, se valorizou bastante e deve entrar no rodízio cada vez mais.

Já Hudson-Odoi teve altos e baixos, inclusive com problemas fora de campo. Espera-se que o inglês possa jogar mais vezes a partir de agora. Pulisic, mesmo não sendo da base, ainda é muito jovem, com apenas 21 anos. Como mencionado anteriormente, ele foi importantíssimo na reta final de temporada.

Em síntese, foi um time com muitos jovens comandado por um treinador flexível, com ideias atualizadas e inovadoras.

O que esperar para a temporada 2020/2021

O clube já anunciou as contratações de Timo Werner, Kai Havertz, Hakim Ziyech, Thiago Silva, Bem Chiwell e Malang Sarr. Além disso, o goleiro Edouard Mendy, do Rennes, está perto de ser anunciado. A pergunta que começa a surgir é: como jogará esse novo Chelsea?

É difícil precisar os prováveis encaixes que o time terá, mas algumas análises podem ser feitas.

Kepa quer ficar, mas pode perder a posição caso Mendy seja confirmado. Enquanto isso, na linha de defesa, Thiago Silva e Chiwell acrescentam muito.

Fotos de Thiago Silva e Chiwell

Thiago Silva e Chiwell são ótimos reofços para a defesa (Foto: Metro)

Thiago é um dos maiores zagueiros da história do futebol brasileiro, enquanto Chiwell é um jogador já estabelecido na Premier League. O ex-jogador do Leicester pode jogar como ala ou como lateral.

Isso o difere de Marcos Alonso, que vai bem na ala mas defende mal em uma linha de quatro. Considerando a quantidade de reforços ofensivos, é provável que o time jogue com quatro jogadores na defesa.

Thiago deve dividir a zaga com Rudiger, Christensen, Tomori ou Zouma. Nenhum deles vem convencendo, mas todos podem melhorar ao lado de um zagueiro tão experiente quanto o brasileiro. Na lateral direita, César Azpilicueta ou Reece James dão opções de experiência e velocidade, respectivamente.

Meio campo encorpado

No meio de campo e no ataque, as opções são diversas. Pensando em um time com linha de quatro, o sistema pode ser um 4-2-3-1, que teria o Havertz como um meio campista na frente de dois volantes, que poderiam ser Kanté e Kovacic.

Por outro lado, em um possível 4-3-3, o time teria um primeiro volante (provavelmente Kanté ou Jorginho) ao lado de dois meio campistas mais alinhados. Estes poderiam ser Kovacic, Havertz, Mount ou até mesmo Ross Barkley.

Como primeiro homem de meio campo, Jorginho e Kanté são opções muito diferentes, mas podem funcionar de forma eficiente dependendo do jogo. O ítalo-brasileiro joga como regista, enquanto Kanté tem mais mobilidade.

Kovacic, por sua vez, funciona como um “carregador” da bola, muito eficiente nas transições. Sua presença pode ser importante ao lado do primeiro volante ou ao lado de Havertz, que pode jogar atrás do atacante ou mais recuado, como um camisa oito alinhado ao croata, posição que o alemão diz preferir jogar.

E como fica Mason Mount nesse sistema? O inglês foi bem na última temporada e tem muito para evoluir. Ele pode jogar ao lado de Havertz, com Kovacic saindo do time em determinados momentos. Ao mesmo tempo, ele pode ser uma opção para a linha de frente, já que também joga aberto pelos lados se for necessário.

Mount cobrando falta

Mount ainda pode ser muito útil para a equipe (Foto: Getty Images)

Ataque poderoso

No ataque, imagina-se que Ziyech venha para preencher o lugar de Willian no time titular. Ele deve ser o atacante pela direita, cortando para a perna boa, a esquerda, e armando por dentro em diversas ocasiões.

Ziyech também estreou

Ziyech está cercado de grandes expectativas (Foto: Getty Images)

Hudson-Odoi seria opção para a posição, mas ainda não está no melhor momento para assumir uma titularidade. Ele pode ser interessante para mudar a característica entrando no lugar do marroquino. Odoi consegue abrir o campo jogando espetado, recebendo para colocar velocidade pelo lado.

Timo Werner, por sua vez, pode jogar como um centroavante ou aberto pela esquerda. Ele é muito rápido, mas não é tão forte, o que pode ser um problema quando precisar trombar com os zagueiros. Caso seja deslocado para a ponta esquerda, Pulisic poderia sair do time para dar espaço para Giroud ou Abraham. Ambos funcionariam melhor como pivô.

Com isso, Werner cairia da esquerda para dentro, funcionando como um ponta que centraliza o jogo. Assim, o lado do campo ficaria livre para as infiltrações de Chiwell.

O time que começa a se formar no imaginário do torcedor do Chelsea é parecido com o seguinte: Mendy (caso seja confirmado) ou Kepa no gol, Azpilicueta na lateral direita, Thiago Silva e Rudiger (com Zouma e Christensen na briga) na zaga e Chiwell na esquerda.

No meio, Kanté ou Jorginho como primeiro volante, Kovacic como segundo volante e Havertz um pouco mais adiantado. No ataque, Ziyech na direita, Pulisic na esquerda e Werner de centroavante.

Esse esboço deve se aproximar do time base para a temporada 2020/2021. Resta saber o que Lampard está planejando para o início da PL. A competição tem início na segunda feira para os Blues em jogo fora de casa contra o Brighton.

A influência de Lampard nas contratações

Quase todos os novos contratados declararam que o treinador do Chelsea foi peça chave para concretizar as transferências. Isso mostra a capacidade do inglês como “manager” e a facilidade que ele tem de se comunicar com os jogadores.

Está cada vez mais claro que ele convenceu os novos contratados de que o time funcionaria bem com as características deles. Por ser um dos maiores jogadores da história do clube, se não o maior, Lampard sabe como tratar os jogadores e como potencializar suas qualidades.

Os jovens atletas olham para o ele como um ídolo do futebol mundial. Ao mesmo tempo, como alguém que entende suas funções em campo e sabe como extrair o melhor deles.

“Nós falamos muito sobre o sistema e sobre como vou me encaixar nele. Ele falou muito comigo sobre o posicionamento, mas também sobre o que espera de mim como homem,” disse Werner ao site oficial dos Blues.

Timo Werner e Frank Lampard treinando

Werner está empolgado por ser treinado por Frankie (Foto: BBC)

Havertz declarou algo semelhante: “Ele teve um grande impacto na minha decisão porque eu o amava como jogador e acho que posso aprender muito com ele como jogador. Ele é muito humilde e uma pessoa muito boa,” ressaltou o alemão também ao site do Chelsea.

Chiwell também não poupou elogios: “Falar com Frank foi decisivo para minha transferência. Ele colocou confiança em mim e me ajudou a entender o sistema de jogo que ele queria e como eu me encaixaria nele.”

A partir de agora, a torcida de Stamford Bridge começa a se animar com a possibilidade de ter um grande elenco. Porém, mais do que isso, ter um grande “manager” que pode ficar no comando durante muitos anos.

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Bruno Pizarro

Jornalista Esportivo que acredita no desempenho acima do resultado. Entusiasta da Premier League e apaixonado pelo Chelsea Football Club desde a infância. Siga-me no Instagram: brunosafortes