Terceiro Tempo: Uma semana para esquecer e aprender

Após uma exibição vexatória na Champions League contra o Bayern de Munique, o Chelsea tinha a missão de recolher os cacos e se organizar rapidamente para a Premier League. A equipe visitaria o Bournemouth, que luta para permanecer na primeira divisão.

Assim como no primeiro turno, os comandados de Eddie Howe mostraram-se mais organizados e quase afundaram de vez os Blues, se não fosse por Marcos Alonso e sua impressionante veia artilheira.

Com o empate por 2 a 2, Frank Lampard ainda não venceu fora de casa em 2020. São três empates e uma derrota. Esse é um dos momentos de maior instabilidade do jovem treinador sob o comando do clube.

Primeiro Tempo: Lesões

Vários fatores corroboram para um treinador montar uma escalação: Treinamento, estilo, momento, adversário… Porém, as lesões muitas vezes afetam não só a montagem de um time titular, como também o desenvolvimento dele.

Dessa forma, Lampard está encontrando dificuldades pois não conta com todos os jogadores à disposição. Não obstante, atletas importantes estão fora no momento crucial da temporada.

Goste ou não da função de Kanté, o Chelsea não possuí um meia tão polivalente como o francês. É uma joia rara que seria útil em qualquer elenco, independente do estilo de jogo. E o camisa 7 não consegue atingir o patamar esperado pois não se recuperou da forma correta da lesão que carregou na final da Europa League. Novamente, está no departamento médico e não há previsão de volta.

As sucessivas lesões estão atrapalhando a temporada de Kanté (Reprodução- Getty Images)

Isso atrapalha não só o crescimento individual, como também o coletivo. Jorginho está suspenso para os próximos três jogos e Loftus-Cheek completou 90 minutos em campo apenas nesse final de semana, com o sub-23. Com isso, o técnico será obrigado a formar uma dupla/trinca no meio-campo com pouco entrosamento.

Outro ausência é Tammy Abraham. O inglês calou os críticos com um início arrasador e provou que a sina do camisa 9 em Stamford Bridge é coisa do passado.

Tammy Abraham é o artilheiro do time. Já anotou 13 gols na Premier League! (Reprodução: Reprodução Twitter Chelsea FC)

Contudo, como o Chelsea não têm um substituto à altura, Abraham atuou na maioria das partidas, sem poder descansar. O aviso de que ele precisaria ficar alguns jogos fora veio contra o Valência, quando ele saiu lesionado. Porém, o time precisava do artilheiro, e o atacante jogou algumas partidas sem estar 100%. Agora, seu problema no tornozelo foi agravado e está sendo tratado por especialistas em Barcelona.

Por fim, Pulisic e Hudson-Odoi. O primeiro não participa de um treino faz dois meses e não joga desde o empate contra o Brighton, no primeiro dia do ano. Já o segundo está em fase final de recuperação e deve ser relacionado para o duelo no final de semana contra o Everton.

Ambos jogadores possuem um dinamismo no qual a equipe sente falta, pois são jogadores que, com a bola, podem abrir defesas e criar espaços para os companheiros. Também, o tempo fora dos gramados atrapalha a evolução deles, já que Odoi formou boa parceira com Reece James pela direita e Pulisic estava com bons números jogando com Abraham.

Odoi é o garçom do time, com quatro assistências. Pulisic é o vice-artilheiro, com cinco gols em 15 jogos.

Segundo Tempo: Escolhas e modelos

Lamps não passou no seu “teste de fogo”. Perdeu de forma injusta para o United. Deu a resposta com um vitória convincente contra o Tottenham e foi humilhado em casa pelo Bayern.

A derrota por 3 a o em casa para o Bayern obriga o time a fazer um milagre em Munique (Reprodução: BR Football)

Uma das possíveis razões para isso ter acontecido foi o sistema com três zagueiros. Esse método que outrora rendeu muitas alegrias com Conte parece ser a solução apenas para jogos pontuais.

Em setembro, Lamps usou essa esquema contra o Wolves e deu muito certo, com Abraham marcando seu primeiro hat-trick. No jogo seguinte, contra o Valência, ele deu continuidade ao plano, mas foi derrotado pelo placar mínimo.

Ele fez mais alguns experimentos naquele período, mas voltou com uma formação mais tradicional. No entanto, no duelo contra os Spurs, ele reutilizou esse sistema para combater a exposição defensiva, e funcionou. No entanto, a insistência se provou um erro fatal contra os alemães, que encontraram um Chelsea muito espaçado. Davies e Gnabry aproveitam o campo livre e infernizaram a defesa inglesa.

A questão é: Jogar com três zagueiros e dois alas é efetivo dependendo do adversário, mas pela amostra que tivemos, o time não está pronto para adotar isso como o plano A.

Outra área que parecia ter sido solucionada e agora levanta questionamentos é no gol. Pela falhas e “bolas defensáveis” que Kepa deixou entrar, seu lugar foi ocupado pelo experiente Caballero. No entanto, o ex-City não está dando conta do recado, sendo alvo da torcida pelos mesmos problemas que o seu conterrâneo. Ele defendeu apenas 53,3% dos chutes em sua direção, a pior média entre jogadores dessa posição com pelo menos quatro jogos na Premier League.

Na Inglaterra, é comum que exista uma rotatividade entre goleiros. O titular atua nos jogos do campeonato e Champions League. O reserva fica com os Copas nacionais. Com o duelo contra o Liverpool se aproximando, será interesante ver a escolha de Lampard sobre quem disputará essa partida.

Kepa não é titular desde o empate contra o Arsenal (Reprodução: B/R Football)

Prorrogação: Rivais e Copa

Mesmo com os problemas elencados, a queda de rendimento não deveria ser tão brusca. A situação só não está pior pois todos os times que brigam por vaga na Champions League estão deixando a desejar. O Chelsea segue em quarto lugar, com três pontos de distância para United e Wolves e cinco de Spurs e Sheffield (que tem um jogo a menos.)

Sem as peças importantes, Mourinho não está conseguindo fazer o Tottenham emplacar. Nuno Espírito Santo e Solskjaer conseguiram bons resultados no último mês, mas ambos avançaram na Europa League e terão um calendário desgastante.

Os Blues ainda controlam o próprio destino no campeonato e podem levantar uma taça. Entretanto, será necessário superar o quase imbatível Liverpool de Klopp na FA Cup.

Se por um lado os Reds sempre arrumam um jeito de vencer, as últimas atuações deixam a desejar. Somado a isso, a confiança dos líderes pode estar abalada, tendo em vista que eles perderam a invencibilidade que durava 44 rodadas. Se há um momento ideal para enfrentar a melhor equipe do mundo atualmente, a hora é agora.

Mesmo com a derrota no final de semana, o Liverpool é favorito no confronto de terça-feira (Reprodução- BR Footbal)

Rafael Marson

Jornalista em formação pela Faculdade Cásper Líbero. Sem o futebol, não há motivos para viver. Fã incondicional de Drogba e Hazard. #GoBlues