Terceiro Tempo: O bom momento de Lampard e seus comandados

O treinador Frank Lampard vem ganhando cada vez mais destaque na imprensa futebolística inglesa e internacional. O começo de temporada do Chelsea supera as expectativas iniciais, que não eram altas. A punição da FIFA, que impede o time de contratar até a metade de 2020, e a perda de Eden Hazard pra o Real Madrid mudaram as pretensões da própria torcida da equipe azul de Londres. Além disso, o zagueiro David Luiz se transferiu para o Arsenal, deixando a zaga ainda mais inexperiente.

Todavia, o time comandado por Super Frank está evoluindo além do esperado, principalmente porque os jovens estão atuando com a frieza e a qualidade de veteranos. O time não só consegue ótimos resultados, como também apresenta grandes performances, com um futebol leve, ofensivo e de alta intensidade.

Primeiro Tempo: Pulisic surge como opção de alto nível

O norte-americano deve ganhar mais espaço depois do “hat-trick perfeito” na vitória contra o Burnley (Foto: Reprodução Twitter Oficial Chelsea)

Após a vitória contra o Burnley fora de casa por 4 a 2 no sábado (26), pela décima rodada da Premier League, os Blues completaram sete vitórias seguidas em todas as competições, incluindo triunfos importantíssimos fora de casa contra o Lille e o Ajax, ambos pela Champions League. Essas vitórias compensaram a derrota em casa para o Valência na primeira rodada da competição europeia e recolocaram o time em uma boa posição visando à classificação para as oitavas de final.

O Chelsea tem sido sólido na Premier League, ocupando hoje a quarta posição, atrás apenas dos favoritos pra a conquista do título, Liverpool e Manchester City, e do Leicester City, que montou um elenco muito promissor para a temporada.

Mas o jogo contra o Burnley foi muito mais do que apenas a sétima vitória consecutiva, foi também um marco para a carreira do norte-americano Christian Pulisic. Ele já havia jogado nove partidas na temporada, atuando mais de 500 minutos, porém não havia balançado as redes.

Foi então que resolveu mostrar seu futebol para o mundo. O ponta-esquerda conseguiu o feito incrível de marcar seus primeiros três gols pelo Chelsea em apenas um jogo. Além disso, não foi um hat-trick qualquer, mas sim um “hat-trick perfeito”, com um gol de esquerda, outro de direita, e o terceiro de cabeça. Ninguém havia atingido essa marca nos Blues desde 2010, com a lenda Didier Drogba. Pulisic também foi apenas o segundo norte-americano a marcar qualquer tipo de hat-trick na Premier League.

Eleito o melhor em campo com justiça, a partida mostrou que o ponta é capaz de jogar em todas as partes do campo, não estando muito preso às laterais. Essa perspectiva pode ser muito importante para o Chelsea, que se beneficia de maiores opções na criação das jogadas por dentro.

Pulisic foi o único reforço do Chelsea, visto que foi contratado em Janeiro de 2019, mas jogou até a metade do ano emprestado pelos Blues ao Borussia Dortmund. Dessa forma, o norte-americano era de fato o único “fator novo” na equipe, e por isso precisava de melhores performances.

Segundo tempo: jogadores em forma em todas as posições

Jogadores em alta em todas as posições ajudam a explicar o bom momento (Foto: Chelsea FC)

Agora, Pulisic deve tentar manter o nível para dividir o protagonismo da equipe com outros jogadores. Na defesa, a dupla de zaga Kurt Zouma e Fikayo Tomori está evoluindo a cada jogo. Nas primeiras partidas em que atuaram juntos, mostraram certa insegurança e nervosismo, mas rapidamente cresceram de produção e hoje jogam como se fossem uma dupla formada há anos. Fica então a dúvida do que irá ocorrer com o alemão Antonio Rudiger quando voltar de lesão. Ele foi o melhor zagueiro do time na temporada passada, mas agora terá problemas para voltar ao time titular.

Na lateral direita, o capitão César Azpilicueta começou a temporada em péssima forma, chegando a ser muito criticado pela torcida, mas agora parece estar de volta ao seu nível de desempenho habitual. O lateral-direito tem atuado mais defensivamente nas últimas partidas, o que está diretamente ligado à boa fase de Marcos Alonso na lateral-esquerda. Ele começou a temporada na reserva, preterido pelo ítalo-brasileiro Emerson Palmieri, mas aproveitou a lesão de seu companheiro de time para voltar com tudo para a equipe principal, demonstrando sempre muita técnica nos passes e nas finalizações.

No meio campo, N’Golo Kanté jogou poucas vezes na temporada, o que explica o bom momento de Mateo Kovacic, que vem atuando ao lado de Jorginho como volante. A dupla está muito mais entrosada hoje do que nos tempos de Maurizio Sarri, principalmente porque estão atuando mais próximos, com Mount um pouco mais adiantado pelo meio.

O esquema difere do utilizado por Sarri na temporada passada principalmente porque agora tem a presença de dois volantes, que podem ser Kanté e Jorginho ou Kovacic e Jorginho, liberando um meia avançado, no caso o inglês Mount, para se aproximar dos pontas e do atacante. Com Sarri, não havia esse meia mais avançado. Jorginho, Kanté e Kovacic costumavam jogar juntos. Um por dentro, outro pela direita e outro pela esquerda.

Vale ressaltar a importância de Jorginho no esquema atual. Enquanto muitos pensavam que seu futebol dependia da presença de Sarri, o ítalo-brasileiro vem mostrando altíssima qualidade de jogo na saída de bola, além de uma impressionante evolução defensiva, com ótimas roubadas de bola e interceptações.

Em relação ao meia com características mais ofensivas, Lampard acredita muito no futuro de Mount, que também foi seu jogador de confiança no Derby County na temporada passada. Em 14 jogos, o inglês foi quem criou mais chances na equipe, com um total de 25, além de marcar quatro gols e dar uma assistência. O jovem não foi brilhante nos últimos dois jogos, mas já demonstrou que um pouco de paciência pode o transformar em um dos melhores meio campistas da liga.

No ataque, os holofotes só poderiam ficar para Tammy Abraham. Já são nove gols e uma assistência em 14 jogos pela equipe azul de Londres. Sua utilização recorrente mostra uma opção de Lampard por um atacante mais móvel e de maior intensidade. Sarri costumava colocar Olivier Giroud ou Gonzalo Higuaín como titulares, o que atrapalhava no momento em que a velocidade era necessária. Abraham não é um jogador extremamente rápido, mas está longe da lentidão das opções anteriores.

Nas pontas os destaques ficam para Willian e Hudson-Odoi. O Brasileiro camisa 10 começou a temporada sob desconfiança. Seu experiente parceiro de time, David Luiz, foi mandado embora pois não estava nas graças de Lampard, o que colocava uma dúvida sobre a relação de Willian com o novo treinador.

Lampard, que jogou tanto com David Luiz quanto com William, iniciou a temporada com Willian na reserva na maioria das vezes, mas logo viu que precisaria de sua experiência. Hoje o jogador é um dos mais veteranos da equipe e tem jogado muito bem pela ponta-direita, ajudando com gols e com uma ótima transição da defesa para o ataque, já que sua velocidade e condução de bola são seus pontos fortes.

Na ponta-esquerda, os Blues começaram a temporada usando Mount deslocado, enquanto Ross Barkley fazia o papel de meia centralizado. Com o retorno de Hudson-Odoi, o time passou a ter Mount por dentro, Willian pela direita e Odoi pela esquerda. O impacto foi imediato, visto que em apenas sete jogos, o ponta-esquerda já marcou um gol e deu quatro assistências.

Quando parecia que o time iria se firmar dessa maneira, Pulisic e Michy Batshuayi entraram para mudar a cara do time contra o Ajax, na vitória fora de casa por um a zero, gol de Batshuayi e assistência de Pulisic. Assim, Lampard acabou optando em tirar Odoi para dar lugar ao norte-americano no jogo contra o Burnley na última rodada, o que acabou resultando no já mencionado dia do “hat-trick perfeito”.

Prorrogação: As opções de troca

A competição pela titularidade está acirrada em muitas posições. (Foto: Chelsea FC)

Imaginemos que, com todos os jogadores disponíveis, o time titular seguirá com: Kepa Arrizabalaga, Azpilicueta, Zouma, Tomori, Alonso, Jorginho, Kanté, Mount, Willian, Pulisic e Abraham. Dentro dessa perspectiva, vejamos as opções de reposição que os Blues teriam.

Entre os zagueiros, dois ótimos jogadores seriam opções: Rudiger e Andreas Christensen, com o alemão um pouco à frente na briga. Na lateral direita, Reece James é forte fisicamente, o que seria muito útil na ausência de Azpilicueta, enquanto Emerson está quase no mesmo nível de Alonso na esquerda. Emerson não tem a mesma técnica do lateral-esquerdo espanhol, mas compensa com maior velocidade e melhor recomposição defensiva.

No meio campo, Kovacic tem sido importante na saída de bola e na transição ofensiva, o que o deixa entre os principais candidatos a retornar ao time titular quando Kanté estiver de volta e o croata estiver no entre as opções. Kovacic pode atuar tanto no papel de Kanté quanto no lugar de Jorginho, o que aumenta ainda mais seu valor coletivo.

Na área mais avançada do meio campo, temos Barkley e Ruben Loftus-Cheek (quando retornar de lesão) competindo com Mount pelo papel de meia armador, enquant Odoi e Pulisic competem em uma briga acirrada pela titularidade na ponta-esquerda. Na ponta-direita, Willian disputa com o também veterano Pedro, que corre por trás na briga pela vaga.

Já no comando de ataque, Abraham tem a concorrência de Batshuayi, que marcou o gol da vitória contra o Ajax, na Holanda, e Giroud, que ainda não balançou as redes na atual temporada e teve pouquíssimas chances sob o comando de Frank Lampard.

Os torcedores e jogadores dos Blues estão animados com o começo da temporada, o que pode ser determinante para a confiança do time. Quando a temporada começou, havia o medo de que faltassem jogadores para determinadas posições. Hoje, com a competição tão acirrada, a briga por posições e a variedade de opções, as perspectivas futuras são muito mais alentadoras do que se poderia imaginar.

Bruno Pizarro