Os 20 maiores ídolos do Chelsea: Parte II

Seguindo a lista dos maiores ídolos da história do Chelsea, vamos para a segunda parte, onde jogadores históricos são a maioria. Este post aborda os atletas do número 15 ao 11. Caso ainda não tenha conferido a primeira parte, basta clicar aqui.

15 – Ray Wilkins

Agressivo dentro das quatro linhas, Ray Wilkins era capa nos jornais não apenas pelo seu futebol, como também pelo estilo. O jeito de se vestir rendeu-lhe o apelido de “Butcher”.

Porém, engana-se quem pensa que sua grandeza está no jeito de se vestir. Ray ficou marcado por sua capacidade em ler o jogo como volante e liderar o time durante um período de incertezas.

Wilkins era conhecido por seu gosto peculiar (Reprodução: Mirror)

Torcedor do clube, ele estreou pelo profissional em 1973 em uma vitória sobre o Norwich. O jovem, junto com o restante do elenco, foi rebaixado naquela temporada.

Contudo, foi na segunda divisão em que ele se achou na equipe, recebendo a braçadeira de capitão após a saída de jogadores mais experientes e consolidados como John Hollins. Assim, ele se tornou o capitão mais novo da história do Chelsea.

A pressão de liderar um elenco inexperiente não pesou para Ray. Logo na temporada 76/77, a equipe conquistou o acesso e permaneceu na divisão de elite por mais dois anos. A maturidade do jovem era seu grande trunfo, sempre protegendo e ajudando os companheiros.

Quando o Chelsea foi rebaixado em 79, Ray já havia demonstrado suas habilidade em controlar o meio-campo. Foi então que surgiu o Manchester United com uma proposta de 825 mil libras. Na época, foi a maior oferta recebida pelos Blues. Como o elenco passava por uma nova reformulação, a diretoria aceitou o dinheiro.

Após deixar sua marca nos Red Devils, ele passou pelo futebol italiano, francês e escocês. Ainda, atuou por mais quatro clubes ingleses diferentes. Mas foi no Chelsea em que ele ganhou projeção internacional, estreando pelo English Team em 1976.

Carreira fora das quatro linhas

Devido a sua alta compreensão sobre o jogo, Ray almejava ser técnico. Atuou com treinador-jogador no Queens Park Rangers. Em 99, treinou o Chelsea por alguns meses, até a chegada de Ranieri.

No entanto, o futuro reservava mais. Em 2008, Felipão o convidou para ser seu assistente em Stamford Bridge. Na temporada seguinte, o brasileiro foi demitido e Ray agiu como interino na vitória por 3 a 1 contra o Watford, pela FA Cup.

Wilkins teve dois breves momentos como treinador do clube (Reprodução: Chelsea FC)

Infelizmente, essa figura icônica veio a falecer em abri de 2018, após parada cardíaca.

14 – Paul Canoville

Um ponta direita que não apenas encarou a missão de levantar um clube, como também bateu de frente contra o racismo inglês da década de 80. Paul Canoville calou os críticos com a bola no pé e abriu o caminho para jogadores negros no Chelsea.

Com uma infância conturbada, Paul enxergava no futebol paz e um caminho para retribuir toda a ajuda da mãe, que cuidou dele e da irmã sozinha.

Ele assinou com os Blues em 1981. Naquela época, os hooligans da equipe, os Headhunters, eram extremamente agressivos. Com Paul, primeiro negro na história do clube, a violência foi ainda maior.

Paul era alvo da própria torcida (Reprodução)

“Quando fui aquecer no meu primeiro jogo, os torcedores do Chelsea me xingavam e cantavam músicas racistas”

Os anos em Londres foram difíceis. Atrelado aos cânticos racistas, ele sofreu algumas lesões em 82/83, mas voltou no final para ajudar o time a escapar da terceira divisão.

Mais opções, menos oportunidades?

Após livrar-se do vexame, o clube buscou novos nomes. Assim, Pat Nevin veio ao clube para ajudar no ataque. Mesmo competindo pela mesma vaga, Pat e Paul eram bons amigos, principalmente porque o recém-contratado sempre defendia seu colega.

Apesar das constantes ameaças e da chegada de outros atletas, Canoville foi muito importante na campanha do título da segunda divisão em 83/84. Os sete gols naquela temporada mostraram aos executivos que valia a pena comprar a briga contra a torcida.

Contudo, nos dois anos em que os Blues estiveram na elite, ele seguia sofrendo com lesões e não conseguia dar continuidade a boa forma que apresentou quando o clube subiu.

Além disso, Canoville não gostou da contratação do também ponta-esquerdo Jerry Murphy, do Crystal Palace. O estopim veio quando ele foi vítima de racismo de um de seus colegas de equipe. Dessa forma, ele foi transferido para o Reading. Seguidas lesões no joelho o forçaram a se aposentador com apenas 25 anos.

Ao todo, ele atuou em 105 e marcou 15 gols. Porém, seu maior legado foi ajudar na luta contra o racismo, batalhando sozinho em uma época repleta de violência. Se não fosse por sua persistência, jogadores como Drogba, Obi Mikel jamais passariam pelo clube.

Para saber mais sobre a vida de Paul Canoville, leia a nossa entrevista com o jogador em 2019.

13- Ashley Cole

Como um jogador que começou no Arsenal e fez parte dos “Invencíveis” pode ser considerado um dos maiores ídolos do Chelsea? A história de Cole é repleta de polêmicas, porém, é visto por muitos como um dos melhores laterais esquerdos da década de 00, além de colecionar títulos e marcas históricas.

Ele começou sua carreira nos rivais do norte, onde ganhou projeção e foi aprimorando suas habilidades, principalmente no apoio ao ataque. Em 2005, último ano nos Gunners, era não só titular do clube como também da Seleção Inglesa, além de ter consigo sete troféus.

O Arsenal era o clube de coração de Ashley Cole (Adrian Dennis/Getty Images)

Foi então que o Chelsea surgiu na parada. Sem poupar esforços financeiros, a diretoria do clube buscava nomes de peso no mercado. Cole não estava satisfeito com as 55 mil libras semanais oferecidas pelo Arsenal. Os Blues ofereciam 90 mil por semana.

Porém, a disputa estava longe de terminar. Cole foi flagrado com seu agente, José Mourinho e dirigentes do clube em um hotel. Todos foram multados e ele renovou por um ano com o Arsenal. Na temporada seguinte, depois de muita negociação entre todos os envolvidos, a transferência foi sacramentada por 5 milhões de libras e William Gallas foi envolvido, deixando o Chelsea pelo Arsenal.

Títulos e escândalos em Stamford Bridge

Sob o comando de Mourinho, Cole passou a ter mais obrigações na defesa. Com isso, melhorou seu posicionamento defensivo e combate 1-contra-1, mas ainda tinha liberdade para chegar ao ataque.

Algumas lesões o impediram de atuar em seu máximo potencial na primeira temporada, mas ele esteve em campo no título da FA Cup contra o United em 2007.

Ao que aponta a mídia inglesa, Cole foi contra a saída do técnico português no começo da temporada seguinte. Coincidentemente, foi nessa época em que os holofotes se viraram contra o lateral. Em uma partida contra o Tottenham, ele deu uma entrada agressiva em Allan Hutton. O juiz, Mike Riley, deu apenas amarelo, mas foi o deboche do camisa 3 em dar de costas ao árbitro que deixou os jornalistas revoltados.

Com o salário renovado, Cole foi um dos símbolos tanto do título inglês em 09/10 (recebendo o prêmio de gol mais bonito da temporada, contra o Sunderland) como da Champions League (salvando uma bola em cima da linha no jogo de ida contra o Barcelona e convertendo a penalidade contra o Bayern).

Depois de anos tentando, ele finalmente levantou a “orelhuda” (Reprodução: Fetty Images)

Além desses, conquistou mais seis títulos e foi eleito para o time da Premier League em 10/11. Cole ajudou a redefinir a posição de lateral com sua habilidade e persistência. Apesar de midiático, jamais desrespeitou a instituição e foi um dos únicos da “Geração de Ouro Inglesa” que comprovou seu talento.

12- Dennis Wise

Em um elenco, é comum ter jogadores de temperamento leve. Dennis Wise era o oposto. Visto como um bad boy, o volante foi o segundo capitão mais bem sucedido, atrás de John Terry, e o quinto jogador com mais aparições pelo Chelsea, com 445 jogos e 76 gols. Não só isso, foi eleito o melhor jogador do clube duas vezes.

Para entender melhor sua personalidade, é preciso voltar no tempo para a época em que atuou no Wimbledon FC. Lá, ele era um dos líderes da “Crazy Gang”, grupo de jogadores que encaravam a mídia com deboche e piadas, além de impor um estilo básico, físico e viril dentro campo. Com essa tática, eles subiram da quarta para a primeira divisão, e ofuscaram o Liverpool na final da FA Cup de 88.

O meio-campista veio do Wimbledon e ficou mais de uma década nos Blues (Foto: Chelsea FC)

O sucesso no Wimbledon foi o suficiente para o Chelsea desembolsar 1,6 milhões de libras, até o momento, valor recorde do clube, para contar com seus serviços.

Feitos e controvérsias pelo Chelsea

Seu segundo ano no clube, 1992, foi um verdadeiro sucesso. A chegada do ex-companheiro Vinnie Jones reacendeu a parceira de sucesso no antigo time. Com essa química no meio-campo, Wise foi o artilheiro dos Blues com 14 gols. O mais importante deles veio em uma vitória por 2 a 1 contra o Liverpool em Anfield, local onde o Chelsea não vencia desde 1935.

No ano seguinte, com a braçadeira de capitão, ele liderou a equipe a uma final de FA Cup, ocasião na qual o clube não participava há 24 anos. Todavia, o time foi goleado por 4 a 0 pelo Manchester United.

A moral com os fãs aumentava na mesma medida em que ele acumulava desavenças. Em 95, foi condenado a três meses de prisão por agredir um motorista de táxi. A sentença foi derrubada, entretanto, a braçadeira foi retirada dele justamente quando ele sofreu uma lesão na coxa, atrapalhando sua forma. Já em 99, ele foi pego mordendo o defensor Elena Marcelino, do Mallorca, durante a Recopa Europeia, mas a UEFA liberou o atleta.

Não só isso, sua indisciplina tornou-se algo comum, com ele perdendo 15 jogos na temporada 98\98 por cartões vermelhos.

Apesar das provocações e suspensões, Wise sempre deixava corpo e alma dentro de campo, ganhando a torcida por seus atos e vitórias no clube. Conquistou a Recopa Europeia, Supercopa Européia, Copa da Liga Inglesa, Community Shield e duas FA Cups.

“Esquentadinho” Wise nunca fugiu de uma briga (Reprodução: Getty Images)

11- Roy Bentley

Você sabe quando foi o primeiro título inglês do Chelsea? O feito ocorreu em 1955, e um dos protagonistas dessa façanha foi o atacante Roy Bentley.

Sua carreira profissional teve início em 1941, no Bristol City. Porém, com a eminência da Segunda Guerra, ele passou esse período à bordo da Marinha Inglesa no Atlântico.

Após a guerra, foi ao Newcastle. Durante esse intervalo de tempo, contraiu uma rara doença que o fez perder 13 kilos. Contudo, marcava muitos gols, e o Chelsea decidiu fazer a aposta. No futuro, comprovou-se que 12,5 mil libras pagas para tê-lo no elenco foi um excelente negócio.

Bentley revolucionou a posição de centroavante. Ele foi um dos que introduziu e pôs em prática o conceito de falso nove. Suas movimentações laterais e liberdade no ataque confundiam os defensores. Além disso, era muito oportunista na frente do gol. Todas essas características comprovam que ele estava à frente do tempo, um craque.

Roy Bentley, capitão e artilheiro do Chelsea nos anos 1950.

Uma história de sucesso

Ao chegar nos Blues em 1948, ele trabalhou na forma física e ganhou sete kilos, virando titular incontestável ao longo de todo o período no clube. Foi artilheiro por sete temporadas seguidas, comprovando sua importância para o time.

E na temporada 54/55 ele consagrou sua versatilidade e talento. Com 21 gols em 41 jogos, ele foi o peça-chave no primeiro título da história do clube. Porém, os esforços financeiros para obter a taça foram altos. Assim, era preciso se desfazer de algumas peças. Dessa forma, Bentley foi para o Fulham e posteriormente ao QPR.

Quando o Chelsea ganhou o título inglês novamente em 04/05, Bentley levou a taça aos braços de John Terry. No caminho, foi ovacionado por todos os torcedores presentes em Stamford Bridge.

Quatro vencedores dos Blues unidos em um momento de felicidade (Reprodução: Chelsea FC)

A foto acima é significativa pois reúne quatro grandes figuras da história dos Blues. Mas, deve-se lembrar que, sem os feitos de Roy Bentley nos anos 50, muitas coisas poderiam ser diferentes para o Chelsea. Foram 150 gols em 367 jogos. Com esses números, ele é o quinto na artilharia do clube.

Rafael Marson

Jornalista em formação pela Faculdade Cásper Líbero. Sem o futebol, não há motivos para viver. Fã incondicional de Drogba e Hazard. #GoBlues