Ivanovic ficou e deveria voltar a ser opção para a zaga; há opções para a lateral

Durante essa semana, a mais bombástica notícia relacionada ao Chelsea foi a renovação do contrato de Branislav Ivanovic, até o final da temporada 2016-2017. Considerado um dos grandes ídolos dos últimos anos e uma das referências de experiência do atual elenco, o defensor seguirá vestindo azul, mesmo diante de sua má fase nesta temporada.

Para muitos, inclusive para este que escreve, a hora é de mudanças na lateral direita dos Blues, mas, contrariamente a uma massa que achou absurda a extensão contratual do sérvio, vejo com bons olhos a permanência de Ivanovic no elenco, vislumbrando, no entanto, um novo-velho papel para o atleta.

A principal deficiência percebida no atual desempenho de Ivanovic com a camisa do Chelsea é sua dificuldade para recuperar-se quando vai ao ataque, sofrendo enormemente com bolas em suas costas. Praticamente todos os treinadores que enfrentam o clube londrino, ao armarem seus esquemas para o confronto contra os Blues colocam um atleta veloz e habilidoso pelo lado de Iva, pois sabem que ali reside uma das principais deficiências do Chelsea na temporada.

No entanto, como se comportaria o sérvio se não tivesse mais que se expor aos “buracos” deixados em razão de seus avanços ao ataque? Por que não é considerado o seu retorno ao miolo de zaga, onde estaria menos exposto, não se desgastaria tanto fisicamente e ainda poderia voltar a mostrar suas ótimas qualidades defensivas? Além disso, o jogador tem técnica superior a de Gary Cahill e, sem sombra de dúvidas, seria mais útil do que contratações atrapalhadas como Papy Djilobodji, que deu adeus sem dizer olá.

Se não receber oportunidades, Aina deixará o Chelsea
Se não receber oportunidades, Aina deixará o Chelsea

Quanto à lateral direita, há opções no mercado para ocupá-la, mas, mais do que isso, há garotos com vínculo contratual com o Chelsea pedindo passagem. Ola Aina, por exemplo, está em fim de contrato, praticamente com os pés fora de Stamford Bridge e os clubes especulados como possíveis destinos não são pequenos. Enquanto isso, o torcedor dos Blues segue sem poder vê-lo atuar e teme pela possibilidade de acompanhá-lo em alto nível, em outra equipe, todavia.

Ademais, se a proposta do Chelsea busca jogadores com perfil semelhante ao de Ivanovic, figuras mais ligadas às tarefas defensivas, há também outras opções com contrato vigente com os Blues e que vêm tendo destaque.

No Borussia Mönchengladbach, Andreas Christensen, melhor jogador jovem dinamarquês de 2015, vem comendo a bola no miolo de zaga, mas já atuou muitas vezes na lateral direita e como volante; no Middlesbrough, Tomás Kalas vem atuando com frequência e é sempre lembrado por uma exibição especial com a camisa dos Blues em um clássico contra o Liverpool em 2014; e há ainda uma outra possibilidade que é trazer César Azpilicueta de volta a sua posição original e usar Nathan Aké pelo lado esquerdo. O versátil holandês faz uma Premier League extremamente sólida na lateral esquerda de um surpreendente Watford.

Se retornar, Aké pode devolver Azpilicueta a sua função original (Foto: Chelsea FC)
Se retornar, Aké pode devolver Azpilicueta a sua função original (Foto: Chelsea FC)

Com um grande leque de possibilidades já vinculadas ao Chelsea para a lateral direita, não há razão para não considerar o retorno de Ivanovic ao miolo de zaga. A posição não lhe é estranha e pode garantir-lhe mais anos de futebol em alto nível. Além disso, há garotos pedindo passagem e mostrando boas credenciais.

Tanto quanto insistir com Ivanovic em uma função que não vem exercendo bem e que vem chamuscando sua fantástica história com a camisa azul de Londres, não usar os jovens pertencentes ao time e patrimônio do mesmo, é burrice.

As palavras contidas nessa reportagem condizem à opinião do autor, não tendo qualquer relação com o Chelsea Brasil

Category: Opinião

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Article by: Wladimir de Castro Rodrigues Dias

Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho), 24 anos. A preferência é o futebol bretão, mas me interesso pelo esférico rolado em qualquer terra. Desde a infância, tenho no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; o melhor jogador que vi jogar foi o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também no O Futebólogo, no Doentes por Futebol e na Corner.