Colunas: É ultrapassado usar dois volantes de marcação, mas Hiddink está certo

Matic e Mikel têm atuado muitos minutos juntos (Foto: Clive Mason/Getty Images Europe)
Matic e Mikel têm atuado muitos minutos juntos (Foto: Clive Mason/Getty Images Europe)

Em um passado não tão distante, era praxe que treinadores mundo afora escalassem suas equipes com dois volantes mais voltados à marcação e com pouca liberdade e qualidade para avançarem no terreno. Em alguma época, chegou-se a conviver até mesmo com uma tríade de volantes em que apenas um possuía maior liberdade no campo. No entanto, recentemente essa ideia vem sendo abolida e apenas um volante de pegada tem sido visto na maioria das equipes. Até pouco tempo, no Chelsea este papel era de Nemanja Matic.

Como todos sabem, Matic foi brilhante entre sua chegada e o final da temporada 2014-2015. Igualmente, nesta primeira metade da campanha 2015-2016, o sérvio é um dos piores jogadores do time. Alguns fatores podem explicar esse fato, mas o que se questiona verdadeiramente é que Guus Hiddink voltou a dar espaço a John Obi Mikel no time do Chelsea. E mais: ao lado de Matic. O que muitos têm apontado como um movimento equivocado e retrógrado (o que de fato é), a meu ver é um acerto e não um erro.

Embora seja indiscutível que o futebol de alto nível atual não comporta mais a existência de equipes com dois volantes de marcação, o Chelsea vinha mostrando impressionante deficiência, fragilidade e inconsistência defensiva, o que, com os erros, acabou minando a confiança de grande parte do elenco – inclusive de Matic. Com a entrada de outro jogador de contenção na vaga do (teoricamente) criativo Cesc Fàbregas, o clube joga mais feio, perde brilho, mas ganha segurança. Mikel atuou em boa parte dos últimos três jogos e o Chelsea não perdeu nos referidos.

Por mais que os resultados ainda não sejam vitoriosos, é fundamental parar de perder. Isso ajuda na recuperação da confiança e não acredito que seja uma tendência a longo prazo. Reforçando o que foi dito no parágrafo anterior, o futebol de alto nível não comporta mais a existência de equipes com dois volantes de marcação – mas o Chelsea não vem jogando um futebol de alto nível.

Hiddink pode ser muitas coisas, mas bobo ou burro não são adjetivos que o descrevem com precisão. Reconhecer que o time precisa se reconstruir com uma fundação mais sólida é uma das provas disso. Penso que ninguém quer ver o clube londrino jogar com dois volantes, mas como uma etapa de restauração, em minha opinião, essa é uma escolha válida e que se justifica.

Atacar o treinador por isso é bobagem. E outra: quem está chamando Matic de perna de pau precisa rever a temporada 2014-2015. Concordo que o momento pede a sua saída do time titular, o que não quer dizer que o jogador seja ruim ou inútil, muito pelo contrário. É preciso lembrar também, que o sérvio vem sendo titular absoluto desde que chegou, sem folga ou lesões e com pouquíssimas suspensões. É difícil aguentar um ritmo tão intenso em alto nível, sobretudo quando o restante do time vêm mal.

Parar de perder é um movimento crucial para as pretensões dos Blues e se com dois volantes isso tem sido possível, eu estou de acordo com Hiddink.

As palavras contidas nessa reportagem condizem à opinião do autor, não tendo qualquer relação com o Chelsea Brasil

Category: Opinião

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Article by: Wladimir de Castro Rodrigues Dias

Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho), 24 anos. A preferência é o futebol bretão, mas me interesso pelo esférico rolado em qualquer terra. Desde a infância, tenho no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; o melhor jogador que vi jogar foi o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também no O Futebólogo, no Doentes por Futebol e na Corner.