Especial: A tênue linha do tempo de José Mourinho na temporada 2015/2016

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Temporada termina mais cedo para Mourinho (Foto: Carlos Costa/NurPhoto/Corbis)

A temporada seguinte ao quinto título inglês da história do Chelsea tinha tudo para trazer mais conquistas aos azuis de Londres, mas tudo foi por água abaixo. O sonho virou pesadelo e Mourinho caiu pela segunda vez. O motivo real pela queda vertiginosa das atuações do time ainda não é claro. A imprensa inglesa especula que o clima entre jogadores e técnico não era dos melhores. E de fato não poderia ser. As declarações bombásticas e as atitudes impensáveis, custaram o cargo do treinador português. Não se sabe quem irá assumir o clube até o final da temporada, mas a certeza que se tem é que muito trabalho precisará ser feito.

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Na campanha do título, o Chelsea fez um final de temporada bem aquém das expectativas e apesar de sobrar na Premier League, problemas já eram identificados. Para 2015/2016, vários fatores extracampo fizeram parte da rotina de José, dos jogadores e do clube. Só que tudo isso se iniciou logo após a conquista de mais uma liga.

24 de maio de 2015 – Campeones, ole ole ole!

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John Terry ergue a taça em Stamford Bridge (Foto: BPI)

Pela 38ª rodada da Premier League, o Chelsea recebeu o Sunderland e apesar de sair atrás no placar, os blues saíram em busca dos três pontos para coroar o jogo onde a taça seria levantada. Campanha irretocável. Foram 26 vitórias, 9 empates e apenas três derrotas. O ataque liderado por Diego Costa chegou a marca de 73 gols, enquanto a defesa do renascido Capitão, Líder e Lenda, Terry, levou 32 tentos.

30 de maio e 2 de junho de 2015 – Amistosos contra as Estrelas da Tailândia e Sidney

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Temporada termina com duas vitórias em dois amistosos (Foto: Mark Kolbe/Getty Images)

Se depois do título Mourinho e companhia pensaram que já poderiam entrar de férias, estavam enganados. Afim de expor a marca do clube e angariar mais torcedores, o Chelsea decidiu realizar mais dois amistosos: primeiro contra uma seleção do campeonato tailandês e depois contra os australianos do Sidney. Dinheiro no bolso e vitórias magras por 1 a 0 nos dois confrontos. Finalmente acabavam os compromissos da temporada.

16 de junho de 2015 – Início da pré-temporada

(Foto: AFP)
Pré-temporada: Dois empates e duas derrotas (Foto: AFP)

Uma semana depois de seus principais rivais, o Chelsea então começou os preparativos para 2015/2016. Ao contrário do que se podia imaginar, o clube não gastou milhares de libras para se reforçar, fez apenas contratações pontuais. Trouxe Begovic para o lugar de Cech, Falcao para o lugar de Drogba e Pedro para suprir a saída de Cuadrado. Chegaram ainda Kenedy, Nathan, que logo seria emprestado e Djilobodji, que ninguém ainda viu jogar. Foram quatros jogos de pré-temporada e um desempenho muito ruim: Derrotas para o New York Red Bulls e Fiorentina e empates contra PSG e Barcelona, além de perder a Supercopa para o rival Arsenal. Este jogo marcou a primeira vitória de Wenger contra Mourinho. Apesar de tudo estar dando errado, para o português não havia necessidade de se entrar em pânico, já que para ele, este período de preparação não pode ser usado como parâmetro para o início da temporada.

8 de agosto de 2015 – Expulsão de Courtois, empate contra o Swansea e bate boca de Mourinho com seu departamento médico

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Momento polêmico que abalou os corredores de Stamford Bridge (Foto: Ian Kington/AFP/Getty Images)

Iniciava-se a Premier League e os comandados do técnico português enfrentavam a boa equipe do Swansea. Apesar de ficar duas vezes atrás do placar, os visitantes conseguiram empatar após pênalti marcado e expulsão do goleiro belga. Se a estreia com empate em casa já era frustrante, o pior ainda estava por vir. No fim do jogo, Hazard ficou caído em campo, então os médicos prontamente correram para atender o jogador. Para Mourinho isso foi um gesto totalmente desnecessário, já que para ele, o camisa 10 estava só cansado. O que se viu em Stamford Bridge foi uma calorosa discussão entre o português e a Dra. Eva Carneiro. Pior para ela: foi afastada de suas atividades no clube.

16 de agosto de 2015 – Derrota no Etihad Stadium e saída do então jogador que tinha disputado todos os minutos do campeonato anterior.

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Jogadores blues disputam lance com atacante adversário (Foto: Getty Images)

A segunda rodada marcava o encontro do campeão contra o vice da temporada 2014/2015. O que se viu em campo foi um Chelsea perdido e sem forças para duelar contra o forte Manchester City. O que mais chamava a atenção no lado azul de Londres era a não presença de Eva Carneiro no banco. Se John Terry tinha jogado todos os segundos da campanha do título, desta vez nem dois jogos completo ele conseguiu, já que foi substituído no intervalo. Resultado final: City 3 Chelsea 0.

29 de agosto de 2015 – Contra o Crystal Palace em casa, mais uma derrota

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Fàbregas (C) lamenta gol sofrido (Foto: Getty Images)

Depois de finalmente ganhar seu primeiro jogo contra o West Bromwich, apesar da expulsão de Terry, o Chelsea ia enfrentar um remodelado Crystal Palace em Stamford Bridge. Se o que ficou na memória blue foi o jogo da conquista do título contra os Eagles, desta vez o panorama foi outro. Depois de sair atrás no placar e alcançar o empate em cabeçada de Falcao, o Chelsea logo em seguida sofreria o tento fatal dos adversários. Festa, mas para os visitantes.

22 de setembro – Eva se desliga do clube e abre processo contra Mourinho e Chelsea

Eva Carneiro deixou os torcedores do Chelsea com saudade (Foto: : Matthew Ashton/AMA/Corbis)
Eva Carneiro deixou os torcedores do Chelsea com saudade (Foto: : Matthew Ashton/AMA/Corbis)

Após ter sido afastada de seu trabalho por José Mourinho, Eva Carneiro pediu demissão do Chelsea assim que foi chamada para retornar às suas atividades. Selada sua saída, a médica ainda abriu processos contra o português e também contra o clube. Tempos nebulosos pairavam em Stamford Bridge.

03 de outubro de 2015 – Derrota e Derrota

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Momento do empate do Southampton (Foto: EPA)

Depois de perder para o Porto pela Champions League por 2 a 1, o Chelsea ia enfrentar o Southampton em casa. Tudo estava preparado para o esquadrão azul retornar ao caminho das vitórias após golaço de falta de Willian ainda no começo do jogo. Os Saints empataram a partida ainda no primeiro tempo e fizeram mais dois gols na esfolada defesa londrina na segunda etapa. Virada, derrota e mais um vexame em uma temporada que ainda estava em seu início.

31 de outubro de 2015 – Literalmente foi um dia das bruxas

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Enquanto jogadores do Liverpool comemoram, jogadores do Chelsea lamentam (Foto: AFP/Getty Images)

Mourinho já havia criado muita polêmica ao deixar Eden Hazard no banco durante jogo que o Chelsea venceu o Aston Villa por 2 a 0. O time passaria ainda mais três jogos sem vencer: empate contra o Dynamo de Kiev por 0 a 0, derrota em clássico contra o West Ham (2 a 1) e empate e eliminação nos pênaltis em jogo pela Copa da Liga contra o Stoke City. Se o momento já era péssimo, viria a piorar. Recebendo o Liverpool de Klopp no dia das bruxas, o Chelsea abriu o placar com Ramires. Parecia que o time finalmente ia engrenar. Só parecia. Coutinho brilhou, empatou e virou o jogo para os Reds. Nova derrota e um significativo 3 a 1 para o Liverpool e para Jurgen Klopp, que venceu sua primeira partida.

29 de novembro de 2015 – Punição atrás de punição, empate contra o Tottenham e colete da discórdia

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Banco de reservas do Chelsea no jogo contra o Tottenham (Foto: Getty Images)

Mourinho já havia sido multado por conta de suas declarações e por invadir o vestiário do árbitro durante o intervalo na derrota para o West Ham. Foi banido também por um jogo que cumprira em derrota contra o Stoke City. Depois de colocar Hazard no banco, para o confronto contra o Tottenham em White Hart Lane, o técnico optou por uma formação diferente e jogou sem um centroavante. Diego Costa foi parar no banco. O jogo se encaminhava para o empate, Mourinho realizou suas três alterações e não fez uso do hispano-brasileiro no jogo. Resultado: insatisfação total do jogador que tirou seu colete e o arremessou contra seu comandante. Para José, isso não seria motivo de problema. O português, ainda em declaração à imprensa, afirmou que não se surpreenderia se o Chelsea passasse os próximos 10 jogos sem perder. Errou na previsão.

05 de dezembro de 2015 –  A previsão não dura e o Chelsea agoniza

(Foto: Reuters)
Surpresa em Stamford Bridge: Chelsea 0 Bournemouth 1 (Foto: Reuters)

Mourinho havia dito que o Chelsea poderia passar 10 jogos sem perder. No primeiro jogo depois de tal afirmação, os azuis receberiam o Bournemouth, time recém promovido à primeira divisão e que estava há oito jogos sem ganhar. Imaginava-se que os três pontos viriam de modo fácil, mas o que se viu em Stamford Bridge foi um time visitante bem organizado e que explorava os inúmeros erros dos mandantes. Aproveitando do desespero do selecionado de José, o Bournemouth não só neutralizou o Chelsea, como alcançou o gol da vitória. Nova derrota. De novo em casa. Contra um time muito inferior. Este era o Chelsea de Mourinho.

14 de dezembro de 2015 – A traição e o último ato

(Foto: Getty Images)
Vardy sela destino final de Mourinho no Chelsea (Foto: Getty Images)

Pela 16ª rodada da Premier League, o Chelsea ia visitar o Leicester City, time comandado agora pelo ex-blue Claudio Ranieri. A vitória aos Foxes garantiria o retorno à ponta da tabela e os mandantes não decepcionaram um lotado King Power Stadium. Vitória, gol do artilheiro Vardy, primeiro lugar no campeonato e mais um golpe num aterrorizado Chelsea. Essa já era a nona derrota do esquadrão de Mourinho no campeonato. O time campeão passou a ser um saco de pancadas. Após o revés, o técnico português lamentava ter tido seu trabalho durante a semana traído. Bomba no vestiário azul. Como as coisas iam ficar depois de uma declaração dessa? Não houve um próximo jogo para descobrirmos.

17 de dezembro de 2015 – Sai Mourinho. Permanece o legado

Mourinho deixa um forte legado no Chelsea (Foto: Dylan Martinez/Reuters)
Mourinho deixa um forte legado no Chelsea (Foto: Dylan Martinez/Reuters)

Derrotas e mais derrotas. Declarações polêmicas. Atitudes desnecessárias. Acordo. Assim termina a segunda passagem de Mourinho pelo Chelsea. Vieram as taças da Premier League e da Capital One Cup, mas o sentimento de todos é de frustração. Talvez nem o mais pessimista torcedor imaginasse que o retorno do Special One fosse acabar deste jeito. A partir de agora serão rumos diferentes para os dois, mas os laços amorosos vão permanecer intactos. José pertence ao Chelsea e o Chelsea pertence ao Especial. Apesar de uma temporada desastrosa, ele será sempre lembrado pelos títulos, pelas vitórias e pelo amor para com o Chelsea. Certamente ainda ouviremos aquele grito de José Mourinho nas arquibancadas.

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Article by: Murilo César