Captain, My Captain

 

Escrito por Lúcio Ribeiro ao jornal Folha de São Paulo, no dia 7 de fevereiro de 2012.

De passagem pelo Reino Unido, eu ia escrever sobre o quanto fiquei impressionado com Glasgow Rangers x Dundee United pela Copa da Escócia, que vi anteontem no estádio e foi jogado (assistido!) em temperatura abaixo de zero. Ia ainda comparar o “match” escocês, do país tão tradicional quanto inexpressivo no futebol, com o clássico paulista do domingo (Corinthians x São Paulo), disputado numa temperatura muito superior a zero no país pentacampeão, porém sem a mesma acuidade tática e técnica. Juro.

Mas uma notícia de sábado na Inglaterra me fez mudar o roteiro da coluna: John Terry, o craque defensivo do Chelsea, perdeu o posto de capitão da seleção inglesa. Perceba a dimensão disso: a faixa foi tirada de Terry pela “CBF deles” porque ele teria feito insultos raciais a um jogador do Queens Park Rangers. Terry nega. Será julgado em julho. Mas o caso já o fez perder a braçadeira.

E não é que o jogador, que fora de campo tem uma vida errática e dentro é um herói nacional, perdeu uma perna, ou morreu, ou se aposentou. Ele “só” vai perder a “Captaincy”. A Inglaterra parou por causa disso. Foi uma das principais manchetes dos grandes jornais. Sábado à noite, na BBC, eu queria ver os gols da rodada, mas tive que aguentar três blocos da discussão a cerca da faixa arrancada de Terry.

Jogadores chiaram. Fábio Capello que treina o English Team, quer que os cartolas voltem atrás. No Chelsea, fizeram questão de dizer que lá sua braçadeira está mantida. Falam até que Terry não joga mais pela seleção sem sua faixa. Mais: que isso vai prejudicar sua carreira, emocionalmente. Claro, tudo isso me faz pensar como é o tratamento que o Brasil e os times brasileiros dão à figura do capitão. Tirando para levantar a taça na conquista da Copa, o cara ou coroa para ver quem sai com a bola e a “reclamadinha a mais” com o juiz, qual é o valor que damos para o capitão? Você lembra que a braçadeira de capitão estava com Thiago Silva no último jogo da seleção? Representante de técnico na seleção, pois sim. No São Paulo, o capitão Rogério Ceni costuma mandar mais que o técnico. Ronaldinho chegou ao Flamengo, tomou a braçadeira para si e “derrubou” o treinador.

No Palmeiras, há pouco tempo chegaram a dar a braçadeira para o Kleber, para “amansar a fera”. Em um Corinthians recente, Chicão era capitão do time, no outro foi para a reserva.

Quando treinava o Chelsea, Scolari disse que, para John Terry, morrer em campo seria sua glória máxima, tamanha a responsabilidade que ele assumia quando defendia seu time. Sobre essa história toda, você que acha os ingleses são exagerados ou nós que não damos a devida importância.

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