Reflexão e aprendizado em Old Trafford

O cenário para o primeiro jogo oficial de Frank Lampard era um dos piores a se imaginar. Estreia fora de casa contra um rival forte e determinado a abafar as críticas da última temporada.

O descontrole emocional de todo o sistema defensivo pesou neste primeiro revés. A derrota transformou-se em goleada em poucos minutos. Mesmo assim, o 4 a 0 aplicado pelo United não condiz com o que foi visto nos primeiros 90 minutos do Chelsea na Premier League.

“O nosso segundo tempo foi sensacional. Defendemos muito bem e o nosso contra-ataque foi muito eficaz. É verdade que na primeira parte tivemos alguma sorte em ir para o intervalo vencendo por 1-0,” admitiu Solskjaer.

A frase do treinador dos Diabos Vermelhos diz muito sobre como foi o jogo. O Chelsea se comportou muito bem durante trechos do jogo. Não foi eficiente quando deveria e pagou caro pela falta de concentração e pontaria.

Muitos erros defensivos, muitos gols

As dúvidas sobre o comportamento da defesa sem David Luiz se confirmaram. Os mandantes contra-atacaram com enorme facilidade. Devido ao maior número de falhas, Zouma foi o bode expiatório da torcida. A pressão foi demais para o francês, que se perdeu durante o jogo e foi o pior em campo.

O francês cometeu a penalidade em Rashford (Reprodução: Squawka Football)

Azpilicueta foi outro que despontou pela performance negativa. O espanhol estava mal posicionado nos lances capitais da partida. Além disso, não exerceu o papel de líder e motivador dentro de campo.

A prioridade agora é arrumar a linha de defesa, principalmente a parte mental dos jogadores. Sem David Luiz, a equipe parece carregar o descontrole emocional visto na pré-temporada, quando sofria gols e cedia a pressão do adversário. Os piores momentos do Chelsea no jogo vieram após o gol de Rashford no primeiro tempo e Martial no segundo.

Pontaria e amadurecimento da equipe

Nenhum time acertou mais vezes a trave na temporada passada como o Chelsea (21 vezes). Nesta abertura de Premier League, os Blues carimbaram o poste de De Gea duas vezes, o número mais alto da rodada.

A equipe segue com um problema na conclusão das jogadas. O time cria diversas chances e chega bem ao ataque, mas continua desperdiçando as claras oportunidades de gol (foram 18 chutes, sendo sete na direção do goleiro espanhol.)

Emerson foi bem no ataque e chegou perto de marcar em De Gea (Reprodução: Chelsea FC)

Outro ponto a ser trabalhado é a confiança nos jovens atletas. Pelo ótimo começo nos amistosos e por ter trabalhado com Lampard no Derby County, Mason Mount ganhou a vaga de Pulisic no lado esquerdo. Gostaria de ver Pulisic como titular, mas Mount mostrou personalidade e fez uma partida sólida.

Mesmo com dois chutes no alvo, quatro passes-chave e um aproveitamento de 81% nos passes, ele e outros jovens fizeram uma partida razoável, mesmo assim, foram criticados por José Mourinho, que comentava o jogo na SkySports:

“Você observa a atuação de Mason Mount, Tammy Abraham e até Andres Christensen, em partidas dessa dimensão, você precisa de mais.” O português ponderou ainda a ausência de Kanté entre os titulares e Willian fora dos relacionados.

Perplexo pelo análise de Mourinho, Lampard foi breve em sua resposta: “Ele não gostou da performance de Mount? Foi isso o que ele disse? Wow…”

Além disso, o técnico comentou sobre a situação médica dos jogadores citados: ” Bem, eu não posso arrastar os jogadores para fora da sala médica para jogar se eles são experientes ou não, então esses foram os jogadores que entraram em campo em um jogo que nós éramos melhores por 45-60 minutos.”

Mount foi um ponto positivo na goleada sofrida (Reprodução: Chelsea FC)

É muito fácil criticar quando resultados como esse ocorre, principalmente contra rivais. Como Lampard disse, foi um choque de realidade. Todavia, transformar isso em um prognóstico para o futuro é abraçar o desespero e abandonar a fé em nosso ídolo.

As palavras neste texto condizem com a opinião do autor, não tendo qualquer relação com o Chelsea Brasil

Rafael Marson

Jornalista em formação pela Faculdade Cásper Líbero. Sem o futebol, não há motivos para viver. Fã incondicional de Drogba e Hazard. #GoBlues