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Opinião: Não olha agora, mas falta um armador no Chelsea!

Desde a temporada passada, quando o Chelsea fez uma péssima campanha em praticamente todas as competições, muito se questionou sobre reforços para que o clube pudesse voltar a disputar títulos e iniciar um novo ciclo. Como 2015/2016 foi um desastre desde seu início, ainda sob o comando de José Mourinho, a “silly season” começou bem mais cedo que o usual. Já há vários meses se discute quais setores devem ser reforçados e que nomes se encaixariam melhor na batuta de Antonio Conte!

Muitos falaram sobre zagueiros, volantes, laterais, atacantes, mas pouco foi discutido sobre o setor de armação da equipe, e, para mim, este é um ponto interessante a ser debatido sobre a construção de um elenco competitivo e homogêneo, pois é um setor ainda carente no elenco azul. Nós passamos de um elenco que tinha Oscar, Willian, Juan Mata e Kevin de Bruyne para um que depende apenas dos dois primeiros e que em alguns momentos conta com um improvisado Fàbregas no setor. Há três temporadas, tínhamos um dos meios de campo mais fortes e promissores da Europa, ainda com a adição de Hazard e Schürrle, que compunham o setor pelos flancos. Contudo, a (má) gestão de elenco de José Mourinho fez com que este setor passasse de abundante para escasso em um curto espaço de tempo, bem como os outros do campo também: terminamos a temporada passada com um elenco muito limitado em nomes e em qualidade, exatamente pela crença pragmática de Mourinho em confiar em um número menor de jogadores.

E como as limitações se espalham por todo o campo e ataque e zaga são sempre mais visados por terem impactos diretos nos resultados, o assunto “armação” acabou ficando em segundo plano, apesar de uma ou outra especulação isolada quanto à James Rodriguez ou Isco.

Entretanto, uma entrevista do ex atacante da Seleção Inglesa e agora comentarista Stan Collymore, dada ao London Evening Standard nos traz uma opinião interessante sobre esta função no jogo. E o ex-atacante, que defendeu Liverpool, Aston Villa, Nottingham Forest, Leicester e outros clubes na década de 90, e chegou a ser a maior transferência da história da Inglaterra, sabe da importância de se ter um “playmaker”, um camisa 10 de qualidade, para fornecer aos atacantes boas jogadas. E a fala de Collymore é bastante lúcida:

“Na evolução do elenco do Chelsea, Nemanja Matic e Kanté são ‘os caras’ à frente da defesa e Conte agora vai precisar de um camisa 10 regular e extraordinariamente criativo, que pode tirar o melhor proveito de um atacante, seja ele Diego Costa ou outro que esteja ali.

E eu simplesmente não consigo ver Fàbregas como um grande camisa 10. Ele é bom em várias funções mas não é mestre em nenhuma delas. Ele não está no mesmo nível que, por exemplo, Mesut Ozil, que pode fazer muito mais do que ele em termos de criação.

O que os Blues precisam é de um armador de verdade, de alguém que seja capaz de controlar o jogo, de romper as linhas com agressividade, com ritmo. Fàbregas e Oscar conseguem isso por quatro ou cinco jogos, mas não em toda a temporada.

Então o que o Chelsea precisa é de alguém que vai dominar os jogos, um Kevin De Bruyne, um Henrikh Mkhitaryan, de mais dinamismo, mais intensidade, mais juventude. Fàbregas e Oscar não oferecem isso e, embora possam ter um papel de curto prazo ou em outra função, não estou convencido de que eles possam ser os armadores certos para essa temporada.

E enquanto eu tenho certeza Ozil não vá sair do Arsenal tão cedo, se eu fosse Conte, eu ia colocar 70 milhões de libras na mesa por ele, só pra ver o que acontece…

Se Conte conseguir assinar um camisa 10 de respeito, então você estaria olhando para um Chelsea completamente diferente em termos de ataque.”

Apesar da absurda sugestão de uma investida por Ozil, as palavras de Collymore são bastante razoáveis e dizem muito sobre o estado da arte do atual meio de campo azul. Oscar e Fàbregas são bons jogadores, e até causam impactos diretos em alguns momentos, principalmente o espanhol, mas ambos são inconstantes e não conseguem uma regularidade que é necessária para um setor de criação de um time que disputa grandes troféus e luta contra grandes elencos.

E neste sentido, nossos rivais todos estão à nossa frente, seja em termos de qualidade ou de consistência. Liverpool tem Phillipe Coutinho; Arsenal tem Ozil; O United tem Mkhitaryan (e Rooney); o City tem David Silva e Kevin de Bruyne. E o Chelsea? Tem jogadores talentosos mas que não conseguem estar a altura destes nomes, principalmente por somem em vários momentos.

Oscar e Cesc não são os "10" que queremos. São? (Foto: Getty Images)
Oscar e Cesc não são os “10” que queremos. São? (Foto: Getty Images)

Nós até temos talentos como Willian e Hazard, mas que rendem muito melhor pelos lados e quando puxados para uma posição central na criação não conseguiram estar a altura de si próprios em atuações nas pontas. E os dois, e mesmo Oscar e Cesc, poderiam render mais na companhia de um armador mais cerebral. O espanhol poderia jogar em sua posição natural, mais recuado, e Oscar seria um complemento perfeito por ser um meio campista mais tático, função em que rende muito bem (eu sei que vocês farão críticas aqui porque é consenso criticar Oscar por existir, mas o brasileiro é sim muito útil se bem aproveitado).

O mercado tem estado super inflacionado e Antonio Conte já descreveu o atual cenário de transações como “louco”, além de que não temos tido especulações o suficiente para acreditarmos que o Chelsea possa ir atrás de um camisa 10 a altura de nossas expectativas, mas ainda temos quase 20 dias de mercado, então é esperar. Caso não venha um jogador para essa posição, é esperar também, esperar que sob o comando de Conte nossos meio campistas possam ter um desenvolvimento melhor do que na temporada passada, ou que o italiano consiga armar um esquema tático que dependa menos de um homem central de criação. O 4-2-4 e até mesmo o 4-3-3 que ele tem utilizado têm essa característica, mas ter um armador de alto nível no elenco faria este elenco dar um passo a mais.

As palavras neste texto condizem com a opinião do autor, não tendo qualquer relação com o Chelsea Brasil.

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Category: Opinião

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