No quesito impacto da ‘desgraça’, Chelsea virou o Real Madrid n° 2 da temporada

Todo mundo que gosta de futebol certamente já ouviu que esse é um esporte tão apaixonante quanto traiçoeiro. O melhor exemplo para falar disso, no momento, provavelmente seja o torcedor do Real Madrid. O atual bicampeão da Champions, que, de uma hora pra outra, caiu num inferno tamanho a ponto de ser apenas o quarto colocado da principal competição nacional, 19 pontos atrás do líder e com a vaga na próxima Liga dos Campeões incrivelmente ameaçada. Pois bem. O Chelsea é a versão número dois do Real Madrid na temporada 2017/18. “Conseguiu” alcançar este degrau em uma semana (ou duas partidas).

Não está aqui uma tentativa de associar um clube ao outro por razões históricas, investimentos ou elencos. A questão é a semelhança do absurdo que cada um deles vive hoje. Perder de 3 a 0 para o Bournemouth (em casa, o que agrava “duzentas” vezes a situação) e de 4 a 1 para o Watford é tão vexatório quanto estar em quarto lugar numa liga de duas equipes, que volta e meia aparece um Atlético de Madrid para ser a terceira força e até incomodar mais acima na tabela, e só.

Além da posição pífia na classificação geral de La Liga, os comandados de Zidane também tiveram suas derrotas impactantes: Girona, Real Betis, Villarreal… (sendo os dois últimos citados no Bernabéu, até porque fora não seria tão pesado assim, nestes casos contra o alviverde e o submarino amarelo). A diferença é que nenhuma delas foi de placares elásticos.

Para quem é do Rio de Janeiro e/ou torce para o Botafogo, a semelhança envolvendo os Blues, em certo ponto, pode incluir o time da estrela solitária também. É óbvio que a Aparecidense – time que eliminou o Alvinegro Carioca na Copa do Brasil nesta terça-feira (6) – não deve ser comparada a Bournemouth e Watford, já que estes são clubes da Primeira Divisão inglesa e a zebra brasileira disputa atualmente a Série D do país. Mas, volto a repetir: a questão é o absurdo. O impacto. E a diferença de gols nos reveses mencionados do Chelsea é que berra neste paralelo. O saldo, quando se fala em “desgraça”, é sim importante. Ou aqueles famosos 7 a 1 de 2014 seriam falados da mesma maneira hoje se fossem apenas 2 a 0? No caso do Bota, a discrepância fica mesmo é na técnica e tradição entre os oponentes da partida.

É verdade que o nosso “azulão” – considerando os diferentes níveis de cada liga – não faz uma temporada tão frustrante quanto o Real Madrid. Trata-se até de uma campanha normal, só não é de time campeão e está a quilômetros do desempenho do líder/futuro campeão Manchester City. Porém, sem querer ser chato… A questão é o absurdo/impacto da pancada.

Mas ainda há tempo para chegar ao fundo do poço, onde já se encontra o clube da capital espanhola. Restam 12 rodadas para o fim da Premier League e a vaga do azul de Londres na Champions 2018/19 está ameaçadíssima (claro que dentro de uma concorrência muito maior). E o curioso é que, pouco tempo atrás, parecia que Manchester United e o próprio Chelsea seguiriam tranquilos, abaixo do City, deixando os outros postulantes numa briga específica pelo último lugar no grande torneio continental.

O futebol, entretanto, é tão louco, como disse lá no início, que uma trajetória bonita na Liga dos Campeões – que retorna no próximo meio de semana – pode modificar todo o cenário de agora. Ou alguém duvida que a camisa do Real Madrid – envergadora de varal que é – somada ao trio BBC e Cia. é capaz de colocar o poderoso (porém sedento de títulos internacionais) PSG no bolso? E aí está mais uma “pequena” diferença dentro da grande coincidência. O elenco do Chelsea e a tradição do seu oponente nestas oitavas de finais não inspiram a mesma confiança ao torcedor blue.

Se Zidane peca por não querer contratar e negar a crise a cada dia, Conte vacila ao não buscar a harmonia do seu “plantel”. Não é preciso exemplificar as diversas situações em que treinador e jogadores falaram línguas diferentes em Stamford Bridge em 2017/18.

O Leão Londrino vai ter ainda uma semana a mais de preparação para o seu duelo com o inimigo continental particular. O confronto contra o Barcelona começa a ser jogado apenas no dia 20 deste mês. Até lá muita coisa terá de mudar. Como não é possível mais melhorar o elenco, a mudança vai precisar ser mesmo na postura de quem é treinado e de quem treina. Só dessa forma a distância entre os adversários poderá ser reduzida e, quem sabe, com muito (mas muito) esforço, revertida. Oremos, desde já, (de joelhos) enquanto essa data não chega!

As palavras neste texto condizem com a opinião do autor, não tendo qualquer relação com o Chelsea Brasil.

Patrick Monteiro