No dia da Independência, Willian recomeça na Seleção subordinado ao tempo e ao próprio desempenho

O primeiro passo da Seleção Brasileira rumo ao novo sonho de conquistar o hexa será dado nesta sexta-feira (7), às 21h05 (de Brasília), em Nova Jersey, nos Estados Unidos, contra a equipe local. Diante do cenário de indefinições – normal para um recomeço de trabalho -, há duas certezas. A primeira é que todos vão torcer: uns o nariz, e outros pelo próprio time canarinho. A segunda acompanha o que foi visto já no último Mundial: apenas um jogador do Chelsea integra o elenco do técnico Tite.

Remanescente da Copa de 2014, Willian – que, assim como quase 100% daquele grupo, não foi bem no torneio -, recebeu outra chance e acabou embarcando para a disputa na Rússia. Novamente, o esperado futebol do camisa 22 dos Blues não brotou e a frustração marcou sua participação em solo europeu, principalmente por ele ter apresentado boas partidas na reta final da temporada com a camisa azul londrina.

O curioso é que, mesmo após duas “decepções” (com aspas para alguns e sem para outros, dependendo da proporção medida pelo torcedor), Willian segue fazendo parte dos convocados do time verde e amarelo. Mais intrigante ainda é que se trata de um jogador que chegará ao Catar com 34 anos, pois o próximo Mundial acontecerá entre novembro e dezembro, depois do aniversário do atleta nascido em agosto.

É bem verdade, entretanto, que não são apenas pontos negativos que rodeiam a trajetória do meia-atacante pela Seleção. Entre Eliminatórias e amistosos, ele acumulou alguns destaques em campo pelo Brasil. O problema é que justamente na hora dos sete passos para faturar a Copa foi que o futebol falhou. Dele, da equipe como um todo e da própria comissão técnica.

Além das lembranças positivas de períodos pré-Mundiais, convocar Willian pode ser componente de uma estratégia comum aos treinadores de seleções: fazer a transição de uma geração para a outra com cautela e usando a experiência de alguns atletas até metade do caminho para o Mundial.

Em suma, há argumentos tanto para quem concorda com a presença de Willian nessa retomada visando 2022, quanto para os que reprovam a ideia. Nem mesmo dá para cravar que ele vai ser ausência no torneio que ocorrerá daqui a quatro anos. Este é um questionamento que dependerá da média de idade do time até lá e das prioridades de Tite na hora de escolher jogadores mais velhos que podem elevar esse número. Porém, acima de tudo, é o que será produzindo no gramado pelo próprio atleta neste período que terá o peso fundamental na hora do anúncio dos 23 selecionados da lista final. Sendo assim, o feriado da Independência precisa ser encarado pelo atacante como uma forma de manter “congelados” nele os olhos do comandante.

As palavras neste texto condizem com a opinião do autor, não tendo qualquer relação com o Chelsea Brasil.

Patrick Monteiro