Indicação ao prêmio da FIFA dá a dimensão da qualidade do trabalho de Conte no Chelsea

No último dia 22, a FIFA anunciou os finalistas ao prêmio de melhor treinador do ano de 2017. A láurea, cujo atual detentor é o italiano Claudio Ranieri, ex-Chelsea, está em disputa entre três nomes jovens e campeões nacionais.

Vencedor na Espanha e também da UEFA Champions League, Zinedine Zidane, comandante do Real Madrid, é o favorito à conquista, mas tem concorrentes fortes. Foi feito o justo reconhecimento ao desempenho excelente que Massimiliano Allegri vem entregando, desde 2014, à frente da Juventus. Trata-se, da continuidade do trabalho de Antonio Conte no comando dos Bianconeri. E é justamente ele quem fecha a trinca de indicados, tendo, em sua primeira temporada no Chelsea, provocado revolução tática e conquistado o título da Premier League.

Pode parecer mais do mesmo reiterar tudo o que Conte fez em seu primeiro ano à frente dos Blues. Do diagnóstico precoce de que as coisas não iam bem à glória nacional, passando pela modificação do esquema tático padrão para uma formação com três defensores, com a adaptação de César Azpilicueta à zaga e de Victor Moses à ala direita, o que se viu na temporada 2016/17 foi um enorme sucesso. Se enganou profundamente aquele que pensou que a opção por três defensores era uma tentativa de emular a Juve do treinador; as características peculiares de um time e de outro não permitem tal comparação.

Tudo bem: o Chelsea pôde se dedicar quase exclusivamente ao Campeonato Inglês, na última temporada. Isso é um fato, considerando a ausência nas disputas europeias. Ainda assim, também foi finalista da FA Cup. No entanto, o mais interessante é o fato de que o time se tornou exemplo a ser seguido na Inglaterra. Repentinamente, vários times passaram a tentar aplicar formações com três zagueiros. A escolha feita por Conte virou tendência, mas não deu resultados em outras equipes. O que alguns não perceberam foi o fato de que o acerto só aconteceu porque o italiano entendeu as características das peças de que dispunha. Em função de si mesmo, o esquema escolhido de nada serveria.

O Chelsea funcionou porque tinha zagueiros com características distintas e complementares, alas com explosão física e chegada à frente, N’Golo Kanté se multiplicando na contenção e peças ofensivas criativas, talentosas e com poder de decisão. Não propriamente por conta de sua tática. É por isso que não há como comparar esse time dos Blues com a Juventus de Conte, era outra equipe, em contexto diferente e com peças de características diversas.

Esse é o real motivo pelo qual o treinador merece as reverências da FIFA. Vencer o prêmio será difícil. Allegri venceu o Campeonato Italiano e foi vice da Champions. Já Zidane, como dito, conquistou o Espanhol e bateu seu concorrente na competição continental. Porém, a indicação, por si só, deve ser vista como um título.

Resultados de lado, deve-se ressaltar a influência que Conte teve no Chelsea no último ano. Zidane e Allegri vêm obtendo êxitos e têm méritos há mais de um ano. Pode se falar do desenvolvimento e aperfeiçoamento de um trabalho e de ideias. No caso do treinador dos Blues, impressiona o impacto imediato que trouxe a Stamford Bridge. Não foi instantâneo. Contudo, foi preciso pouco tempo para que o comandante entendesse o que precisaria fazer para levar seu clube às conquistas. A continuidade vem agora, a partir de um título incontestável, que é fruto de um trabalho exemplar.

Conte chegou para gerir uma crise; pegou um Chelsea que vinha de uma temporada horrível e o levou ao título nacional. Vinha de um trabalho na Seleção Italiana e nunca havia trabalhado fora de seu país – nem mesmo como jogador. Foi desafiado e venceu. Quando poderia ficar na zona de conforto, entrou em rota de colisão com Diego Costa. Provocou certa apreensão e segue entregando ótimos resultados. Para já, mesmo que não venha a conquistar o prêmio para o qual foi indicado (embora mereça), é, com toda a justiça, reconhecido.

As palavras neste texto condizem com a opinião do autor, não tendo qualquer relação com o Chelsea Brasil.

Wladimir de Castro Rodrigues Dias

Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho), 24 anos. A preferência é o futebol bretão, mas me interesso pelo esférico rolado em qualquer terra. Desde a infância, tenho no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; o melhor jogador que vi jogar foi o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também no O Futebólogo, no Doentes por Futebol e na Corner.