Empolgação x Realidade: a distância para a próxima Champions

A virada espetacular sobre o Southampton, fora de casa, no último sábado, encheu de orgulho o torcedor azul. Isso depois de um avassalador sentimento de ira que prevalecia enquanto o time anfitrião, semi-rebaixado, abria 2 a 0 no placar. O fato de conseguir a reviravolta deve ter feito com que os fanáticos pelos Blues tivessem esquecido, por alguns segundos, que a Champions 2018/19 é algo já quase inalcançável. Algo que aconteceu, por exemplo, com este que vos escreve. A raiva da derrota que parecia decretada deu lugar ao orgulho da vitória inesperada, que logo perdeu espaço de novo para a primeira. E, no desfecho deste jogo sentimental, veio-me a pergunta: Por que esse time não vacilou menos nas últimas rodadas? Com um pouco mais de pontos, estaríamos na briga pelo G4. No dia seguinte, outro questionamento: Será que (ainda) é possível? A resposta, antes do resultado do fim de semana, era 100% “NÃO”. Agora, talvez a negativa não seja tão firme assim.

Mas é extremamente importante frisar que tudo segue bastante difícil. E improvável. O que mudou foi mesmo a empolgação e a distância para o atual quarto colocado, o Tottenham, que perdeu para o Manchester City, em Londres, e ficou três pontos mais próximo do Chelsea.

Os comandados de Antonio Conte entrarão em campo nesta quinta-feira, às 15h45 (de Brasília), em duelo atrasado da 31ª rodada, contra o Burnley, no estádio do adversário, o Turf Moor. Sete pontos separam os rivais londrinos na tabela, donos da 4ª e 5ª posição. Lembrando que o Liverpool (3°) tem um jogo na frente dos demais envolvidos (34 a 33) e três pontos a mais também.

Olhando para as rodadas que faltam (e são somente quatro, eliminando os atrasos do campeonato), não consigo (por mais que queira) imaginar o Tottenham perder pontos. Talvez um num jogo fora de casa aqui, outro numa partida mais complicada ali, porém nada que chegue a totalizar os sete que eles precisam perder para os Blues o alcançarem. No caso do Liverpool, a situação é a mesma, mas com um ponto a nosso favor: teremos um confronto direto com os Reds, em Stamford Bridge, na penúltima rodada. O problema é que esse jogo, sozinho, não vai alterar a zona de classificação para a Liga dos Campeões. Será preciso mais. Mais tropeços deles e zero por cento de erro do lado de cá. Infelizmente, é bem provável que este clássico já esteja valendo nada até lá.

Em suma, o cenário é péssimo, a esperança está timidamente de volta e, para a segunda anular o primeiro, vai ser necessário usar muito o secador. Até porque, com todo o respeito aos que possam pensar de forma contrária, a conquista da taça da Copa da Inglaterra, mesmo que venha, terá peso nulo no final da temporada. O que vale é a vaga na Champions! Pode ser duro agora, mas é uma verdade que baterá na porta assim que 2018/19 começar. Série B continental por Série B continental… Ops! Liga Europa por Liga Europa, o quinto lugar da Premier League já dá. E a participação neste torneio até pode levar à Champions, entretanto adia o projeto em ao menos um ano. A única diferença será ir a uma competição secundária continental levantando um troféu. Algo incapaz de remediar a frustração de não estar na grande UCL.

As palavras neste texto condizem com a opinião do autor, não tendo qualquer relação com o Chelsea Brasil.

Patrick Monteiro