Kenedy disputou 16 jogos e tem demonstrado personalidade (Foto: Chelsea FC)

Interesse do Barcelona em Kenedy preocupa por vários motivos

Há muito tempo têm surgido, tanto na imprensa quanto na torcida azul, críticas à maneira como o Chelsea lida com seus jovens talentos. Cresce uma crença generalizada de que a atual geração que sobe da base dos Blues, considerada uma das principais da Europa, está a beira de ser desperdiçada pelo clube. Nomes como Nathaniel Chalobah, Ola Aina e Nathan Aké. E a lista é grande. Poucos são os que recebem chances no time principal, e mesmo quando ganham minutos, acabam sendo poucos e que não contribuem para sua evolução, como é o caso de Ruben Loftus-Cheek, que é considerado o mais talentoso dentre todas as promessas.

Vários deles, como Charly Musonda, parecem já ter recebido sondagens de clubes como Liverpool e Arsenal, sendo que este último teria chegado a oferecer oito milhões de libras por Musonda, com a promessa de utilização no time principal. Mais recentemente foi a vez de Andreas Christensen, que vem brilhando na Alemanha, ser alvo de especulações com um possível interesse do Barcelona em seu futebol, que se destaca não só pela qualidade defensiva e tática, mas pela versatilidade, já que o dinamarquês pode jogar tanto na zaga quanto na lateral direita.

Desta vez, o rumor que surge no The Mirror é de que o clube catalão também estaria disposto a apresentar proposta pelo brasileiro Kenedy. O camisa 16 é um dos jovens que mais vem sendo aproveitado no elenco azul, apesar de muitas vezes entrar em campo improvisado em uma posição que não é a sua de origem. Mesmo assim, o brasileiro vem se destacando, principalmente pela capacidade ofensiva e pela noção tática que demonstra mesmo com a pouca idade.

Claro, todos sabemos que Kenedy, que recentemente completou 20 anos, não é produto da base dos Blues, mas é atualmente um dos mais promissores do vasto número de jovens talentos que hoje pertencem ao Chelsea. E o fato de que há possíveis propostas por ele e Christensen levanta preocupações por vários motivos.

Quantas vezes vemos grandes equipes buscando jovens talentos em outros grandes? Isto praticamente não acontece. Por quê? Porque grandes clubes, como Chelsea e Barcelona, fazem todo um trabalho de peneirar talentos, lapidar, procurar, desbravar vários centros para encontrar talentos que possam lhe ser úteis no time principal sem a necessidade de gastar milhões. É assim que funciona uma categoria de base ou um sistema de captação de jovens minimamente decente.

Quando um grande clube encontra este talento, normalmente ele é mantido, desenvolvido e passa a integrar o elenco principal do clube. O fato de que o Barcelona estaria interessado em dois de nossos maiores jovens talentos demonstra que já está consolidado um entendimento de que o Chelsea não é mesmo um clube que utiliza seus jovens.

Aké e Christensen (ao centro) tem se destacado em seus empréstimos e levantam interesse de grandes clubes
Aké e Christensen (ao centro) tem se destacado em seus empréstimos e levantam interesse de grandes clubes

Isto por si só é um problema, pois deixa mais que escancarado que estes jovens correm riscos de ser desperdiçados, ou de brilharem em outros clubes, como nos casos de Kevin de Bruyne e Romelu Lukaku.

Outro problema, ademais, é os jovens jogadores terem esta mesma sensação. Afinal, por enquanto, ainda há a esperança de que estes talentos possam ser aproveitados no time principal. Contudo, conforme as temporadas passam, é possível que, insatisfeitos, estes resolvam buscar espaço em outros clubes, como já aconteceu com os Blues. Caso isso realmente aconteça, e Kenedy e Christensen, por exemplo, resolvam mesmo deixar o Chelsea, significa não só que perderemos talentos que poderiam ser aproveitadas no clube, mas também que se tornará ainda mais difícil buscar novas promessas.

Por quê? Pois ninguém optará por uma transferência a um clube com uma fama de não aproveitar atletas jovens e da base.

Isto acabará alimentando mais e mais o ciclo vicioso que o Chelsea tem vivido, deixando de aproveitar jovens promessas e gastando milhões para ocupar espaços que poderiam ser preenchidos por estes com jogadores que muitas vezes acabam tendo pouca representatividade e atuações medíocres. Exemplificando: quantos milhões foram gastos em Juan Cuadrado, Pedro, Falcao, Demba Ba e Papy Djolobodji? Será que um jovem não teria feito um melhor papel?

Esperamos que o Chelsea não confirme no próximo mercado esta tendência de desperdiçar um trabalho planejado e executado com maestria pelo clube, que e o de capação de talentos. Não dá para negar que este trabalho foi bem feito, basta olhar para o futebol de nomes como Kenedy, Christensen ou Musonda. Formar ou captar jovens talentos não é um problema para os Blues, pelo contrário, alguns dos melhores talentos da Europa pertencem ao clube londrino. A questão em debate é a necessidade de dar o próximo passo, a transição final, a etapa seguinte.

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Category: Mercado de Transferências

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