Terceiro tempo: vaga na Champions tira a pressão pelo título da EL

A temporada 2018/2019 está terminando, e com ela muitas conclusões e lições podem ser tiradas pelo Chelsea.

Maurizio Sarri foi extremamente questionado por diversos motivos. Dentre os principais, estão a falta de criatividade para mudar o esquema de jogo, a insistência no uso de Jorginho como primeiro volante, a mudança de N’Golo Kanté (que passou de primeiro volante para um meia pela direita) e a utilização de Eden Hazard como falso 9.

Além disso, Sarri foi muito questionado por criticar abertamente o elenco, dizendo que seria um grupo “difícil de motivar.”

As dúvidas para com o italiano

Os questionamentos direcionados ao treinador italiano são pertinentes, mas não refletem toda a realidade da temporada. Desde o início, Sarri dizia que precisaria de tempo para implementar seu estilo de jogo, principalmente porque os jogadores estavam acostumados com esquemas mais defensivos, que não priorizavam a marcação olhando para a bola. Sarri repetiu muitas vezes que quer que seus defensores estejam sempre olhando pra a bola, para que se torne mais fácil a pressão constante na defesa e a ligação rápida no ataque.

Os resultados podem não ter sido os mais animadores durante a temporada, mas a classificação para a Champions League com uma rodada de antecipação mostra que Sarri tem uma ideia de jogo vitoriosa.

Os torcedores conseguem agora enxergar mais facilmente que Jorginho pode não ser um passador nato como Cesc Fábregas, mas tem um ótimo toque de primeira, o que ajuda o controle do jogo no meio campo. O torcedor enxerga também que Kanté pode ser efetivo marcando mais na frente, fazendo um papel semelhante ao de Gennaro Gattuso quando jogava ao lado de Andrea Pirlo naquele lendário Milan do começo deste século.

Ademais, jogadores como Ruben Loftus-Cheek e Callum Hudson-Odoi mostraram que podem ser titulares, tendo maior importância do que jogadores mais consagrados, como Willian, Pedro, Mateo Kovacic e Ross Barkley.

Com os seguidos tropeços do Tottenham, Arsenal e Manchester United, a classificação se tornou mais simples, e veio após a vitória de 3 a 0 sobre o Watford, que deixou a equipe azul de Londres com 71 pontos na tabela faltando um jogo para o fim do campeonato.

A vitória sobre o Watford classificou o Chelsea para a próxima Champions League (Foto: Getty Images)

O Tottenham tem 70 pontos, o Arsenal 67 e o Manchester United 66, o que significa que somente o Tottenham pode passar o Chelsea na última rodada, o que deixaria os Blues em quarto lugar, com a classificação para a Champions garantida.

O Chelsea está nas semifinais da Europa League, e empatou em um a um na primeira partida do confronto contra o Eintracht Frankfurt, na Alemanha, sendo o favorito para chegar a final por só depender de uma vitória em casa no segundo jogo.

Na outra semifinal, o Arsenal venceu o primeiro jogo do confronto contra o Valência por 3 a 1, na Inglaterra, o que significa que muito provavelmente irá se classificar para a final. Dessa forma, deveremos ter uma final com dois times ingleses, ambos de Londres, o que torna o título ainda mais importante e sedutor. A final será disputada no Azerbaijão no dia 29 de Maio em jogo único.

Europa League pode ser a cereja do bolo

Vencer a Europa League pode não parecer um feito tão incrível para times como o Chelsea ou o Arsenal, mas pode servir para fortalecer ainda mais os Blues, que têm a chance de acabar a temporada com a classificação à Champions League e um título internacional.

A Europa League foi muito comemorada pelo Chelsea em 2013, quando a equipe bateu o Benfica por 2 a 1 após aquele histórico gol de Branislav Ivanović perto do apito final. Mesmo tendo vencido a Champions no ano anterior, em 2012, o título da Europa League não foi visto como um feito pequeno.

Branislav Ivanovic foi o autor do gol do título da Europa League em 2013 (Foto: Getty Images)

Vale lembrar também que vencer a Europa League seria o primeiro título de toda a carreira de Maurizio Sarri, que se destacou por ótimas campanhas com o Napoli, na Itália, onde não conseguiu bater a poderosa Juventus.

Caso os Blues não houvessem conseguido a classificação para a Champions via Premier League, o título da Europa League se tornaria ainda mais importante, gerando uma imensa pressão, o que poderia dificultar muito no desempenho do time no segundo jogo da semifinal contra o Frankfurt e em uma eventual final contra o Arsenal ou o Valência.

Agora, já classificado, o Chelsea vê a Europa League como “a cereja do bolo”, já que o objetivo principal da temporada foi alcançado: retornar à Champions League.

Bruno Pizarro