Terceiro Tempo: Montanha-russa de emoções

O que era para ser um jogo tranquilo se transformou em uma emocionante batalha no último sábado (26). O Chelsea foi até o Hawthorns, sofreu três gols na primeira etapa, mas se reergueu no segundo tempo e buscou o empate contra o West Brownwich.

Em circunstâncias normais, um empate contra uma equipe recém-promovida deveria ser amplamente criticado. Contudo, os londrinos mostraram um poder de reação pouco visto nas últimas temporadas.

Primeiro Tempo: Entendendo os erros individuais

Para o confronto contra os Baggies, Lampard premiou Caballero pela boa partida contra o Barnsley e o manteve como titular. Kepa mais uma vez amargou o banco devido às críticas que vem recebendo pelo desempenho recente.

Mas os críticos do goleiros espanhol ficaram sem desculpas nessa partida, tendo em vista que os três gols do mandantes foram originados através de erros individuais.

Faixa merecida?

De todos, a falha de Thiago Silva é a que chama mais atenção. Em um lance sem nenhuma pressão do adversário, o brasileiro não dominou um passe fácil de Kovacic. O zagueiro escorregou e Robinson saiu sozinho para marcar.

Na hora, era possível ver a raiva de parte dos torcedores não apenas pela falha, mas por ter recebido a faixa de capitão em sua estreia na Premier League.

Por isso, Azpilicueta e Hudson-Odoi entraram na etapa complementar.

Thiago Silva teve uma estreia para esquecer no Campeonato Inglês (Premier League / Site)

No entanto, uma ressalva é importante para entender o lance. Em sua última temporada pelo PSG, Thiago atuou na maioria das vezes como o zagueiro pela direita. Já nessa partida, assumiu o lado esquerdo. Essa diferença afeta não só como ele direciona o corpo, como também a posição do pé para receber e dar passes.

Ciclo perto do fim?

Marcos Alonso teve boa parcela de culpa no primeiro tento. O defensor telegrafou um passe de cabeça no campo de defesa, facilitando a interceptação de Matheus Pereira. O brasileiro rolou para Robinson abrir o marcador

Esse é o tipo de erro recorrente na passagem de Alonso em Londres, especialmente quando ele não é utilizado como ala. Em um sistema com quatro defensores, Marcos Alonso têm mais obrigações defensivas. Dessa forma, suas fraquezas (posicionamento defensivo e tomada de decisões) ficam em evidência.

Não obstante, surgem notícias de que há um atrito entre ele e Frank Lampard. Segundo o The Athletic, o jogador queria assistir ao segundo tempo do jogo contra o WBA no ônibus, ao invés de junto com seus companheiros. Frank deu uma severa bronca após o jogo no espanhol e o clima entre eles esquentou.

Marcos Alonso pode estar com os dias contados no Chelsea [FOTO: Getty]

Por esses fatores e pelo equilíbrio ofensivo e defensivo oferecido por Chilwell, o lateral inglês deverá ser o titular absoluto da lateral esquerda quando estiver fisicamente recuperado.

Experiência ou juventude na lateral?

O terceiro gol dos mandantes nasceu em uma jogada muito bem ensaiada de escanteio. Reece James não prestou atenção e deu condição para Bartley ampliar a vantagem. Mais uma vez, o Chelsea sofreu na bola parada e o lateral não acompanhou o restante da linha.

James ainda não emendou uma boa sequência quando teve a chance.  Essa oscilação é normal para um jovem de 20 anos. Por esse motivo e pelo final da temporada passada, Azpilicueta é uma opção mais segura.

Para seguir como titular, James precisa elevar o patamar (Chelsea FC / Website)

Segundo Tempo: Não pode desistir

Três gols no primeiro tempo é uma tremenda desvantagem, ainda mais para um clube cujo os últimos dois treinadores reclamavam da dificuldade em motivar os atletas.

Pelo relato da bronca no intervalo, Lampard estava insatisfeito com a postura do time e as chances desperdiçadas. Isso resultou em duas alterações: Hudson-Odoi entrou na vaga de Kovacic e Azpi no lugar de Marcos Alonso.

Garotos protagonistas

Com isso, os Blues passaram a atuar em um 4-3-3. Nesse sistema, Mount saiu da ponta direita e jogou como um meia pela esquerda. Odoi também foi para aquela área do campo. Com os dois garotos da base atuando em suas melhores funções, era questão de tempo para o gol sair.

O camisa 19, incentivado pelo treinador a arriscar batidas de fora da área, acertou um chute sensacional e reergueu a moral do time.  Minutos depois, Odoi tabelou com Havertz e aumentou as esperanças da torcida. O gol não só foi importante para a equipe, como também para validar as expectativas criadas sobre o ponta.

Mason Mount marca o primeiro gol do Chelsea no embate contra o WBA. (Premier League / Site)

Muito participativo, Mount mostrou a razão de ser escolhido quase sempre por Lampard (Premier League / Site)

Tacada de mestre ou sorte?

Precisando de um gol para empatar e com quinze minutos restantes, Lamps fez uma mudança controversa. Sacou Thiago Silva e colocou Giroud. Com isso, os Blues ganharam mais um homem para disputar pelo alto, no entanto, a defesa ficou ainda mais vulnerável, atuando com apenas um zagueiro de origem.

A substituição foi questionada pelo fato de Abraham ter perdido uma boa chance na primeira etapa e pouco participava no ataque. Era o nome mais coerente a deixar o gramado. O time abandonou a lógica e passou a torcer pela aleatoriedade do futebol.

E foi na base da insistência que saiu o gol do camisa 9. Com um pouco de sorte, ele aproveitou o rebote do goleiro nos minutos finais da partida. A estrela do inglês brilhou e a competição no ataque fica cada semana mais acirrada.

Lampard concedeu entrevista sobre a vitória contra o Brighton.

Lampard fez as substições certas e o time buscou o empate (Photo by Julian Finney/Getty Images)

Terceiro Tempo: Semana importante

Com pouco tempo para lamentar pontos perdidos, o Chelsea vai ter uma sequência de dois jogos em cinco dias antes da pausa para a data FIFA. O primeiro compromisso é contra o Tottenham, válido pelas oitavas de final da Copa da Liga Inglesa.

Para esse confronto, José Mourinho já declarou que colocará sua equipe reserva, pois o Tottenham tem um compromisso na fase preliminar da Liga Europa. Assim, os azuis entram como favoritos para avançar, dado o desinteresse dos rivais na competição.

Sobre o duelo, Mendy e Chilwell estão relacionados e podem iniciar entre os titulares. Todavia, Pulisic e Zyiech seguem em recuperação e não estão prontos. De qualquer forma, a tendência é que Frank rode o elenco e teste novas opções contra um time que vem desfigurado.

Palace: freguês em boa fase

Até o momento, a empolgação do torcedor com o grande investimento não se traduziu em resultados, pois em três rodadas os Blues somam os mesmos quatro pontos do ano passado.

Contudo, o confronto do próximo sábado (2) pode servir de resposta a uma torcida que começa a duvidar do potencial do elenco. Nos últimos cinco jogos contra o Crystal Palace, os Blues venceram todos os confrontos.

Só que o contexto é diferente. O Palace ocupa a sexta posição e ganhou de forma categórica do Manchester United jogando em blocos baixos e buscando o contra-ataque, tática na qual Lampard têm dificuldades para obter um resultado positivo.

Além disso, Zaha começou o Campeonato Inglês marcando três gols em três jogos e terá pela frente uma defesa fragilizada e que está se adaptando as novas peças para o setor.

Zaha teve dificuldades

Zaha é a principal arma do Crystal Palace (Foto: Getty)

Rafael Marson

Jornalista em formação pela Faculdade Cásper Líbero. Sem o futebol, não há motivos para viver. Fã incondicional de Drogba e Hazard. #GoBlues