Terceiro Tempo: Hora de (re)agir

A temporada 2019/20 tem sido uma verdadeira montanha-russa para o Chelsea. Se na segunda-feira passada o time começava a semana cheio de confiança para uma boa estreia na UEFA Champions League, nessa o cenário é totalmente o oposto. As derrotas para Valencia e Liverpool munem a confiança da equipe e põe dúvidas sobre a real capacidade de alguns atletas e do próprio treinador Frank Lampard.

As derrotas colocam os Blues na berlinda. Na competição continental, teremos que buscar resultados fora de casa para conseguir a classificação. Já na Premier League, o Liverpool abriu dez pontos de vantagem na liderança. Sabendo do histórico da competição, o Chelsea pode ser considerado de fora da briga pelo título nacional.

Primeiro Tempo: A força do Stamford Bridge

O começo de temporada é desastroso para o Chelsea em sua casa. Em cinco partidas são dois empates e três derrotas, o pior início desde o início da ‘era Abramovich’. Sem poder contratar por conta da punição da FIFA, o problema está longe de ser a falta de reforços. Além de um time frágil defensivamente, a torcida londrina parece estar ainda mais distante de sua equipe.

Diferente do que acontece nas redes sociais, onde o torcedor se inflama e se empolga com os garotos, no campo, o ‘Chelsea boy’ parece estar assistindo uma peça teatral. Durante os noventa minutos, são poucas as vezes que a arquibancada incendeia e empurra o time a caminho da vitória.

Com ou sem torcedor, Stamford Bridge não empolga os jogadores (Foto: The Independent)

Neste domingo, o domínio foi vermelho em Stamford Bridge. A torcida dos Reds entoava cantos que conseguiam ser ouvidos até mesmo do aparelho de televisão mais simples, sem que o mesmo precisasse de sistemas de som altamente digitais. Isso é inadmissível. Por mais frio que seja o torcedor europeu, um fã não pode deixar outro grite mais alto dentro do seu domínio. Guardadas as devidas proporções, é o mesmo que alguém ir a sua casa e gritar na sua frente.

Essa passividade da torcida azul não é de hoje. Há anos quem vai em Stamford Bridge parece estar assistindo uma peça teatral tamanha a formalidade da arquibancada. E a culpa não é porque o Chelsea é um clube sem grandes tradições no futebol. As torcidas do Manchester United e do Arsenal são parecidas. Quem foge do comum é o fã do Liverpool, que, em diversas situações lembra um fanático sul-americano que grita e apoia sua equipe do começo ao fim.

Segundo Tempo: As escolhas de Lampard

Três zagueiros. Dois zagueiros. Dois alas. Dois laterais. Um meia armador. Tudo isso já foi testado nessa temporada. Tudo isso já teve sucesso e também seus fracassos. Que a temporada está começando e a equipe tende a evoluir, ninguém discute. No entanto, causa espanto perceber que Lampard ainda não sabe quem escalar após quase dois meses de trabalho.

A defesa

Seja com dois ou três zagueiros, o sistema defensivo do Chelsea é uma mãe. Seja por baixo ou na bola aérea, quando o time adversário ronda o gol de Kepa, dá um frio na espinha de qualquer torcedor. Dos três zagueiros saudáveis do elenco, só dois parecem ser minimamente confiáveis.

Zouma e Tomori, mesmo que não sejam um primor tecnicamente, ainda são bons na bola aérea e fortes fisicamente. Enquanto Rudiger não tem condições de jogo, os dois precisam ser titulares sem discussão alguma.

Já Christensen é uma tragédia completa. Teoricamente o zagueiro mais experiente do trio saudável, o dinamarquês é o pior deles. Para quem já disputou Copa do Mundo, não dá para cometer erros e afobações que o camisa 4 comete. A totalmente desnecessária falta em Mané, que originou o gol de Alexander-Arnold foi dele. Atabalhoado, Christensen mostrou, mais uma vez, que é de vidro. A lesão sofrida no fim do primeiro tempo não foi a primeira.

Dinamarquês já provou ser fraco tecnicamente e instável na forma física (Foto: Daily Star)

Desde 2017, quando Antonio Conte bancou a titularidade do dinamarquês, o zagueiro compromete, seja indo para o departamento médico ou seja entregando gols de presente aos adversários. Ver Christensen em campo me faz pensar se Lampard acertou em liberar David Luiz de bandeja ao Arsenal, tamanho o amadorismo do atleta.

Outra escolha errada de Lamps foi de bancar Emerson. Voltando de lesão, o ítalo-brasileiro poderia ficar no banco de reservas. No entanto, o treinador escalou o camisa 33 contra o Liverpool e precisou fazer uma substituição com menos de 15’ de jogo. Substituição essa que fez falta no fim da partida.

Os jovens e Pulisic

Tammy Abraham e Mason Mount são as sensações do Chelsea na temporada. Isso é inegável. Os garotos brilharam contra Norwich e Wolverhampton e fizeram por merecer a titularidade na estreia da UEFA Champions League. No entanto, Lampard, por já ter sido um jovem, deveria entender que instabilidade de um sub-23 é normal e nem sempre eles vão resolver.

Alguém viu Pulisic por aí? [FOTO: Twitter ChelseaFC]

A insistência na dupla preocupa. Preocupa ainda mais o esquecimento de Pulisic. Contratado em janeiro, ele estreou e fez bons minutos com a camisa do Chelsea no início da temporada. No entanto, o americano caiu completamente no esquecimento. Seja contra o Valencia, seja contra o Liverpool, Pulisic sequer entrou em campo.

Por preterir o camisa 22, a crítica precisa ser muito maior em relação a partida da Champions League. Com Pedro inútil em campo e Willian pouco inspirado, Lampard preferiu dar minutos a Barkley que, ao fim da partida, ainda perdeu um pênalti para os Blues.

Prorrogação: É hora de (re)agir

O começo não foi bom e o momento é de pouca confiança. Mas nem tudo é desgraça. Principalmente no segundo tempo da partida contra o Liverpool, o Chelsea se impôs, empurrou os Reds para o campo defensivo e por pouco não arrancou um empate.

Kanté fez um belo gol e voltou a mostrar que sabe muito mais que marcar (Foto: Chelsea FC)

Futebol a equipe está mostrando. Já os resultados ainda são longe do esperado. Os Blues agora terão pela frente duas partidas teoricamente fáceis. Nessa quarta-feira, pegamos o modesto Grimsby, da 4ª divisão inglesa, em Stamford Bridge. O jogo é perfeito para exorcizar a má fase dentro de casa e colocar o elenco para rodar.

Já no próximo final de semana, o confronto será contra o Brighton, também em Stamford Bridge. Não é menosprezo algum esperar duas vitórias nos próximos dois jogos. Ela, digamos, que até será muito bem-vinda para acalmar os ânimos e dar paz a comissão técnica. Até porque na semana seguinte, o Chelsea vai a França enfrentar o Lille, na segunda rodada da Champions League. Uma vitória é essencial para que a equipe não comece a viver um drama na competição continental.

Willian Guerra