Terceiro tempo: a permanência de Sarri e a melhora dos Blues

Depois de estrearmos a coluna semanal do Terceiro Tempo com o brilhante texto de William Guerra, seguimos nessa segunda de carnaval para falar um pouco sobre a evolução dos Blues nessa semana e a surpreendente (ou não) permanência de Sarri no comando dos azuis de Londres, depois de um período turbulento dentro e fora de campo.

Vitórias importantes, atuações sólidas e mudanças cruciais são alguns dos principais pontos abordados nesse texto, que visa destrinchar o que mudou desde a derrota para o City na final da Copa até o momento confortável que passamos após as vitórias em cima de Tottenham e Fulham na Premier League.

Primeiro tempo: Chelsea vive bom momento depois de turbulências

Os Blues começaram sua reação no clássico contra o Tottenham (Foto: LiveLoaded)

Depois de viver momentos conturbados dentro e fora de campo, as coisas em Stamford Bridge parecem estar se acalmando.  Duas vitórias em dois derbies e uma aproximação ao G4 satisfatória. Vendo a tabela nesse momento, a impressão que passa é que o Chelsea depende apenas de si mesmo para conseguir pescar uma vaga na Liga dos Campeões. Claro que isso não significa que será fácil, já que os Blues ainda têm confrontos diretos pela vaga. No entanto, desde a própria final da Carabao Cup contra o City, o time demonstrou uma melhora significativa dentro de campo.

Apesar da perca da taça para o City, o time mudou um pouco da sua proposta, reconhecendo a superioridade do adversário e jogou muito bem, mesmo sem abrir mão do seu estilo de jogo. Por momentos vimos o Chelsea, principalmente durante o segundo tempo, tendo o domínio da posse e atacando com inteligência. O jogo foi bastante equilibrado e a vitória de qualquer um dos times seria justa.

Essa melhora demonstrou resultado e nos deu duas vitórias contra Tottenham e Fulham durante a semana, com boas atuações dos azuis de Londres, apesar de algumas dificuldades nos confrontos. Contra o Fulham, Kepa voltou a ser o titular e teve grande atuação, sendo premiado ao fim do jogo com o troféu de MOTM (Man of the Mathc).

Fora da FA Cup, o Chelsea tem agora a Premier League e a Europa League, ambos caminhos diretos e possíveis para uma volta para a tão aclamada Liga dos Campeões. Na Liga, apesar de estar na 6ª posição, o Chelsea tem um jogo a menos e a vitória leva os Blues direto para a 4ª colocação, além de deixar-nos apenas a 2 pontos do terceiro colocado Tottenham.

Segundo tempo: Sarri muda e tem retorno

Jorginho marcou o gol da vitória no jogo contra o Fulham pela Premier League (Foto: Getty Images)

Após um período de “mais do mesmo” e consecutivas derrotas, Sarri reviu seus conceitos e aplicou algumas mudanças no jogos, que surtiram bons efeitos. Emerson passou a ser mais aproveitado na lateral esquerda, dado o mau momento de Marcos Alonso. Loftus-Cheek também tem recebido mais chances, enquanto a troca padrão de Barkley-Kovacic se tornou menos frequente, visto que o italiano tem testado Kovacic na vaga de Jorginho.

Além disso, Hazard tem tido mais liberdade para se movimentar e tem atuado também na ala direita, já que Kanté faz a reposição defensiva muito bem, dando mais liberdade ofensiva para o belga. Na esquerda, Barkley ou Kovacic demoram mais para recompor, além dos próprios laterais (Emerson e Alonso) que sobem com uma certa frequência. Assim, tem sido mais comum ver o belga atuando por ambos os lados.

Algo que não aconteceu ainda mas que tem sido muito pedido é Kanté atuando no lugar de Jorginho. Apesar das mudanças, Sarri dá a entender que não vai abrir mão do armador na posição de primeiro volante e este que vos escreve concorda com o italiano. O Chelsea hoje propõe um estilo de jogo de controle e posse de bola e ter um jogador com as características de Jorginho para a posição é fundamental. Kanté conhece bem a posição, mas a função é completamente diferente.

O próprio Jorginho tem evoluído bastante nos últimos jogos. No início, demonstrou grande potencial, mas caiu de produção e foi castigado por sucessivas más atuações, resultadas de um problema que perdura até hoje: reposição. Após a saída de Fàbregas, não há um jogador no elenco que faça a função do ítalo-brasileiro e isso tem sido ruim tanto para o Chelsea, quanto para o jogador.

Sarri tem buscado uma solução para esse problema em Kovacic, testando o croata nessa posição. No entanto, o meia ainda não empolgou atuando nesse setor e também em nenhum outro. Uma outra alternativa poderia ser David Luiz. É nítido que sua qualidade de passe eleva seu nível no estilo de jogo imposto por Sarri, mas suas falhas também custam caro e o jogador faz jogos incríveis na mesma medida que provém falhas bizarras. Testa-lo em posição diferente, no qual já atuou no próprio Chelsea, inclusive, não deve ser a pior das soluções.

Acréscimos: O trabalho continua

Sarri viveu momentos conturbados nos últimos tempos, mas parece estar dando a volta por cima (Foto: Daily Advent Nigeria)

Depois de sofrer uma goleada histórica para o Manchester City e perder a final da Copa apenas duas semanas depois, somado ao episódio envolvendo o goleiro Kepa e demonstrar uma fraqueza perante a seu elenco, Maurizio Sarri parecia estar com os dias contados. Há quem diga que o vestiário já estava perdido e que a perca da taça resultaria em sua demissão. Felizmente, não foi o que aconteceu.

Sarri foi mantido e o time passa por uma melhora significativa, muito devido às mudanças propostas pelo treinador (algo que não vinha acontecendo) e pelo modo como tem lidado com a pressão da torcida e mídia. O episódio envolvendo Kepa também parece ter sido resolvido de vez e foi muito bem contornado tanto pelo treinador quanto pelo jogador. O italiano, inclusive, reiterou que a experiência vivenciada naquele dia serviu para estreitar os laços com a equipe:

Quando há uma situação difícil, acho que é muito difícil para todos. Mas também é uma grande oportunidade. Você tem que aproveitar essa oportunidade. Claro, foi uma experiência muito ruim, mas acho que podemos sair dessa situação melhor do que antes. Quando há uma experiência muito difícil, você pode sair sempre diferente do que antes: melhor ou pior. Acho que, dessa situação, saímos melhor.

Para os jogadores, acho que foi uma experiência útil para ficarem mais unidos. Também para mim, com minha equipe e jogadores. Somos mais compactos.”

Esses fatores culminaram numa permanência provisória do italiano no comando dos Blues, mas com resultado positivo. Vivendo altos e baixos no comando dos azuis, vale a pena lembrar que esta é apenas a primeira temporada de Sarri no Chelsea, e as mudanças que este vem proporcionando dentro de campo necessitam de tempo para ficarem sólidas.

Se o time continuar evoluindo e conseguir uma vaga na próxima edição da Champions League, aliado a um troféu da Europa League, a manutenção do italiano pode e deve acontecer. Com a punição da FIFA, muitas incógnitas se criam quanto ao futuro dos Blues na próxima temporada, mas temos de pensar primeiramente em nosso presente. E por enquanto, ele é promissor!

Túlio Henrique