Especial: Uma década de glórias – Parte IV

Chelsea se sagrou campeão da FA Cup na temporada 2008/2009 (Foto: Getty Images)
Chelsea se sagrou campeão da FA Cup na temporada 2008/2009 (Foto: Getty Images)

Após perder a final da Champions League de forma dramática, em maio de 2008, o Chelsea precisava de um grande técnico, com prestígio internacional e renome capazes de recuperar uma equipe abatida pela perda de seu grande sonho. Fora isso, após a saída de Mourinho, no início da temporada 2007/2008, o Chelsea havia sido até então treinado por um interino, Avram Grant, o que aumentava ainda mais a necessidade de um técnico experiente.

Vários nomes foram cogitados, e a escolha acabou sendo pelo brasileiro Luiz Felipe Scolari, o nosso Felipão, que agradou a torcida, já que ele havia sido campeão da Copa do Mundo com a Seleção Brasileira e feito excelente trabalho com uma mediana Seleção Portuguesa, levando-os a uma final de Eurocopa e uma semifinal de Copa do Mundo.

Felipão é o único brasileiro a ter treinado o Chelsea (Foto: Chelsea FC)
Felipão é o único brasileiro a ter treinado o Chelsea (Foto: Chelsea FC)

Com o início de seu trabalho para temporada, Scolari repetiu Mourinho, e levou portugueses para Stamford Bridge. O lateral direito José Bosingwa foi o primeiro contratado, por uma quantia de 16 milhões de libras, valor considerado alto por parte da imprensa inglesa. Logo depois veio Deco, destaque de Portugal e do Barcelona, mas que havia acabado de ser “descartado” pelo então recém treinador do time catalão Pep Guardiola. Pelo luso-brasileiro, o Chelsea pagou uma quantia considerada baixa, 8 milhões de Libras, porém o meio campista já possuía 31 anos à época.

A contratação que se seguiu gerou muita polêmica e surpresa, não só na imprensa inglesa, mas na brasileira também. O volante Mineiro, aquele mesmo do São Paulo, já com 33 anos de idade, chegava de graça ao Chelsea, depois de um período de um ano e meio de altos e baixos no Hertha Berlin. A qualidade do volante foi altamente questionada, ainda mais após Scolari declarar que ele havia sido contratado para substituir o machucado Michael Essien. Vale ressaltar que a lesão em questão, do ganês, foi a primeira de muitas que se seguiram nos anos posteriores e que o levaram de um dos melhores volantes do mundo a carta fora do baralho no elenco azul. Mas nesta temporada em específico, Essien ainda era fundamental.

Mineiro fez apenas 2 jogos pelo Chelsea (Foto: Chelsea FC)
Mineiro fez apenas dois jogos pelo Chelsea (Foto: Chelsea FC)

Com a temporada iniciada, o Chelsea se mostrou plenamente recuperado do trauma de Moscou, estreando na Premier League com um 4-0 contra o Portsmouth, que havia conquistado a FA Cup na temporada anterior. E a boa forma se seguiu: seis vitórias nos primeiros oito jogos da campeonato inglês. Contabilizando todas as competições, foram oito vitórias nos primeiro dez jogos. Incluindo goleadas sobre o Manchester City, Middlesbrough e Bordeaux, da França.

E esse inicio avassalador se dava pelo ousado esquema que Felipão adotava, um 4-1-4-1, sendo que Mikel jogava como único volante, enquanto Belletti ou Ballack jogavam praticamente como wingers pela direita, Malouda ou Joe Cole jogavam pela esquerda. Deco e Lampard jogavam como armadores, atrás de Anelka, que atuava como centro avante. Bosingwa era titular da lateral direita e Ashley Cole da esquerda.

Ballack, acostumado a jogar como segundo volante, nem sempre era escalado e quando estava em campo, jogava sempre fora de posição. Ora como armador avançado, na posição de Deco, ora como quase um ala pela direita do ataque. Em outras ocasiões atuava como primeiro volante, mas nunca em sua posição original, o que desagradava bastante o alemão.

Outra escolha de Felipão que gerava insatisfação no elenco era a de deixar o ídolo e artilheiro Didier Drogba no banco de reservas, preterido pelo francês Nicolas Anelka. Drogba não só era um jogador importante do ponto de vista futebolístico, mas também um líder entre os outros jogadores, e o fato de jogar com pouca frequência acabaria por criar um problema nos vestiários.

Drogba e Felipão não tiveram bom relacionamento em Londres (Foto: Getty Images)
Drogba e Felipão não tiveram bom relacionamento em Londres (Foto: Getty Images)

Mesmo com um bom início de temporada, a imprensa especializada criticava as más atuações dos Blues contra equipes de maior tradição. O futebol do Chelsea nestas partidas claramente caia de produção, com a equipe passando a adotar um futebol extremamente cauteloso, em detrimento do futebol ofensivo de outras partidas.

Contra o Tottenham, no final de agosto, os Blues conseguiram apenas um empate, em casa, por 1-1, gol de Belletti, em partida que a imprensa inglêsa descreveu como frustrante. Quase um mês depois, foi a vez do Chelsea receber o Manchester United em seus domínios. A partida também terminou empatada, pro 1-1, sendo que o gol do Chelsea, marcado por Salomon Kalou, apenas ocorreu aos 87 minutos de jogo.

Durante a partida, o Chelsea apostou em jogo pragmático e só conseguiu equilibrar as ações quando restavam apenas dez minutos por jogar, deixando a torcida em Stamford Bridge insatisfeita, já que a equipe esteve próxima de perder pela primeira vez em casa após 84 jogos de Premier League.

Após o confronto, Scolari declarou que o empate havia sido “um ponto conquistado”, deixando a torcida ainda mais frustrada. Esta partida contou ainda com a contusão de Ricardo Carvalho, que por problemas frequentes no joelho, jogou apenas 18 partidas durante toda a temporada.

Um mês mais tarde foi a vez de receber outro grande em casa, o Liverpool. A partida terminou 1-0 para os rivais, fazendo com que caísse por terra o recorde de 86 partidas sem ser batido em casa pela Premier League. Novamente, o Chelsea apresentava um futebol sem criatividade. Após este confronto, os Blues enfrentaram quatro equipes menores e venceu todas.

Porém, antes do meio da temporada, o Chelsea ainda empatou com Newcastle em casa e perdeu novamente sob seus domínios, desta vez para o rival londrino Arsenal, de virada. A partir daí a campanha dos Blues começou a ir por água abaixo. Contando estas duas partidas, foram apenas quatro vitórias em 12 partidas. Com cinco empates contra equipes menores e três derrotas, exatamente contra Liverpool, Arsenal e Manchester United.

Novamente em contratação criticada pela imprensa e torcida, Scolari levava mais um pupilo de seus tempos a frente da Seleção Portuguesa, Ricardo Quaresma para Londres. O português havia mostrado baixíssimo rendimento pela Inter de Milão. O ala veio por empréstimo gratuito, tanto era a má fase. Em Londres, só entrou em campo cinco vezes, sem marcar nenhum gol.

Quaresma recebeu a camisa 18 no Chelsea (Foto: Chelsea FC)
Quaresma recebeu a camisa 18 no Chelsea (Foto: Chelsea FC)

Com isso, o Chelsea foi de vice-líder da competição à quarto colocado. Neste meio termo, o Chelsea ainda foi eliminado da Copa da Liga para o modesto Burnley, nos pênaltis, em casa. Juntou-se ao mal momento da equipe, o clima ruim que se instaurou no vestiário. A imprensa inglesa noticiava com frequência a insatisfação de jogadores como Drogba, Ashley Cole e Ballack. Destes, Drogba certamente era o mais insatisfeito, já que foi de um dos principais jogadores da Premier League à opção para o segundo tempo.

Felipão deu sinais de que não tinha o elenco em suas mãos, ao declarar que sua escolha por Anelka não era questionável, uma vez que o francês era um dos artilheiros do campeonato; o treinador ainda criticou outras vezes jogadores publicamente, deixando o clima no Chelsea instável.

Em 07 de fevereiro de 2009, os torcedores em Stamford Bridge viram sua equipe empatar com o modesto Hull City e dois dias depois, em seus sofás e escritórios, viram Scolari ser mandado à rua após apenas sete meses no comando dos Blues. Era o terceiro técnico demitido em 18 meses.

Anos mais tarde, Felipão declararia que “alguns jogadores” forçaram sua saída da equipe, se referindo a Petr Cech, Ashley Cole, Ballack e Drogba, sendo que o brasileiro afirmou ainda que ouvia constantemente reclamações destes jogadores por não escalação ou escalação fora de posição. A imprensa inglesa, por outro lado, afirmou que sua demissão se deu pelo mal rendimento da equipe e chegou a considerar seu trabalho pior do que o de Grant.

Para seu lugar, foi contratado o holandês Guus Hiddink, apenas como interino até o fim da temporada, já que Hiddink também era à época treinador da Seleção Russa. Com Guus, o Chelsea passou a jogar um futebol mais à feição das temporadas anteriores, num 4-3-3. Ballack, Mikel e Lampard formavam o meio de campo, enquanto Malouda, Anelka e Drogba jogavam no ataque. Deco passou a revesar vaga no time com outros jogadores do meio de campo.

Hiddink assumiu com a missão de colocar o Chelsea nos trilhos (Foto: Chelsea FC)
Hiddink assumiu com a missão de colocar o Chelsea nos trilhos (Foto: Chelsea FC)

A escalação agradou a gregos e troianos, já que os insatisfeitos passaram a jogar em suas posições e os torcedores ficavam felizes em vê-los em campo, demonstrando um bom futebol. Anelka passou a jogar um pouco mais deslocado pela direita, saindo mais da área e revezando o comando do ataque com Drogba, escalação que se mostrou frutífera. Joe Cole, quando não estava contundido, revezava vaga com Malouda, e Kalou, sempre vindo do banco, também foram importantes atacantes na temporada.

O futebol do Chelsea cresceu e a equipe conseguiu nove vitórias nos últimos 12 jogos da Premier League, garantindo uma vaga na sétima Champions League seguinte. Dentre estes jogos, destaca-se a partida contra o Arsenal, no Emirates Stadium lotado, em que o Chelsea venceu por 4-1 e demonstrou um futebol de grande qualidade. Alex, Anelka, Malouda e Touré (contra), marcaram para o Chelsea.

Ballack, Lampard, Terry e Deco foram pilares da temporada (Foto: Getty Images)
Ballack, Lampard, Terry e Deco foram pilares da temporada (Foto: Getty Images)

Na Champions League, a equipe de Hiddink passou pela Juventus, nas oitavas de final, de forma dramática. Após vencer por 1-0 em Stamford Bridge, gol de Drogba, que recebeu a titularidade, o Chelsea foi a Turim precisando apenas de um empate e o conseguiu aos 83 minutos, com Drogba. A partida terminou 2-2. O primeiro gol dos Blues foi marcado por Essien.

Já as quartas de finais trouxeram um velho confronto e duas partidas memoráveis. Os adversário era novamente o Liverpool, porém uma fase antes do que no ano anterior. A primeira partida ocorreu na terra dos Beatles e o time da casa saiu logo na frente, com apenas seis minutos jogados, com o até então matador Fernando Torres, que finalizou livre na área.

Mas a noite era azul e de um zagueiro. Após cobrança de escanteio de Malouda, Ivanovic testou para o fundo das redes, com 39 minutos jogados. O empate já era um bom resultado, mas no segundo tempo, com 62 minutos no cronômetro, o lance se repetiu. Joe Cole cobrou escanteio na cabeça do sérvio, que, novamente, subiu mais alto. 2-1 Chelsea de virada. O gol deixou o Liverpool atordoado e, apenas cinco minutos depois, Ballack lançou Malouda, que cruzou para ele, sempre ele, Didier Drogba, empurrar para as redes. 3-1 Chelsea, que iria para Stamford Bridge com uma enorme vantagem.

Se o jogo da ida foi emocionante, o da volta seria um dos maiores da história do confronto. Um 4-4, em Londres, com direito a viradas e reviradas. O Primeiro gol foi dos Reds, com o brasileiro Fábio Aurélio, cobrando falta rasteira, da intermediária, enganando o goleiro Cech, que esperava um cruzamento. Eram 20 minutos jogados. Oito depois, o herói do confronto anterior, Ivanovic, cometeu pênalti em cruzamento na área. Xabi Alonso foi para a cobrança. 2-0 Liverpool, que ainda precisaria de mais um gol, já que o Chelsea havia vencido a primeira partida por 3-1, fazendo valer os gols fora de casa.

O jogo ficou tenso, truncado. Porém ainda no ínicio segundo tempo, com 51 minutos no cronômetro, Drogba marcou, em jogada difícil, sem ângulo. Pep Reina ainda tocou na bola. O Chelsea se aliviava um pouco. Porém, ainda era um quadro de tensão. Um gol do Liverpool levaria o confronto par aos pênaltis. Mas se um brasileiro marcou de falta para um lado, outro brasileiro também marcou para o outro. Desta vez Alex, em pancada violenta de muito longe, acertou um tiro com curvas, no meio do gol, sem chances para o goleiro! Um golaço para ficar na memória azul!

Alex e Lampard marcaram contra o Liverpool (Foto: Reuters)
Alex e Lampard marcaram contra o Liverpool (Foto: Reuters)

Com o placar mais consolidado, em 2-2, se esperava um jogo mais morno. Porém não foi o que ocorreu, as duas equipes foram atrás do placar. E foi o Chelsea que fez o terceiro, com Lampard. Em saída de bola errada do Liverpool, Ballack recuperou, acionou Drogba, que correu para área e sem ângulo para o chute, acionou Super Frank, como centro avante, na pequena área. 3-2 Chelsea. E era apenas o inicio de um final impressionante.

Com menos de dez minutos restantes, Lucas Leiva chutou de fora e a bola bateu em Essien, tirando as chances de defesa de Cech. Chelsea 3-3 Liverpool, não percam as contas. Dois minutos depois, sem que o ninguém no estádio pudesse nem respirar do gol anterior, Kuyt cabeceou cruzamento de Albert Riera para o fundo das redes. O relógio marcava 83 minutos, 4-3 Liverpool. Com os acréscimos, faltariam ainda dez minutos. E um gol classificaria os Reds. Tensão em Stamford Bridge.

O Liverpool foi para cima, pressionando o Chelsea, que suportava os ataques adversários e tentava controlar um pouco mais o jogo. E, para fechar um dos maiores jogos da história da Champions League, aos 89 minutos, Anelka cruzou para Lampard, de primeira, em chute característico, colocar no canto. A bola acertou a trave e atravessou sobre a linha até bater na outra trave, antes de morrer no fundo das redes! Um gol dramático de um jogo dramático. 4-4 marcava o placar e a torcida do Chelsea no estádio, que já tinha ido do inferno ao céu e depois ao purgatório, agora comemorava a classificação para as semifinais novamente! Um jogaço!

Base do Chelsea que fez boa campanha na UCL (Foto: Getty Images)
Base do Chelsea que fez boa campanha na UCL (Foto: Getty Images)

Na fase seguinte, era a vez de encarar o Barcelona de Guardiola. Era a primeira temporada daquele supertime espanhol. E foram dois confrontos equilibrados, dois empates. E, para os torcedores do Chelsea, a maior injustiça que os Blues já sofreram.

Em Barcelona o confronto terminou 0-0, com o Chelsea conseguindo segurar o time de Messi sem sofrer grandes sufocos. Na partida de volta, em Stamford Bridge, o Chelsea poderia novamente alcançar a final. E esteve perto. Essien abriu o placar, aos nove minutos. Hiddink foi a loucura, Essien e a torcida também. 1-0. Um gol incrível do ganês, de fora da área, no ângulo!

Ainda no primeiro tempo Drogba foi lançado na área, a frente dos marcadores, e poderia ter feito o segundo gol, se não fosse por Abidal, que claramente cometeu pênalti no marfinense. O juiz não deu. Era somente o primeiro de muitos erros do senhor Tom Henning Ovrebo.  O próprio Abidal acabou expulso no segundo tempo, após receber o segundo amarelo, por falta em Anelka na entrada da área. Parecia que seria uma tranquilidade a mais para o Chelsea.

O jogo acabou sendo igual e a classificação ia ficando cada minutos mais próxima. Mas aos 93 minutos, após passe de Messi, Iniesta chutou de fora, no ângulo esquerdo, sem chances para Cech. 1-1 no placar, Barça à final. O árbitro, que em campo parecia claramente beneficiar os espanhóis com faltas marcadas e deixadas de marcar, acabou sendo novamente protagonista.

Aos 95 minutos, Ballack chutou da entrada da área, em pressão total do Chelsea, e a bola foi no braço de Eto’o. O juiz nada fez, levando Ballack, Lampard e seus companheiros à loucura. Para se ter uma ideia do impacto da arbitragem nesta partida, durante os anos seguintes, muito se comentou na imprensa internacional sobre um protecionismo da UEFA ao time de Guardiola. (Nota da redação: O Chelsea Brasil fez um especial sobre a partida, que pode ser acessado clicando aqui)

Ballack reclama com o árbitro o pênalti que poderia colocar o Chelsea na final (Foto: Action Sports Images)
Ballack reclama com o árbitro o pênalti que poderia colocar o Chelsea novamente na final (Foto: Action Sports Images)

A revolta foi enorme no peito dos torcedores do Chelsea e deixava ainda mais a competição com um gosto amargo, já que se houvesse ido a final, os Blues encontrariam novamente o United. Nascia ali também um sentimento de rivalidade com os espanhóis, que seria colocado a prova anos depois. O Barcelona terminaria campeão da UCL, dando início a era de ouro da equipe, mas talvez tivesse sido diferente a história, se os pênaltis em Stamford Bridge tivessem sido marcados.

Com o sonho europeu novamente terminado sem um final feliz, restava ainda ao Chelsea uma chance de sorrir na temporada: a FA Cup. Era a oportunidade de levar a primeira taça à Londres depois da saída de Mourinho, quase dois anos antes. E a final foi contra o Everton, em Wembley.

Mas voltemos um paço atrás. Na semifinal, o confronto foi um clássico londrino, contra o Arsenal, também na casa da Seleção Inglesa. E a partida foi grande como o histórico confronto. Logo com três minutos jogados, Fabianski saiu mal, fora da área, tentando um cabeceio, mas foi Drogba quem chegou primeiro e tocou para o gol. A bola ia entrando devagar, até que foi salva quase em cima da linha.

Com 17 minutos jogados, o jovem Walcott marcou o primeiro gol do confronto, após a bola atravessar toda a área do Chelsea e encontrar o atacante livre para chutar. A bola ainda bateu em Ashley Cole e Cech antes de entrar. O Chelsea quase empatou com Malouda, aos 22, mas a bola não entrou, por pouco. Mas foi o próprio francês que teve novamente uma chance, aos 33. Cortando da esquerda para o meio, o camisa 15 chutou no canto e empatou para os Blues, coroando boa temporada que fazia em Stamford Bridge. 1-1 e o jogo ficava tenso.

Anelka acertou a trave três minutos depois. Adebayor desperdiçou chance para desempatar, já no final do primeiro tempo. No segundo tempo, o jogo foi lá e cá, com ambas equipes buscando a classificação; era um jogo aberto. Walcott por lado e Drogba por outro, davam trabalho as defesas.

E o confronto permaneceu equilibrado até que Lampard, em lindo lançamento, encontrou Drogba, num contra-ataque. O marfinênse precisou ganhar na força do zagueiro e passar pelo goleiro antes de empurrar para as redes vazias. 2-1 Chelsea e vaga na final.

Drogba começou a temporada no banco, mas decidiu como sempre (Foto: Getty Images)
Drogba começou a temporada no banco, mas decidiu como sempre (Foto: Getty Images)

No dia 30 de maio, no último jogo da temporada, o Chelsea voltava a Wembley. Desta vez contra o Everton. E sem que os Blues pudessem nem se aquecer em campo, Louis Saha marcou para os azuis de Liverpool. 1-0 Everton com 25 segundos de jogo. O gol mais rápido da história da final da FA Cup.

Com o jogo já começando com o Chelsea em desvantagem, não restava estratégia que não fosse ir para o ataque. Por sorte, no ataque, havia um Drogba, acostumado a grandes jogos. Acostumado principalmente a jogos em Wembley. Ele decidiu contra o Arsenal e voltou a decidir contra o Everton. Com 20 minutos jogados, subiu mais que a defesa, num cruzamento de Malouda, para testar para as redes. 1-1 na grande final. E o Chelsea jogava melhor, pressionando o adversário o tempo todo.

Anelka e Lampard tiveram suas chances, mas perderam. Saha também perdeu pelo lado do Everton. O jogo ia tomando ares de nervosismo. Porém Lampard estava lá com seu poderoso chute. O inglês recebeu na entrada da área, cortou o zagueiro e escorregou. Porém, antes que o narrador pudesse falar “escorregão” Super Frank se levantou, e chutou até sem muita força, mas no canto do goleiro, que ainda tocou na bola. 2-1 Chelsea e título encaminhado.

Malouda ainda chutou de fora área aos 80 minutos. A bola bateu no travessão e depois dentro do gol, mas a arbitragem não marcou o tento. No fim, não fez diferença. Chelsea campeão da FA CUP. A segunda na “Era Abramovich”.

Hiddink devolveu o Chelsea ao caminho dos títulos (Foto: Reuters)
Hiddink devolveu o Chelsea ao caminho dos títulos (Foto: Reuters)

Na temporada anterior, com a saída de Mourinho, muitos deram a temporada como perdida. O Chelsea até se reergueu, porém não ganhou nenhum troféu. Desta vez a história quase se repetiu. Após a saída de Felipão, a temporada parecia que seria sem glórias. Mas Hiddink conseguiu levar o Chelsea de volta ao caminho de títulos.

Era a quinta FA Cup do Chelsea, a quarta em 12 anos. Hiddink erguia a taça, mas ia embora. Terry chegou a pedir pela permanência do treinador e a imprensa chegou a cogitar a possibilidade, mas ele, como treinador da Seleção Russa, preferiu seguir com tal função, deixando os Blues após a conquista de seu primeiro título após José Mourinho.

Category: Conteúdos Especiais

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Article by: Márcio Canedo