Os bastidores da preparação do Chelsea para a volta da Premier League

Com protocolos rígidos, Blues estão prontos para o jogo contra o Aston Villa

Depois de três meses, a bola voltou a rolar no Campeonato Inglês. Na última quarta-feira, quatro clubes entraram em campo para completar a 28ª rodada. O Chelsea retorna aos gramados no próximo domingo, fora de casa, contra o Aston Villa, em duelo válido pela 29ª rodada.

Para tal retorno, a Premier League respeitou a opinião de jogadores, treinadores, membros da comissão técnica e acionistas dos times. Em decisão conjunta realizada no dia 28 de maio, todas as partes concordaram em reiniciar a competição.

Project Restart

Embora a reunião tenha ocorrido no final de maio, a liga elaborou um plano duas semanas antes. Nos dias 17 e 18, foi realizada a primeira bateria de testes de coronavírus com atletas, técnicos e comissão técnica. Dos 748 examinados, seis testaram positivo.

Ao longo da volta aos centros de treinamentos, foram realizadas mais seis baterias de testes. Na última, realizada entre os dias 11 e 12 de junho, 1213 foram testados, com apenas um positivo. Isso mostra o comprometimento e seriedade da entidade para estabelecer as melhores condições possíveis de trabalho. Desde a volta, todos são testados duas vezes por semana.

Caso alguém apresente sintomas da COVID-19, o infectado deverá se auto-isolar por sete dias. Em casos confirmados, o isolamento é prorrogado para duas semanas.

Treinamentos

Sobre os treinamentos, a liga dividiu em duas partes. A primeira foi feito em pequenos grupos de quatro jogadores, sem contato físico. Cada grupo tinha um horário específico para chegar ao CT e treinar. Os atletas treinavam por cerca de 75 minutos, focando principalmente em exercícios de corrida e fôlego.

Chelsea na fase 2 dos treinamentos

Equipe técnica e jogadores trabalham no CT do clube (Reprodução: Twitter Chelsea)

Na fase seguinte, os grupos de treinos passaram a ter 12 jogadores e mais membros da comissão técnica. O contato foi liberado e mais atividade com bola foram implementadas. Em todas essas etapas, as bolas eram desinfetadas e listas de acesso ao gramado foram criadas para controlar a movimentação do staff.

Vale ressaltar que a chegada dos atletas e funcionários nos CTs sofreu grande mudança. Cada membro do clube passou a ter uma vaga pré-determinada no estacionamento para respeitar o distanciamento social. Os jogadores devem chegar com o uniforme vestido e usar máscaras em quase todas as situações.

Sobre a volta aos treinos, Paul Catterson, médico do Newcastle United, afirmou que muitos jogadores poderão sofrer mais lesões que o normal quando a liga voltar:

Estamos prevendo mais lesões neste momento(…) Os jogadores correm em esteiras e trabalham em ambientes fechados há oito semanas, então essa transição é um estímulo diferente para o corpo.

O médico traçou um paralelo com a Liga Nacional de Futebol Americano (NFL) para explicar isso:

“Houve uma paralisação na NFL há alguns anos e houve um aumento nas lesões de Aquiles, então estamos olhando para isso.”

Protocolo nos dias de jogos

Mesmo na Inglaterra, a pandemia não está controlada. Assim, o governo se esforça para evitar aglomerações. O principal efeito disso no futebol é a ausência de torcida nos jogos.

A Premier League adotou um protocolo similar ao da Bundesliga. Na Alemanha, há um esforço para que apenas 300 pessoas estejam dentro do estádio para a realização de uma partida. Com isso, o número de pessoas trabalhando nos jogos (jornalistas, assistentes de câmera e equipes de transmissão) foi reduzido. A única diferença é que na Inglaterra não haverá gandulas, e quem estiver no estádio não é obrigado a usar máscara. Apenas os quarto árbitros e médicos são.

O protocolo ainda determina que as equipes entrem separadamente em campo. Não há cumprimentos antes da partida e os jogadores são encorajados a não cuspirem e limpar o nariz durante o jogo, além de não se abraçarem durante comemorações.

Jogadores do Dortmund comemoram gol

Até que a pandemia esteja controlada, esse é o “novo normal no futebol (Reprodução: Reuters)

Para melhorar a atmosfera nos estádios, os clubes receberam permissão para usar sons pré-gravados de músicas, comemorações de gols e vaias. Os telões ainda serão usados para mostrar a reação dos torcedores.

Visando a saúde dos atletas, a Premier League aderiu a uma mudança temporária proposta pela FIFA: até o final da temporada, o número de possíveis substituições passa de três para cinco. As trocas deverão ocorrer em até três paradas durante o jogo. Além disso, o número de jogadores disponíveis entre os reservas passou de sete para nove.

O resultado da votação para validar a regra cima foi 16-4 e o Chelsea foi um dos clubes que propôs e votou a favor.

Chelsea se prepara com amistosos

A equipe retornou ao treinamentos no dia 19 de maio. Desde a semana passada, os clubes foram liberados para realizar treinos e amistosos dentro dos próprios estádios. O Chelsea fez uma sessão de treinos no Stamford Bridge e disputou dois jogos: contra o Reading e QPR. No primeiro, vitória pelo placar mínimo. No segundo, triunfo por 7 a 1.

Loftus-Cheek em ação contra o QPR

Loftus-Cheek e Billy Gilmour marcaram dois gols cada na vitória sobre o QPR (Reprodução: Twitter Chelsea)

Se tratando dos Blues, no início da pandemia, apenas um jogador foi diagnosticado com a COVID-19: Callum Hudson-Odoi, que já está recuperado e integrado ao elenco desde a fase inicial de treinamentos. Contudo, o inglês não deve ser utilizado contra o Aston Villa, já que ainda não está em condições físicas ideais.

Quem também teve problemas durante a pandemia foi Kanté. Mesmo com a aprovação dos órgãos sanitários, o camisa 7 não estava confortável com a volta e foi liberado dos treinos. Ele recebeu apoio dos companheiros e de Frank Lampard enquanto treinava individualmente.

Depois de algumas semanas, o francês foi reintegrado ao grupo e, ao que tudo indica, está recuperado de suas últimas lesões, já que foi titular no amistoso contra o QPR. De qualquer forma, os minutos de Kanté deverão ser dosados nas partidas restantes.

Kanté está de volta

O camisa 7 treinou com o elenco desde o último dia 9 (Reprodução: Chelsea FC)

Em coletiva realizada nesta sexta, o comandante azul confirmou que Tomori e Odoi têm lesões leves. O primeiro deve ficar fora por 10 dias, já o segundo está bem fisicamente, mas excluído do jogo de domingo. Resta agora ver se a preparação foi suficiente ou os londrinos sofrerão com lesões como foi durante a maior parte da temporada.

Rafael Marson

Jornalista em formação pela Faculdade Cásper Líbero. Sem o futebol, não há motivos para viver. Fã incondicional de Drogba e Hazard. #GoBlues