Destrinchando o Everton de Ancelotti

Após uma vitória surpreendente contra o Liverpool, pela FA Cup, o Chelsea entra em campo no próximo domingo (08), contra o Everton, em Stamford Bridge, em partida válida pela 29ª rodada da Premier League.

O duelo é de extrema importância para ambos times. Do lado dos Blues, é a oportunidade de manter ao menos três pontos de distância para os outros times. Já os Toffees precisam ganhar para chegar de vez na briga por Champions League, tendo em vista que a equipe da cidade de Liverpool está em 11º lugar, oito pontos atrás do Chelsea.

Do lado dos mandantes, Callum Hudson-Odoi era esperado para retornar. No entanto, ele agravou a lesão no tendão e ficará de fora. Dessa forma, o único que retorna do departamento médico é Christensen.

Já os visitantes estariam sem o comandante Carlo Ancelotti, expulso no final da partida contra o United (primeiro treinador a receber essa punição). Contudo, a repreensão foi convertida em multa, e o profissional campeão da Premier League com o Chelsea em 2009-10 retornará ao Stamford Bridge.

Italiano levantou três troféus como treinador azul (Foto: Getty Images)

Último confronto: Everton 3 X 1 Chelsea

Tentativas e Fracassos para o Everton

Não é de hoje que o Everton tenta se posicionar na elite do futebol inglês. O presidente Bill Kenwright, junto com a diretoria, não está medindo esforços para trazer jogadores talentosos ao time. Nas últimas quatro temporadas, o clube investiu 507 milhões de euros em reforços, valor exorbitante mesmo para o patamar da Premier League.

Todo o investimento parece em vão, já que, durante esse período, eles não conseguiram conquistar vaga para a maior competição europeia, façanha que o Leicester está prestes à fazer pela segunda vez em cinco anos.

No início da temporada, o grande desafio de Marco Silva era organizar o meio-campo sem Idrissa Gueye, atleta polivalente transferido para o PSG. Para suprir esse espaço, André Gomes, que já estava por empréstimo lá, foi contratado em definitivo.

Mesmo com um elenco tecnicamente qualificado, a equipe sucumbiu e não conseguiu bons resultados. Depois de 15 jogos com Silva no comando, o Everton venceu quatro, empatou dois e perdeu nove. Sofreram 11 gols a mais do que marcaram e marcaram menos que 16 das 20 equipes da divisão.

O técnico português deixou o Everton na zona do rebaixamento (Reuters)

O ápice veio na goleada humilhante sofrida contra o rival. Logo depois do 5 a 2 sofrido contra o Liverpool, os Toffees entraram na zona de rebaixamento após 15 jogos desde a temporada 1998-99. Com isso, a direção mandou o técnico português embora. O lugar dele foi ocupado por Duncan Ferguson, ex-jogador do clube.

O interino deu conta do recado. Venceu o Chelsea e segurou empates contra United e Arsenal antes de Ancelotti assumir.

Como joga o Everton de Ancelotti

A primeira grande mudança do italiano foi colocar Richarlison e Calvert-Lewin para atuarem juntos no comando de ataque em um 4-4-2. No passado, era utilizado um modelo com apenas um atacante fixo, ora sendo o brasileiro ora o inglês.

Da dupla, Calvert-Lewin é que mais está aproveitando a mudança. O atacante chegou com muita badalação do Sheffield United, mas não conseguiu superar as expectativas que o cercavam. No entanto, desde a chegada do novo treinador, ele balançou às redes oito vezes, e voltou ao radar da Seleção Inglesa.

Calvert-Lewin soma 15 gols na temporada (Reprodução: Twitter Everton)

Pela faro goleador, boa movimentação nos espaços e um excelente jogo aéreo, o atleta de 22 anos é a principal ameaça, tendo em vista a dificuldade dos defensores do Chelsea em marcar jogadores com bom porte físico.

Por outro lado, os londrinos podem aproveitar a má fase do goleiro Pickford. Depois de uma excelente participação na Copa do Mundo de 2018, o arqueiro inglês não consegue passar a mesma confiança no clube. Na atual temporada, ele acumula sete erros que resultados em gols, pior marca da liga empatado com De Gea.

O jovem goleiro inglês falhou na partida contra o United (Reprodução: BR Football)

Assim, é importante que o Chelsea coloque em prática uma de suas características marcantes: a marcação alta. Quem oferece muita intensidade e pode ajudar os Blues a construírem um bom resultado é Mason Mount. Mesmo em baixa, o meia sabe quando apertar o portador da bola e pode causar estragos com seus chutes de média e longa distância.

Outro ponto interessante é como essas equipes adotam táticas similares. Ambos treinadores valorizam a posse de bola, dão liberdade ofensiva aos laterais e pressionam seus adversários. Por isso, o time que conseguir furar a primeira linha de marcação, terá espaço para criar jogadas.

Do lado dos rivais, o cuidado deve ser dobrado com Lucas Digne, cotado para retornar ao time depois de uma contusão, mesmo com a boa fase de Leighton Baines. O lateral não apenas deve explorar as fragilidades defensivas de Marcos Alonso, como também pode decidir o jogo nas bolas paradas.

Os números do francês impressionam. Nenhum lateral esquerdo deu mais passes importantes do que ele. Não só isso, ele têm o melhor aproveitando em cruzamento, assim como em duelos aéreos vencidos.

O jogo contra o Everton será um bom teste defensivo para Marcos Alonso (Foto: Getty)

Com isso, a atenção em escanteios e faltas perto da área deverá ser dobrada. Caso Mina e Keane formem a dupla de zaga, a equipe londrina terá problemas nesse tipo de jogada, tendo em visto a aptidão desses jogadores para acertar o gol em lances aéreos.

O crescimento ofensivo do Everton é nítido: a equipe cria mais chances e converte com maior frequência. Nos últimos seis jogos, são 12 gols, uma média de 2 gols por jogo. No entanto, esse poderio no ataque não anula as dificuldades defensivas do Everton. Nesse mesmo período, o time foi vazado em todas as partidas, totalizando dez gols sofridos nessas partidas.

Por fim, Barkley merece destaque. Depois de uma grande partida contra o Liverpool, o camisa 8 irá reencontrar seu ex-clube. Essa é uma excelente oportunidade para ele mostrar aos torcedores que não esqueceu seu futebol na cidade dos Beatles. Pela forma recente e desfalques no meio-campo, ele deve estar motivado e confiante para o duelo.

A torcida espera outra boa atuação do camisa 8 (Reprodução: Chelsea FC)

Prováveis escalações

Com muitos desfalques, Lampard deve usar uma escalação inédita com Reece James pelo meio.

A dúvida para Ancelotti é manter Baines ou usar Digne, recuperado de lesão.

Rafael Marson

Jornalista em formação pela Faculdade Cásper Líbero. Sem o futebol, não há motivos para viver. Fã incondicional de Drogba e Hazard. #GoBlues