Derrota na Champions expõe dúvidas no elenco do Chelsea

Após bela atuação contra o Wolves, as expectativas eram altas para a estreia na Champions League. O Chelsea iria enfrentar uma equipe que passava por turbulência em seus bastidores. O presidente do Valência havia demitido o técnico Marcelino, campeão da Copa do Rei no centenário do clube, uma semana antes do início da competição europeia. A demissão revoltou os jogadores, que fizeram greve de silêncio até a partida.

O que parecia um jogo acessível tornou-se uma noite para esquecer no Stamford Bridge. O Valência aproveitou a única chance clara e fez o gol da vitória.

A derrota é uma mancha negativa no currículo de Frank Lampard: Ele se tornou o 1º treinador na história dos Blues a perder o primeiro duelo na Champions League. Além disso, o manager ainda não venceu jogando jogando em casa. São dois empates e uma derrota.

O pênalti de Barkley

A principal narrativa deste jogo se deu quando o juiz checou o VAR aos 42 minutos da etapa final e assinalou penalidade em favor do Chelsea. Barkley, que tinha acabado de entrar, assumiu a responsabilidade, mesmo com Jorginho e Willian pedindo para cobrar. O desfecho foi o pior possível, com o inglês acertando o travessão e os londrinos derrotados.

Quem deveria ter batido o pênalti? (Reprodução: Getty Images)

Sobre essa situação, o técnico disse: “Ross (Barkley) é o batedor oficial. Agora é fácil dizer que há intrigas entre os jogadores. Se ele converte, não há nada para contar. Ele bateu e perdeu. É isso. A nossa decepção é que nós não conseguimos vencer o jogo. Não há nenhum problema nos vestiários.”

O camisa 8 fez questão de atender a mídia e falar sobre o que ocorreu no momento da cobrança: “Quando estou em campo, eu vou bater o pênalti. Obviamente não executei do jeito certo, mas todos perdem pênaltis. Eu não marquei o gol mas estava confiante. Nós temos excelentes cobradores no elenco, mas sou instruído a bater quando estou em campo, senão seria Jorginho.”

De fato, o Chelsea possuí exímios atletas para fazer esta função, entretanto, Barkley deveria ter entendido a situação do jogo e deixar um jogador mais experiente para lidar com esta pressão. Mesmo tendo convertido todas as cinco penalidade vestindo a camisa do clube, é Jorginho quem têm convertido nos momentos mais difíceis, assim, o ítalo-brasileiro deveria ter cobrado.

Veremos nas próximas semanas como Lampard e os jogadores vão lidar com esta situação.

A ausência de um craque

A sensação assistindo ao jogo era de que o Chelsea dominava os espanhóis mas não conseguia furar o bloqueio defensivo dos adversários. Mesmo com 56% de posse de bola e 21 chutes, faltavam jogadores mais agressivos e corajosos em campo.

Mason Mount seria este cara, mas o talentoso meia saiu lesionado após uma entrada dura de Coquelin no começo do duelo- a jogada deveria ter sido revista pelo árbitro de vídeo, e o vermelho não seria exagero. Com isso, o Chelsea perdeu seu jogador mais ousado em campo.

“Ele (Mount) sofreu uma lesão no tornozelo mas não sabemos quão grave é. Nós avaliaremos nas próximas 48 horas para saber o grau disso. É uma pena pois ele começou o jogo bem e tivemos que fazer uma alteração logo no começo.”

Seria uma enorme perda se a lesão de Mount for séria (Reprodução: B/R Football)

Atrelado a isso, Willian e Pedro não davam indícios que mudariam o jogo. Ambos são o símbolo de que Lampard deve continuar promovendo os jovens ao time titular, já que estes jogadores não rendem o esperado.

E exatamente por isso fica difícil entender porque Lamps não colocou Pulisic, que possui o drible e a velocidade como principais características, no segundo tempo. A partida exigia um jogador mais habilidoso em campo. O americano, bancado nos últimos dois jogos, merece mais oportunidades.

Não só isso, a tentativa de jogar com Giroud e Tammy Abraham não se mostrou eficiente. Ainda que esta foi a primeira partida em que ambos jogaram juntos, por apenas 20 minutos, a dupla pouco ameaçou o goleiro Cillessen.

O cenário no grupo

O cenário que aparentava ser tranquilo para classificar fica mais complicado. A equipe vai precisar ganhar fora de casa contra o Lille na próxima rodada antes do duelo decisivo contra o Ajax, que lidera o grupo. Por outro lado, jogadores importantes como Rudiger, Kanté e Hudson-Odoi deverão estar disponíveis.

O caminho no grupo H ficou ainda mais difícil (Reprodução: Chelsea FC)

A derrota, embora frustrante, serviu de aprendizado para boa parte do elenco. Kepa, Tomori, Mount e Abraham estrearam na competição europeia. Os jogadores adquiriram maturidade e com um treinador experiente nesta competição, vão elevar o nível de suas performances.

Rafael Marson

Jornalista em formação pela Faculdade Cásper Líbero. Sem o futebol, não há motivos para viver. Fã incondicional de Drogba e Hazard. #GoBlues