Chelsea dá resposta e mostra ser possível bater o Liverpool

Em meio ao caos vivido na semana passada, o Chelsea mostrou força em casa e superou o Liverpool por 2 a 0 pela FA Cup. Agora, os londrinos aguardam o sorteio para saber o adversário nas quartas de final, fase em que a equipe não chegava há quatro temporadas.

Ao longo da partida, viu-se uma equipe muita dedicada e focada em obter o resultado. Isso se deu pela coesão coletiva e alguns destaques individuais. No entanto, Kovacic e Willian saíram lesionados e preocupam para o andamento da temporada.

Momento do Liverpool

Liverpool soma três derrotas nos últimos quatro jogos (Reprodução- BR Footbal)

Para entender melhor como os Blues conseguiram esse resultado tão importante, é necessário entender a fase do rival. Embora os Reds façam temporada impecável até o momento, o nível de atuação nos ultimos jogos está abaixo.

Duas semanas atrás, a equipe não conseguiu dar sequer um chute ao gol de Oblak, e o Atlético de Madrid saiu vitorioso no confronto de ida da Champions. Não só isso, os comandados de Klopp perderam a invencibilidade que durava 44 rodadas na Premier League na derrota por 3 a 0 contra o Watford.

De olho no confronto de volta contra os espanhóis, o técnico alemão decidiu poupar seis titulares para o duelo dessa terça-feira (3). De qualquer maneira, Van Dijk, Robertson, Fabinho e Mané estavam em campo.

As escolhas de Lampard

Do outro lado, Lampard precisava montar um time sem Christensen, Kanté, Pulisic, Odoi e Abraham, todos no departamento médico. Não só a mudança do esquema tático deu certo (voltando com o 4-3-3) mas a inserção de um jogador fez toda a diferença: Billy Gilmour.

Com só 18 anos, Billy Gilmour foi eleito o homem do jogo contra o Liverpool (Reprodução: BR Football)

Perguntado sobre a escolha do jovem, Lamps responde: ” Billy está jogando porque merece jogar. Ele faz todas as escolhas certas, e é humilde.”

Claro que o garoto já deu indícios que pode crescer no time principal, mas é importante entender o contexto. O treinador não poderá contar com Jorginho pelos próximos três jogos (suspenso). Ademais, Kanté não têm data definida para voltar.

Dessa forma, era necessário testar desde já um novo jogador para ocupar essa posição no meio para os próximos jogos, já que Loftus-Cheek está regressando de uma séria lesão, e a comissão técnica não quer acelerar sua volta.

De qualquer forma, a exibição do jovem merece muitos elogios. Ótima condução do jogo, passes precisos e muita intensidade. No primeiro tempo, ele foi o atleta do Chelsea que deu mais passes e recuperou a bola mais vezes.

Outro jogador destaque foi Kepa. O espanhol fez uma atuação magnífica, mostrando que o período na reserva rendeu-lhe maturidade necessária para voltar aos titulares.

Ele defendeu três chutes em sequência, todos dentro da área, e posteriormente evitou um gol de Mané, que não estava em noite inspirada. Pela ótima atuação e má fase de Caballero, é esperado que Kepa retome seu lugar no time.

Kepa fez 5 defesas no primeiro tempo, segundo mais número em toda temporada, e manteve o clean sheet (Reprodução: BR Football)

Além dele, Barkley deve ser figura frequente daqui em diante. O camisa 8 não fazia um boa atuação desde a pré-temporada, e o gol na etapa final do jogo deve dar um gás de confiança ao atleta. Assim como no Everton e Seleção Inglesa, o meia teve muita liberdade para distribuir lançamentos e acelerar o jogo. Atuando mais pela direita, ele fez boa parceria com Willian, autor do primeiro gol.

E no lance em questão, é possível ver a característica mais marcante desse time: A pressão pós perda. O Chelsea rodou a bola até chegar no brasileiro, que fuzilou no gol, mas Adrian fez boa intervenção.

Ao invés de recuar, a equipe seguiu no campo adversário. O goleiro rival optou por sair curto. Com a marcação encaixada, Fabinho errou o passe no campo de defesa. A bola ficou com Willian, que contou com a ajuda de Adrian para inaugurar o marcador.

Rumores indicam que Willian não vinha sendo titular pois as negociações para renovar seu contrato emperraram (Reprodução: BR Football)

Foram pelo menos cinco lances em que os Blues recuperam a posse no campo do adversário, dando inicio a uma jogada ofensiva. E chama atenção que o time manteve uma pegada agressiva mesmo perdendo a batalha na posse de bola, algo incomum com Frank Lampard.

A mudança de postura somado à vantagem no placar possibilitou que o Chelsea abaixasse as linhas, atuando de maneira compacta. Assim, os visitantes tinham volume, mas não conseguiam infiltração.

Além disso, jogando pelos contra-ataques, a equipe criou mais chances reais de gol. Ao todo, foram 17 chutes, sendo sete no alvo. Com a vantagem de dois gols, Pedro, Mount e Giroud desperdiçaram chances claras. Dessa forma, não é absurdo pensar que o Chelsea poderia ter aplicado uma goleada.

Pedro é muito dedicado, mas peca na conclusão das jogadas (Reprodução: Chelsea Twitter)

A vitória pode servir de aprendizado, principalmente quando enfrentarmos uma equipe tecnicamente superior e mais organizada. O problema no entanto segue sendo furar times que jogam de forma reativa, e matar o jogo quando as oportunidades aparecem.

Devido à oscilação do time, é difícil pensar que o Chelsea irá embalar uma boa sequência. O time não consegue duas vitórias seguidas desde janeiro. O confronto contra o Everton, que melhorou muito sob o comando de Carlo Ancelotti, deve servir de termômetro para o elenco, que deve contar com a volta de Hudson-Odoi e Christensen.

Rafael Marson

Jornalista em formação pela Faculdade Cásper Líbero. Sem o futebol, não há motivos para viver. Fã incondicional de Drogba e Hazard. #GoBlues