‘Maratona’: como superar o mês com a maior sequência de jogos da temporada

Passadas 17 rodadas da Premier League – quase metade do campeonato -, a primeira fase da Uefa Champions League e as etapas iniciais das copas britânicas, é chegado um dos meses mais agitados do ano na temporada europeia. Em dezembro, o Chelsea conta com nove jogos em seu calendário, o maior número do ano independente de seus resultados nas competições mata-mata que vem disputando. A grande quantidade de compromissos no mês, no entanto, traz a tona uma das maiores preocupações de Antonio Conte antes do início da temporada: o desgaste físico de seu elenco.

Na campanha pelo título inglês de 2016/2017, o Chelsea passou por maus bocados pela falta de peças de reposição que estivessem à altura de seus titulares. Fora da Champions e eliminado da Carabao Cup (ex-Carling Cup), à essa altura do ano passado os Blues disputavam apenas a Premier League e a FA Cup. Sem partidas da copa durante o mês de dezembro, os comandados de Antonio Conte tiveram três jogos a menos em relação à 2017, possuindo um total de apenas seis partidas elo campeonato inglês.

Mas a queda de rendimento da equipe, que liderou a Premier League por 26 rodadas até sagrar-se campeã, veio no mês de abril – quando os Blues enfrentaram sua maior sequência de jogos no período de 30 dias. Até a derrota para o Crystal Palace em Stamford Bridge pela 30ª semana da competição, o Chelsea possuía uma vantagem de dez pontos sobre o segundo colocado, Tottenham. O resultado negativo no primeiro dia do mês derrubou a diferença entre os clubes para sete, e a derrota seguinte, para o Manchester United três jogos depois, fez com que o ‘abismo’ que até então existia na tabela se transformasse em apenas quatro pontos.

A derrota para o Crystal Palace foi a quinta do Chelsea na temporada passada, mas representou o momento de maior tensão na equipe durante a Premier League (Foto: Kieran Galvin/NurPhoto via Getty Images)

A queda no rendimento dos Blues veio também acompanhada por uma sequência de lesões de jogadores fundamentais. Apesar de contar com ‘apenas’ 18 lesões graves (que afastaram um atleta por dez dias ou mais) entre 13 de agosto de 2016 e 19 de abril de 2017, o Chelsea sofreu principalmente com as pequenas perdas durante a reta final da temporada. No quarto mês deste ano – coincidentemente, durante o período com maior número de partidas -, chegaram a ser afastados por problemas médicos Thibaut Courtois, Victor Moses, David Luiz, Marcos Alonso e Gary Cahill.

Com os afastamentos por lesão, ficou evidente a carência do banco de reservas de Antonio Conte. Muitos dos substitutos do Chelsea na última temporada, quando exigidos, não conseguiam responder a altura, especialmente nas posições ocupadas por Moses e Marcos Alonso. Era necessário que Conte realocasse seus atletas, até mesmo modificando suas posições para desempenhar funções diferentes das originais, na tentativa de manter o bom futebol apresentado pela equipe titular. E, em muitos momentos, suas tentativas não deram certo.

Sabendo das limitações do elenco e da maior exigência física de seus comandados graças à classificação para a Champions League esse ano, o técnico italiano tratou como prioridade durante a última janela de transferências a busca por reservas de qualidade. Reforçar o banco significa ter a possibilidade de rotacionar o elenco em situações como a que o Chelsea enfrentará agora em dezembro, evitando a perda de jogadores importantes pelo desgaste.

O mês de abril foi marcado pelas lesões de importantes jogadores da equipe na temporada passada, especialmente pelo desgaste físico (Foto: Catherine Ivill – AMA/Getty Images)

Apesar das poucas aquisições, os Blues cumpriram o que se esperava no quesito qualidade. Davide ZappacostaTiemoué BakayokoAntonio RüdigerDanny Drinkwater têm sido utilizados com frequência e, apesar de algumas falhas em seus primeiros jogos com a camisa do clube londrino, vêm desempenhando bem seus papéis quando necessário – especialmente o francês, dono da camisa 14. Já Álvaro Morata, que também chegou no início da temporada, ocupa a posição de titular no ataque do Chelsea, tendo feito um início de campanha impressionante pela nova equipe.

Para evitar o sofrimento da última campanha, Conte tem colocado em prática desde cedo algo essencial para clubes que desejam brigar por todos os títulos que disputam: a já citada rotação da equipe. Além de ser a chave para a superação de ‘maratonas’ como a de dezembro, outro ponto positivo desse movimento é o condicionamento e ritmo de jogo de todo o elenco, tirando um pouco o peso da diferença de entre aqueles que seriam titulares e seus reservas.

A rotação ainda tem promovido mudanças no esquema tático do Chelsea. Habituados ao 3-4-3 implantado por Conte na conquista do título da Premier League no primeiro semestre desse ano, os Blues tem variado seu estilo de jogo, passando também a utilizar a formação em 3-5-2.

Com a sequência desgastante que tem pela frente, a conduta adotada por Antonio Conte beira o ideal para a temporada, mas ainda precisa começar a funcionar com maior efetividade. Utilizar apenas 11 atletas em todas as competições, além de causar uma queda de rendimento pelo cansaço, pode custar caro ao abrir portas para um maior número de lesões.

Gabriela Bustamante

Estudante de jornalismo, 20 anos, apaixonada pelo Chelsea. A mulher que chora quando pensa naquele Barcelona 2x2 Chelsea no Camp Nou, em 2012.