Desorganizado, Chelsea toma três e perde para o Sheffield

Jogo impecável dos Blades expôs todas as deficiências do time de Frank Lampard na temporada

O Chelsea visitou o Sheffield United pela 35ª rodada da Premier League e perdeu por 3-0. Apesar de ter a posse de bola, os Blues não conseguiram furar a marcação adversária. Muito melhor distribuído em campo, os Blades deram uma aula tática nos comandados de Frank Lampard. Assim, David McGoldrick, duas vezes, e Oliver McBurnie foram os carrascos do dia. Com o resultado, os londrinos estacionam em terceiro com 60 pontos mas podem chegar à quinto, já que Leicester e Manchester United ainda jogam na rodada. Já os alvirrubros chegam à sexta colocação com 54 pontos.

Jorginho contra o sheffield

Jorginho teve a primeira oportunidade como titular desde o retorno mas não foi bem (Foto: Getty)

Jorginho teve a primeira oportunidade no time titular desde o retorno devido à lesão de Billy Gilmour, que passou por cirurgia no joelho. Já no ataque, o treinador entrou com Tammy Abraham no lugar de Giroud. Assim, todos os outros nove em campo foram os mesmos da vitória sobre o Crystal Palace na última rodada. Entretanto, o Sheffield mostrou dentro de campo porque é considerado um dos times mais bem treinados da temporada.

Com uma defesa sempre bem postada, marcação alta, transições rápidas e bolas aéreas perigosas, os Blades souberam explorar todas as deficiências do atual elenco azul. Assim, o ataque dos Blues passou em branco pela primeira vez desde a retomada do campeonato. Já a defesa, com os gols sofridos, chega à 49, a pior da metade de cima da tabela.

Primeiro tempo sem saída de bola

O Chelsea começou tentando impor o ritmo de jogo com posse de bola. Entretanto, diferente das últimas partidas contra adversários mais fracos, o Sheffield executava marcação pressão. Os dois atacantes dos Blades marcavam Jorginho individualmente e o time inteiro subia para impedir a construção das jogadas. Por sua vez, os meio-campistas ofensivos dos Blues se posicionavam muito à frente sem dar o apoio no início das jogadas. Assim, os visitantes ficaram reféns de bolas.

Mcburnie foi importante

O problema em bolas aéreas do Chelsea novamente foi explorado (Foto: PL)

Apesar disso, em algumas oportunidades o Chelsea conseguia furar a primeira linha de marcação e chegar até a entrada da área adversária. Contudo, era o time anfitrião que começava a criar situações e, aos 18 minutos, abriu o placar. Em jogada que Mason Mount perdeu a posse no semicírculo defensivo, o Sheffield conseguiu cruzar pela direita e encontrar McBurnie sozinho. O atacante, de primeira, chutou, a bola desviou em dois zagueiros azuis e encontrou a defesa de Kepa. Mas, no rebote, McGoldrick conferiu.

Quinze minutos depois, em jogada recorrente pela esquerda, Enda Stevens tabela e descola cruzamento para McBurnie cabecear forte sozinho no canto direito de Kepa, sem chances de defesa. A partir daí o Chelsea realmente “apagou” dentro de campo. A única tentativa de chute foi com James, mas parou na defesa de Dean Henderson.

Aula de contra-ataque no segundo tempo

No intervalo Lampard mexeu bem e colocou Antonio Rudiger e Marcos Alonso no lugar de Andreas Christensen e Mason Mount. Os dois últimos não estiveram bem na partida. Além disso, o dinamarquês esteve pessoalmente envolvido nas falhas coletivas dos dois gols. Assim, os Blues passaram a atuar com três zagueiros, já que Azpilicueta foi recuado. Portanto, Alonso e James teriam liberdade para atacar em um 3-4-3 com Jorginho e Barkley alinhados no meio. As substituições deixaram o time mais ofensivo, mas mesmo assim sem contundência.

Confiando somente em bolas levantadas na área, o Chelsea demonstrou novamente falta de criatividade. Mesmo em cobrança de falta, Barkley, que também não estava inspirado, perdeu grande oportunidade. O Sheffield continuava bem e agora se postava todo atrás da linha da bola, jogando somente no contra-ataque. O panorama parecia melhorar ainda mais quando Lampard entrou com Olivier Giroud no lugar de Pulisic. Com o francês as chances aéreas melhoraram. Já no seu primeiro lance, Rudiger lançou ótima bola da defesa para o atacante completar de primeira para fora.

alonso entrou no segundo tempo

Alonso entrou bem mas não foi o suficiente para arrumar o time (Foto: PL)

Os Blues continuaram pressionando e criaram algumas chances em cabeceio de Rudiger, chute de fora de Azpilicueta e finalização errada de Abraham de dentro da pequena área após cruzamento. Todavia, quando Callum Hudson-Odoi entrou no lugar de James, o Chelsea abriu mão do terceiro zagueiro e tomou o último gol. McGoldrick novamente ganha bola no meio-campo, é mais rápido que Jorginho e, em rebote de Rudiger, completa para as redes. Assim, dois dos três gols do jogo foram de rebote. Os anfitriões ainda tiveram tempo para mais um contra-ataque, mas que foi desperdiçado cara a cara com o goleiro por Lys Mousset.

Organização x Desorganização

Com a derrota, o Chelsea demonstrou mais uma vez as suas deficiências. Entretanto, o mérito da vitória vai para o time bem comandado por Chris Wilder. O Sheffield explorou todas as falhas ofensivas e defensivas dos Blues e, dentro de suas características, ajustou-se ao adversário para levar os três pontos. As falhas de posicionamento, as laterais fracas e a falta de criatividade ofensiva foram cruciais para o revés fora de casa.

Para a próxima temporada, os Blues já atacaram o problema ofensivo trazendo peças como Timo Werner e Hakim Ziyech. Todavia, a zaga ainda permanece sem soluções a curto prazo e médio prazo.

Lucas Jensen

Jornalista que ainda acredita que o futebol pode ser apreciado sem torcer (mas não se segura e torce mesmo assim). Fã de tática e do jogo reativo, se deleita nos contra-ataques e toques 'de primeira'. Amante racional da Premier League e nostálgico do Calcio, seus hobbies incluem teorias mirabolantes e soluções inusitadas.