Com performance pobre, Chelsea sofre revés em casa

O duelo entre Chelsea e Manchester City nesta tarde de sábado (30) já era disputada e cheia de acontecimentos antes mesmo das equipes entrarem em campo no Stamford Bridge. Os dois postulantes ao título da Premier League vinham de boas vitórias pela UEFA Champions League no meio da semana, e a pressão pela caça ao Manchester United (que assumiu a liderança após vitória na partida de mais cedo) dava um tempero a mais ao jogo.

E se a escalação do City já prometia novidades pelos desfalques, a linha de três beques do Chelsea, pela primeira vez formada por Andreas Christensen, Antonio Rüdiger e Gary Cahill, também assustou alguns. Apesar de todo o clima, o jogo não foi bom taticamente e o Chelsea acabou sendo inferior e perdendo a partida por 1 a 0, gol de Kevin De Bruyne, na segunda etapa.

Gabriel Jesus e Christensen ganharam oportunidade com os desfalques de suas equipes (Foto: Getty Images)

Início elétrico e estratégia comprometida

Em campo, as duas equipes cumpriam a promessa de uma grande partida. A equipe de Manchester tocava bastante a bola, valorizando a posse como o treinador Pep Guardiola gosta, embora o meio do Chelsea com Kanté e Bakayoko dificultasse a progressão de jogadas mais perigosas. No entanto, foi a equipe da casa que teve a primeira chance de abrir o placar: Álvaro Morata cabeceou por cima após bom lançamento de Kanté. O City não perdeu tempo e testou Courtois pela primeira vez em chute de longa distância de Kevin de Bruyne em cobrança de falta.

A equipe visitante passou a adiantar a marcação e forçar os erros, de onde saíram as melhores chances. No entanto, o excesso de impedimentos tirou um pouco o brilho do jogo, que teve como momento mais importante o arremate de Azpilicueta após boa jogada de Morata, que obrigou Ederson a fazer grande defesa no canto esquerdo. Mas no momento em que o Chelsea parecia mais à vontade para criar oportunidades, veio a lesão de Morata – sem condições de jogo após um aparente desconforto muscular, o goleador espanhol pediu para ser substituído.

Quando todos esperavam que Michy Batshuayi fosse o escolhido para entrar em campo, Conte mandou a campo Willian, quebrando o que seria a escolha óbvia. Até faz sentido se analisar o fato de que Willian permite mais movimentação, enquanto Batshuayi é um centroavante mais clássico. No entanto, a escolha de Conte não se mostrou muito eficaz, haja vista que a equipe de Londres parece ter sentido muita falta de um homem de referência na frente – principalmente Hazard, que não teve com quem trabalhar a bola ou fazer jogadas de pivô e ficou isolado na produção ofensiva.

Além disso, Willian parece ter entrado ligado numa voltagem muito baixa, completamente diferente do ritmo do jogo. Sofreu com a marcação, errou passes, matou contra ataques e pouco produziu. Os números da posse de bola do Chelsea também preocupava: a equipe que vinha mantendo uma média de 54% de posse de bola ficava apenas 35% do jogo com a bola no pé até aquele momento. Logicamente, isso também significava mais tempo do City com a bola no pé para chegar ao gol.

Preocupação de Conte: Morata fez falta no decorrer da partida (Foto: Getty Images)

Ameaça anunciada

Se o primeiro tempo já terminou com Courtois precisando salvar o Chelsea com uma excelente defesa após cabeçada de Fernandinho, o segundo parecia trazer ainda mais ameaças. Guardiola enxergou a dificuldade do Chelsea em criar jogadas, e fez sua equipe pressionar a adversária com muita energia.

O resultado foi um Chelsea que parecia perdido em campo, longe da sua zona habitual de atuação, enquanto a bola só parava no pé do adversário, que tinha tranquilidade para trabalhar e criar boas chances. Após, arremates de Sterling e Silva, o gol parecia questão de tempo. O Chelsea não encaixava os contra-ataques que parecia buscar, e só conseguiu criar uma chance real em uma jogada ensaiada de bola parada, mas Hazard parou nas mãos do goleiro brasileiro Ederson.

Gol e tranquilidade

Lei do ex ataca novamente: de Bruyne marcou contra o Chelsea (Foto: Getty Images)

E como não podia ser diferente, o gol saiu. E de maneira duplamente cruel: no momento que Conte finalmente percebeu a absurda pressão que sua equipe sofria e chamou Batshuayi, o gol do City saiu dos pés do ex-Chelsea Kevin de Bruyne, que costurou até a entrada da área e mandou um petardo de pé esquerdo, sem chances para Courtois. O gol recompensou a equipe que melhor soube se portar em campo até o momento, e cobrava do Chelsea uma maior combatividade para entrar no páreo.

E isso quase aconteceu, após substituições, os donos da casa até mudaram a postura e passaram a buscar o gol de empate com mais vontade. No entanto, o Manchester City soube administrar o resultado com tranquilidade, e depois de determinado momento, parecia mais próximo do segundo gol do que seu adversário de alcançar o empate.

Os últimos minutos de jogo foram de puro nervosismo do Chelsea, que parecia desesperado para alcançar o empate no pouco tempo que restava. Mas a pressa é inimiga da perfeição, e nenhuma das jogadas foi elaborada o suficiente para levar perigo. A impressão que fica é a de que apesar do ótimo futebol praticado pela equipe do City, a história poderia ter sido diferente se Morata tivesse ficado em campo ou Conte tivesse uma leitura de jogo que buscasse uma alternativa mais eficaz ao City e ao seu desfalque.

Ficha Técnica

Chelsea: Courtois; Christensen, Rüdiger, Cahill; Azpilicueta, Kanté, Bakayoko (Batshuayi 73′), Alonso; Fábregas; Hazard (Pedro 73′); Morata (Willian 35′).

Reservas não usados: Caballero, Moses, Kenedy, Zappacosta

Man City: Ederson, Walker, Stones, Otamendi, Delph, De Bruyne (Danilo 90+31′), Fernandinho, Silva (Bernardo Silva 75′), Sane (Gündogan 84′), Gabriel Jesus, Sterling.

Reservas não usados: Bravo, Mangala, Alexander Zinchenko, Toure.

Gol: Kevin de Bruyne 67′

Cartões amarelos: Fernandinho 61′, Otamendi 89′

Estádio: Stamford Bridge

Árbitro: Martin Atkinson

Category: Competições

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Article by: Leonardo Freitas