Com assistência de Schürrle, Alemanha bate Argentina e é tetra

Schürrle deu o passe para o gol do título (Foto: Getty Images)

Schürrle deu o passe para o gol do título (Foto: Getty Images)

Acabou. Chega ao fim uma das melhores Copas do Mundo dos últimos anos. Repleta de grandes jogos, surpresas e emoção. A final, não foi diferente. Se não foi brilhante tecnicamente, não faltou emoção no Maracanã. Na prorrogação, com assistência de André Schürrle, Mario Gotze marcou o gol do título alemão. 24 após conquistar o tri, assim como aconteceu com Brasil e Itália, a Alemanha chega ao tetra campeonato.

Alemanha domina a posse, mas Argentina leva mais perigo

Antes do apito inicial, a primeira baixa da Alemanha. Khedira sentiu dores no joelho e foi cortado de última hora, dando lugar a Christoph Kramer. Os alemães começaram a partida marcando alto, pressionando a saída de bola argentina e com muita movimentação no ataque, com Ozil e Muller saindo da ponta para o meio, tentando jogar nas costas de Mascherano e Biglia. Do outro lado, os argentinos se fechavam com duas linhas de quatro jogadores bem compactas à frente de sua área e esperavam oportunidades para contra atacar.

A posse de bola era alemã. Exploravam muito o lado direito do seu ataque com as subidas de Lahm e as aproximações de Muller e Ozil. Sabendo disso, o técnico argentino Alejandro Sabella inverteu Pérez, que atuou pela direita nas outras partidas, com Lavezzi. Com isso, tentava conter as investidas adversárias no lado esquerdo da sua defesa e deixava Lavezzi para atacar no lado frágil da defesa alemã, o esquerdo, onde estava o zagueiro Howedes improvisado como lateral.

O primeiro tempo seguiu este roteiro: posse de bola para a Alemanha e Argentina explorando os contra ataques, principalmente pela direita. Assim os argentinos foram mais perigosos no primeiro tempo e marcaram um gol, corretamente, anulado. Lavezzi partiu em velocidade pela direita e cruzou para Higuaín, que já tinha perdido uma chance cara a cara com Neuer, concluir. Aos 30 minutos, Schürrle entrou no jogo substituindo Kramer, que levou uma pancada na cabeça. Entrou na ponta esquerda, deslocando Ozil para o meio campo. A Alemanha perdeu em criatividade, mas ganhou em objetividade. E foi do blue a melhor chance alemã no primeiro tempo. Após passe de Ozil, Schürrle entrou em diagonal na área e finalizou para boa defesa de Romero, em um lance similar ao sétimo gol alemão diante do Brasil, marcado pelo jogador do Chelsea.

Oportunidades, cautela e título alemão

No intervalo, Sabella mexeu no time. Aguero entrou no lugar de Lavezzi e o esquema tático também foi modificado. O 4-2-3-1 foi trocado pelo 4-3-1-2, com Aguero e Higuaín no ataque e Messi se aproximando da dupla. Com isso, a Argentina perdeu em marcação nos lados do campo e deu mais liberdade para Lahm avançar. Ganhou mais espaço para os contra ataques nas costas do lateral direito alemão, mas não soube aproveitar. Palacio entrou no lugar de Higuaín para explorar este espaço, mas não esteve bem. Também não tinha o poder ofensivo pela direita e já não explorava tanto o lado de Howedes.

O nervosismo começou a bater na metade do segundo tempo. O medo de errar era grande, a partida caiu tecnicamente e quase não existiram oportunidades de gol. A Argentina equilibrou o jogo, concentrado no meio campo.  Na reta final, Gago substituiu Pérez e Klose deixou o campo para dar lugar àquele que seria o herói alemão, Mario Gotze. A seleção alemã perdia a referência dentro da área, mas ganhava mais mobilidade ainda, com Muller e Gotze revezando no papel de falso nove. Mas não foi suficiente para evitar a prorrogação.

No início da prorrogação, Schürrle teve outra oportunidade de marcar. Recebendo de Gotze, entrando em diagonal na área e finalizando, repetindo a jogada que levou perigo no primeiro tempo. Pouco depois, Palacio teve a bola do título. Recebeu nas costas de Hummels em lançamento vindo da esquerda, mas, assim como Higuaín na primeira etapa, finalizou mal. A Argentina se mostrava fisicamente melhor e parecia faltar perna aos alemães, que insistiam no lado direito do seu ataque.

Quando a partida já se encaminhava para os pênaltis, quando nenhuma das equipes atacavaa tanto, quando a cautela falava mais alto que tudo, o gol alemão. Se durante todo o jogo a Alemanha martelou o lado esquerdo da defesa Argentina, o gol veio pelo outro lado. A mesma jogada, os mesmos jogadores e papéis invertidos. Desta vez, Schürrle serviu Gotze que entrava em velocidade na área argentina. Entrou como garoto e saiu como herói. Os dois jogadores símbolos da nova geração alemã, os primeiros nascidos na Alemanha reunificada, devolveram a Copa aos alemães. A Alemanha é campeã mundial de futebol, de simpatia e de organização, colhendo os frutos de um trabalho sério e muito eficiente.

FICHA TÉCNICA

Alemanha 1 x 0 Argentina

Local: Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro-RJ
Data: 13 de julho de 2014
Horário: 16h (horário de Brasília)
Árbitro: Nicola Rizzoli (ITA)
Assistentes: Renato Faverani e Andrea Stefani (ITA)
Cartões amarelos: Schweinsteiger e Howedes (Alemanha); Mascherano e Aguero (Argentina)

Gol:  Gotze, aos sete minutos do segundo tempo da prorrogação (Alemanha)

ALEMANHA: Neuer; Lahm, Boateng, Hummels e Howedes; Schweinsteiger e Kramer (Schürrle); Muller, Kroos e Ozil (Mertesacker); Klose (Gotze) Técnico: Joachim Low

ARGENTINA: Romero; Zabaleta, Demichelis, Garay e Rojo; Mascherano, Biglia, Enzo Pérez (Gago) e Messi; Lavezzi (Aguero) e Higuaín (Palacio) Técnico: Alejandro Sabella

Lucas Sousa