Análise Tática: Chelsea de 15-16 apresenta algumas deficiências e vê rendimento de peças importantes em queda livre

Chelsea vem de vitória, mas precisa de ajustes táticos para engrenar de vez (Foto: Chelsea FC)
Chelsea vem de vitória, mas precisa de ajustes táticos para engrenar de vez (Foto: Chelsea FC)

O Chelsea começou a temporada 15/16 carregando a faixa de campeão da Premier League da Capital One Cup, além de ser o time a ser batido na Inglaterra. Isso fez Mourinho optar pela manutenção de seus principais aspectos táticos da bastante vitoriosa temporada 14/15, no entanto, nem tudo vem dando certo. O time apresenta deficiências na marcação e na armação, e isso se deve à queda livre de alguns jogadores, quando se trata do rendimento.

O 4-2-3-1 continua sendo o esquema do Chelsea, baseado na execução de contra-ataques rápidos com seus homens de ataque, Hazard, Willian e Oscar – mas, a partir de agora, a tendência é que Pedro ocupe o lugar do brasileiro que veste a camisa 8. No entanto, se parecia que os Blues tinham ideias totalmente definidas, algumas coisas não andaram como o planejado: o inicio de temporada foi – e pode-se dizer que ainda está sendo – desastroso.

A proposta de Mourinho ainda é se defender com extrema eficiência e contra-atacar usando velocidade e verticalidade de Hazard e Willian, principalmente, mas alguém tem faltado ao ensaio: e esse alguém é a defesa do Chelsea. O time não apresenta nem de longe a compactação da última temporada.

O Chelsea da temporada atual mantém o esquema, mas possui algumas peças diferentes da última
O Chelsea da temporada atual mantém o esquema, mas possui algumas peças diferentes da última

Uma das causas da falta de compactação é o inicio lento de Cesc Fàbregas. Como é possível perceber na imagem acima, o espanhol tem uma função de apoiar os jogadores de frente, no entanto, sua recomposição vem sendo lenta. E assim, Matic – que acaba tendo de cobrir os espaços deixados por Cesc – e o resto da defesa ficam expostos aos ataques adversários.

Outro fator importante que aponta uma deficiência na defesa do Chelsea: a origem dos gols sofridos. Muito se comentou sobre a fragilidade que Ivanovic tem apresentado na marcação, e isto é fato. O sérvio tem mesmo sido um dos problemas da defesa londrina, seu poder de marcação já não é o mesmo e os adversários têm “preferido” apostar em jogadas pelo seu lado.

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Linha defensiva pouco – ou nada – organizada no primeiro gol do Swansea sobre o Chelsea (Foto: YouTube)

Acima, um exemplo claro do que foi dito acima: Ivanovic atrai os atacantes adversários. Neste jogo, o primeiro gol do empate do Swansea surgiu em cima dele, que não acompanhou o atacante e permitiu o cruzamento. Na imagem, é possível perceber, com uma linha ilustrativa, a desorganização da primeira linha blue, o que facilita o adversário a encontrar espaços.

Importante ressaltar também o posicionamento de Cahill. O zagueiro estava praticamente fora da área com seu time prestes a receber um cruzamento, fato que indica e explicita a demora na recomposição do Chelsea, já que o ideal era que Matic ou até mesmo um dos wingers estivessem auxiliando Ivanovic para impedir o cruzamento.

Muito espaço entre as linhas de marcação facilitaram o passe de Silva (YouTube)
Muito espaço entre as linhas de marcação facilitaram o passe de Silva (YouTube)

Na derrota por 3 a 0 para o Manchester City, outro exemplo: David Silva recebe a bola no lado esquerdo da defesa do Chelsea e tem espaço e tempo para pensar a jogada. Ele dá a bola em Yaya Toure, que passa para Agüero jogar no meio de quatro e marcar o gol. Falta de compactação.

Neste lance, o ideal seria que a dupla Matic e Fàbregas estivesse “plantada” a frente dos zagueiros, o que impediria que Yaya Toure recebesse o passe e tampouco passasse a bola para o mortal Sergio Agüero.

Agora é a hora de falar do setor ofensivo blue, que também está devendo até aqui nesta temporada. Marcou cinco gols em quatro jogos – sendo que três destes gols foram em um – e necessita de uma evolução.

Na temporada passada, o Chelsea jogava no mesmo 4-2-3-1 da atual temporada e apostava na verticalidade dos leves homens de ataque Willian, Oscar e Hazard. Atualmente, a proposta continua, mas existem novidades no posicionamento.

Nos primeiros jogos da temporada, percebemos que Hazard passa a preencher a linha de três pelo meio, e não só pela ponta esquerda, como era antes. Ora com Willian ora com Oscar, Eden tem feito intensas trocas de posicionamento. A prova é que no gol de Pedro, contra o West Brom, o espanhol acha Hazard pelo meio para realizar a tabela, enquanto Willian estava postado pela ponta.

Pedro e Hazard - no centro - tabelam e o espanhol marca na estreia
Pedro e Hazard – no centro – tabelam e o espanhol marca na estreia

É importante citar que a intensidade e verticalidade têm sido mantidas pelo trio de meias do Chelsea, e muito da falta de produtividade do time nesta temporada se deve – novamente – a um jogador que começou a temporada em um ritmo abaixo dos outros.

Se trata de Cesc Fàbregas, que além de mal na marcação, tem participado pouco das jogadas de ataque e só participou de um gol do time até agora – quando ele deu o passe para Diego Costa fazer a parede e Azpilicueta marcar contra o West Bromwich. Muito da melhora do Chelsea passa pela “volta da inspiração” do playmaker do time, que faz a bola rodar e tem a capacidade de criar oportunidade. Não que Hazard, Willian e Oscar estejam brilhantes, mas a queda de rendimento de Fàbregas é gritante.

Neste inicio de temporada, ficou nítido que o Chelsea de Mourinho precisa de alguns retoques, tanto no setor ofensivo quanto no defensivo. E caso consiga, os blues voltarão com tudo.

Category: Competições

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Article by: Victor Castro