Frank Lampard: passado, presente e futuro do eterno camisa oito dos Blues

Lampard, como capitão, em Stamford Bridge: dias de glória, que podem ficar para trás. (Foto: Site Oficial)

Desde que chegou ao Chelsea, em 2001, vindo do West Ham, pode-se contar nos dedos de uma mão as vezes que Frank Lampard foi contestado nos Blues. Chegou ao time, virou titular, viu a equipe ser comprada e passar por uma grande transformação, e, por fim, virou lenda. A camisa oito do Chelsea nunca mais será citada sem que lembrem-se de Lampard.

Conquistas não faltam ao atleta. Entre as três Premier Leagues, a primeira em 2005, e a sonhada Champions League nesse ano, quando foi responsável por levantar a taça, Lampard já conquistou doze títulos oficiais com os Blues. Sem contar as duas vezes que foi o melhor atleta da Premier League, jogador inglês do ano e até o segundo melhor jogador do mundo pela FIFA, em 2005.

Diante de tantos prêmios, sempre foi raro ver Lampard sentado no banco de reservas de Stamford Bridge. A última vez que fora contestado havia sido no início da temporada passada. Após um período de lesões, Lampard foi deixado diversas vezes no banco por André Villas-Boas, então técnico Blue. Após a troca de comando, no entanto, Lampard voltou para o time, e guiou a equipe rumo ao inédito título continental. Mesmo longe de seu ápice, terminou a temporada como artilheiro do Chelsea, com 16 gols anotados, além de dez assistências.

E tudo isso aconteceu meses atrás. Quem não acompanha o Chelsea e vai assistir um jogo hoje, não entende a presença do camisa oito entre os reservas. Alguns dizem que Lampard não é mais o jogador que foi. Balela. Outros afirmam que a idade chegou. Indiferente – mesmo com 34 anos, Super Frank é melhor que muito jogador mais novo da Premier League. Então, se não é sua má fase ou falta de qualidade, qual o problema de Lampard no Chelsea?

No começo da temporada, os Blues se reforçaram com duas jovens promessas: Eden Hazard e Oscar. Com as fases impecáveis de Ramires, um monstro na reta final da temporada passada, e Juan Mata, eleito o melhor jogador do clube no período, apenas um dos novos contratados seria titular. A princípio, o escolhido foi o belga Hazard, já acostumado com ligas europeias, enquanto Oscar voltava das Olimpíadas disputadas com o Brasil. Lampard, intocável atrás dos três meias, seria o grande responsável por comandar o meio-campo.

Hoje, o tempo passou. Di Matteo foi demitido, mas seu sucessor, Rafa Benítez, mantém o esquema com três meias e dois volantes. Após uma queda brusca de produção, o espanhol Juan Mata voltou com tudo, e atualmente, se firma como, talvez, o atleta em melhor fase na Terra da Rainha. Ramires, que muitos haviam dito que não poderia voltar à posição original, sacrificou-se pelo time, vive grande fase também, e se firmou novamente como volante ao lado de John Obi Mikel. Os dois jovens? Mesmo inconstantes, Oscar e Hazard parecem intocáveis pelo treinador – e por grande parte da torcida.

A verdade é essa: mesmo não estando se contundindo sempre ou jogando mal, Lampard não tem mais espaço no time titular do Chelsea. O padrão Di Matteo/Benítez, com toque de bola, velocidade e jovialidade (a média de idade dos cinco meio-campistas é de 23 anos, 11 a menos que Frank) não terá lugar para o eterno camisa oito. Há quem diga que o técnico espanhol tentará tirar o máximo de Frank Lampard (visando seus últimos meses de Chelsea, talvez?). Mas, hoje, com todos os jogadores a disposição em sua forma atual, Lampard terá que amargurar a reserva.

E o que ele fará? Eleito duas vezes jogador do ano do clube, tendo vestido a camisa azul mais de 500 vezes e sendo um dos principais artilheiros da história do time, Lampard merece todo o respeito do mundo. Mas é ideal pensar no que é melhor para todos. Frank pode ficar e brigar pela titularidade, mas um jogador de seu calibre ainda tem muito o que render. Caso resolva sair, uma homenagem das maiores é obrigatória. De cabeça erguida, Lampard merece até uma estátua em Cobham – ou alguém vai contestar? A verdade é que, em breve, a diretoria do Chelsea, e consequentemente a torcida, se verá tendo que escolher entre assistir ao ídolo, cabisbaixo, sentado no banco de Stamford Bridge, ou presenciá-lo feliz, novamente sorrindo, brilhando dentro de campo. Mas possivelmente em outro gramado.

A escolha não é fácil. Mas todos nós podemos, em tempo real, estar acompanhando ao fim de uma era no atual campeão europeu. Mas, como já dito, é impossível pensar no Chelsea, na camisa oito, sem lembrar do ídolo Frank Lampard.

As palavras contidas nessa reportagem condizem à opinião do autor, não tendo qualquer relação com o Chelsea Brasil.

Category: Opinião

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Article by: Chelsea Brasil

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