Conhecendo melhor o quarteto espanhol do Chelsea e um antigo jogador

(Direto de Londres)

Quarteto espanhol do elenco dos Blues foi tema de evento em Stamford Bridge no último dia quatro (Fotos: Arquivo Pessoal, clique na imagem para ampliar).

Saudações londrinas, Blues!

Além da Fabiana, que recentemente registrou uma sessão de autógrafos do zagueiro Gary Cahill num shopping de Londres, também postarei novidades do Chelsea diretamente da capital britânica. Após chegar na cidade, fiquei sabendo de um evento muito interessante que aconteceria em Stamford Bridge: An Audience with Fernando Torres, Juan Mata, Oriol Romeu & Cesar Azpilicueta, uma espécie de entrevista coletiva para os torcedores que seria realizada na quinta-feira, 4 de outubro. Não poderia perder a oportunidade, né? Paguei a taxa de £20 pela internet e aguardei ansiosamente a chegada do dia. Como foi? Contarei nos próximos parágrafos.

Chegar à casa dos atuais campeões europeus foi muito fácil. Peguei o metrô até a estação Fulham Broadway e, após uma curta caminhada, já me encontrei deslumbrado com o estádio. Após tirar algumas fotos, me juntei à fila que se formava na entrada, afinal cheguei em cima da hora. Não esperei muito tempo para entrar e pude ver a empolgação estampada no rosto de todos os torcedores que como eu estavam prestes a conhecer melhor seus ídolos. Ao entrar, resolvi matar a sede e a curiosidade: troquei meu vale bebida, obtido na entrada do evento, por uma cerveja Singha e posso dizer: aprovo este patrocinador dos Blues. Enquanto saciava minha sede, dei uma volta para me informar melhor de como seria o evento. Haveria uma rifa e um leilão com diversos prêmios, de visitas a Stamford Bridge a fotos, camisas e uma bola autografada pelos jogadores. Toda a renda obtida na noite, cerca de £5 mil, foi convertida para a instituição de caridade Chelsea Foundation.

Gigi Salmon, apresentadora da Chelsea TV, foi responsável por fazer perguntas a Torres, Romeu, Mata e Azpilicueta. (Clique na imagem para ampliar).

Conversei com alguns torcedores ingleses, todos demonstrando muita confiança no futebol do time. Após cerca de quinze minutos de minha entrada, a apresentadora da Chelsea TV Gigi Salmon subiu ao palco e preparou o terreno para a chegada do quarteto espanhol, ressaltando que nao haveria contato nenhum com os atletas após a entrevista. As perguntas enviadas pelos presentes seriam feitas por ela, mas nem todas poderiam ser lembradas devido à falta de tempo. Infelizmente as minhas se aplicam ao segundo grupo.

A chegada dos jogadores foi acompanhada de intensos aplausos. Fernando Torres, nosso artilheiro na temporada, foi o mais ovacionado de todos. Não tive problemas para entender o que todos diziam, meu maior medo no caminho, embora nosso camisa 9 tenha um sotaque difícil em alguns momentos. Azpilicueta me surpreendeu com seu inglês muito bem falado, mesmo tendo chegado a Londres há pouco tempo.

Descontração é a palavra que define os cerca de quarenta e cinco minutos da entrevista. Logo no começo, Gigi perguntou se poderia chamar Azpilicueta de Dave devido ao nome complicado do camisa 28, arrancando gargalhadas de todos os presentes, incluindo o próprio jogador. O jogador, contratado no final da janela de transferências  disse estar gostando de morar em Londres quando questionado sobre a adaptação à cidade.

A união do elenco do elenco comandado por Roberto Di Matteo ficou bastante evidente durante a conversa. Os espanhóis demonstraram uma forte amizade, mas também muita conexão e respeito com os outros companheiros. Ao serem perguntados sobre qual é o jogador mais animado do plantel azul, todos concordaram: o zagueiro brasileiro David Luiz.

Diversas imagens dos jogadores espanhóis do Chelsea eram exibidas num telão, a maioria fazendo alusão aos troféus conquistados na temporada passada. (Clique na imagem para ampliar).

Quando um novo jogador chega ao grupo azul, um ritual de iniciação é realizado, no qual o novato precisa cantar uma música. Perguntaram qual música cada jogador cantou e Mata respondeu Macarena, mostrando todo suas habilidades como cantor para a plateia e sendo acompanhado por todos. Como cantor, o melhor jogador do Chelsea na temporada passada é um ótimo jogador.

Culinária foi um dos temas mais abordados, com Romeu se mostrando um exímio preparador de saladas, desfrutadas por um Mata que nao costuma cozinhar. Torres, aliás, declarou ter comido somente fish and chips, tradicional prato britânico  na primeira semana em que viveu no país por ter dificuldades com a língua.

Como é feita a comunicação no campo, numa equipe cheia de atletas de diversas partes do mundo e línguas diferentes? Esta questão, levantada por um torcedor, foi respondida: todos buscam falar inglês, embora o espanhol ainda prevaleça quando eles vão se comunicar entre si.

Duas coisas contadas realmente me emocionaram. A primeira foi quando Mata declarou ter como maior inspiração futebolística o pai, jogador que o camisa 10 dos Blues acredita ser melhor que ele. O segundo veio da engraçada pergunta sobre qual foi o autógrafo mais engracado que cada um já deu. Torres estava viajando com a Selecao Espanhola e, enquanto estava atendendo fãs, uma criança órfã o abordou e pediu um autógrafo no ursinho de pelúcia dela. El Niño e os outros atletas resolveram assinar vários brinquedos do orfanato dela, os ajudando a obter dinheiro.

Não é um ursinho de pelúcia, mas este é outro autógrafo de Fernando Torres que renderá dinheiro à caridade, desta vez beneficiando a Chelsea Foundation. (Clique na imagem para ampliar).

Quando questionados sobre o que seriam caso não vivessem de futebol, Romeu apontou a culinária como provável profissão em tal situação  enquanto Mata e “Dave” disseram que provavelmente seguiriam o caminho do marketing. E Torres? O atacante respondeu, em tom de brincadeira, que seria jogador de ping pong, atividade muito praticada por seus companheiros. Juan e Oriol costumam jogar muito, com o primeiro contando sobre uma virada que sofreu contra o segundo: a partida valia 21 pontos e estava 20 a 15 a favor do ex-jogador do Valencia, que acabou perdendo.

No que diz respeito às glórias alcançadas, todos se demonstraram muito orgulhosos pela conquista da Champions League, unânime como título mais importante para eles. Senti que o Mundial de Clubes, a ser disputado em dezembro, realmente não tem tanta importância para as equipes europeias, afinal todos os atletas enxergam como se já tivessem ganhado o título mais importante do mundo.

Com o fim da entrevista com os espanhóis, chegou a hora do anúncio dos vencedores da rifa e a chegada de convidado surpresa: o zagueiro Frank Sinclair, parte do elenco azul na década de 90. O defensor, campeão da Copa da Liga Inglesa e da Copa da Inglaterra pelo Chelsea, também mostrou muita descontração, principalmente ao revelar o que faria caso os Blues ganhassem a Champions League: correr pelado pela Fulham Road. Ao ser perguntado sobre como foi jogar ao lado do meia-atacante Gianfranco Zola, o defensor demonstrou toda sua admiração ao maior ídolo da história dos Blues.

Depois de responder todas as perguntas, o hoje zagueiro do Colwyn Bay atendeu os torcedores, dando autógrafos e tirando fotos com todos. Expliquei para ele que estava cobrindo o evento para o Chelsea Brasil e pedi um autógrafo, coisa que ficará eternizada no meu bloco de notas. Como havia muita gente, nao tentei conversar muito. O resultado do leilão ainda seria anunciado, mas como a falta de dinheiro fez com que eu não participasse, optei por ir embora, feliz com a oportunidade de conhecer melhor jogadores que, até então  nem sonhava ver de perto.

Formado nas categorias de base dos Blues, Frank Sinclair deixou sua marca no meu bloco de notas. (Clique na imagem para ampliar).

Category: Opinião

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Article by: Felipe Maia