Colunas: O futebol ainda me emociona

Olhe ao seu redor, somos todos iguais (Foto: Reuters/Stefan Wermuth)
Olhe ao seu redor, somos todos iguais (Foto: Reuters/Stefan Wermuth)

Olá amigos do Chelsea Brasil! Depois de duas semanas sem escrever, retomo minhas atividades nesta coluna de domingo. O tema de hoje aborda a homenagem feita pelo Chelsea aos ocorridos em Paris. Uma bandeira da França foi esticada pelos torcedores do Chelsea em jogo contra o Norwich, válido pelo Campeonato Inglês.

Bom estar de volta, aproveite a leitura!

O que se passa pelos bastidores do mundo do futebol se equivale a política. Só sabemos uma porcentagem mínima do que ocorre e só tem ciência total quem está envolvido nesse ramo. Por isso, especulações de jogadores tentando derrubar técnico, novos contratados e polêmicas são divulgadas com afinco nos veículos de comunicação. É um jogo de interesses, se os dirigentes escondem, os jornalistas vão atrás.

E honestamente, essa reflexão, sobre ser um jogo de interesses, vem me desanimando em relação ao futebol. Não estou abrindo mão desse esporte – de forma alguma -, mas estou sendo mais racional em algumas questões. Na maioria das questões, par ser mais preciso. Por isso, quando algo te toca, futebolisticamente falando, você tem o dever de discorrer sobre.

Eu não consegui assistir ao jogo do Chelsea, tive compromissos e estava impossibilitado de acompanhar a partida contra o Norwich. Quando abri o site de esportes e me deparei com uma bandeira gigantesca da França estendida em pelo Matthew Harding Stand foi inevitável pensar nos fatos dos últimos dias: barragens em Mariana, atentado em Paris, ataque em hotel Mali, explosão no mercado na Nigéria, deslizamento de terra em Mianmar e segue pelo mundo.

Acredito que a homenagem, feita no Stamford Bridge, retoma a essência do futebol, que é lembrar do próximo e se posicionar em prol do coletivo. Afinal, não se joga profissionalmente sozinho, não há partida sem árbitros, 22 jogadores, sem torcida. Sem pessoas, não há espetáculo. Sem pessoas não há futebol. Penso também que vale a reflexão do porquê os outros países citados anteriormente não receberam “homenagens”, mas são outros quinhentos.

A questão que proponho é sobre o futebol não ser tão distante dos acontecimentos do mundo, pois – antes de tudo – somos humanos e sentimos a dor das pessoas que enfrentam essas dificuldades. Tenho em mente que o futebol não é tão distante por mobilizar pessoas, milhões/bilhões de pessoas estão envolvidas de alguma forma e, por isso, os clubes devem trazer questões sociais, políticas para esse universo.

Olhe a história. Clubes estiveram envolvidos em governos ditatoriais – seja pró ou contra, o futebol já pausou uma guerra e já foi o estopim para outra, a Democracia Corinthiana, o caso do Pó de Arroz no Fluminense, Vasco como o primeiro clube brasileiro a aceitar a prática futebolística por negros, o Defensor do Uruguai, que teve suas cores como símbolo de resistência, por causa do Nacional e Peñarol terem relações com a ditadura. Esses são alguns casos, apenas alguns.

Eu ainda tenho fé nas pessoas, e isso não seria diferente com as envolvidas com futebol. Por mais modernizado e gourmet que esteja, certos valores permanecem e não podem ser perdidos. Colocar-se no lugar do próximo e observar que sem ele não teria a paixão que chamamos de futebol. Parafraseio Milton Neves em uma colocação que resume bem essa situação: “Futebol é a coisa mais importante, entre as menos importantes”. E ações, como a que vi ontem, abrilhantam e trazem as origens do esporte de volta.

Então, quando você observa que Cruzeiro, Atlético Mineiro e o América deixam rivalidade de lado para arrecadar alimentos, água e dinheiro para as vítimas do ocorrido em Mariana. Quando o Chelsea presta homenagens aos franceses ou quando jogadores de futebol realizam partidas amistosas para beneficiar instituições voluntárias. Você volta a refletir e percebe que é muito mais do que 22 jogadores e uma bola.

Meu nome é João Vitor Marcondes, estudante de jornalismo, morador de Mariana, Minas Gerais, desde 2013. Mais racional desportivamente falando, um eterno cego apaixonado pelo tal do futebol.

#injoséwetrust

As palavras contidas nessa reportagem condizem à opinião do autor, não tendo qualquer relação com o Chelsea Brasil

Category: Opinião

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Article by: João Vitor Marcondes

Taubateano e jornalista.