Colunas: Diego Costa não merece ser negociado em janeiro

Costa tem se envolvido e muitas polêmicas (Foto: Getty Images)
Costa tem se envolvido e muitas polêmicas (Foto: Getty Images)

Todos os que acompanham o futebol internacional sabem da polêmica que envolveu Diego Costa e José Mourinho no último final de semana. A partir dela, uma tendência que já vinha sendo vista ganhou ainda mais relevo e audiência durante a presente semana, com o aumento dos rumores da negociação do hispano-brasileiro com outra equipe e a possível vinda de algum outro jogador de frente para o Chelsea. A pergunta que se faz é: seria correta uma eventual venda de Diego Costa neste momento?

De plano, afirmo que em minha opinião seria um equívoco. Se o futebol do goleador não está tendo grande qualidade, não sendo nem sombra do que foi na primeira metade da temporada anterior, sua luta – muitas vezes em sentido literal – mantem-se e a maior prova disso foi sua reação na partida contra o Tottenham. O jogador queria jogar e isso é sempre um bom sinal. DC não estava desinteressado.

Além disso, diante do fato de que o Chelsea já demonstrou que não tem intenção de fazer qualquer investimento pesado na janela de transferências do próximo inverno europeu, seria difícil viabilizar a contratação de jogadores de grande nome e futebol, como são os casos de alguns especulados, como Thomas Müller, Edinson Cavani e até de Gonzalo Higuaín. Ademais, por mais que vivam bom momento, Harry Kane, Mauro Icardi e Jamie Vardy seriam apostas, assim como nomes menos badalados, casos de Saido Berahino, Michy Batshuayi e Jonathan Calleri. Se for contratar alguém, o clube precisa buscar soluções e não incógnitas.

Para mais, de que adianta trocar o atacante de referência se a bola sequer vem chegando em boas condições no ataque. Se o problema de criação não for solucionado, nenhum atacante de área conseguirá alcançar um grande nível. Evidentemente que há jogadores de nível superior ao de Diego Costa, mas todos alcançaram-no sendo bem servidos, como Diego foi na temporada passada, quando conviveu com a boa fase de Eden Hazard e Cesc Fàbregas. O hispano-brasileiro é um cara difícil – assim como Mourinho –, mas está longe de poder ser acusado como um dos focos dos problemas do time na temporada.

A tentativa feita pelo treinador português na última partida pode ter sido apenas uma opção tática, escalando uma equipe mais veloz contra outra que tinha uma defesa lenta. Além disso, com mais movimentação, certamente o Special One esperava que figuras como Hazard, Oscar, Pedro e Fàbregas participassem mais da partida e conseguissem maior volume de jogo. Sacar Diego Costa pode muito bem ter sido uma escolha estratégica e nada pessoal, ao contrário do que insistem alguns periódicos britânicos.

É preciso separar o joio do trigo e saber o que a imprensa, sobretudo a inglesa, fala com fundamentos e o que é especulação que tem como intuito gerar instabilidade nas equipes. Com a má fase do Chelsea, o atual campeão nacional, pavios prontos para serem acessos não faltam e isso vende jornais e gera cliques.

Diego Costa não é o melhor centroavante do mundo, mas está em um posto alto na hierarquia dos mesmos. Se o time apostou na recuperação de Falcao García, que há tempos não joga bom futebol, por que se livraria de seu camisa 19 tão facilmente? O atacante até mesmo já se culpou pelo excesso de peso com o qual apresentou-se para a temporada atual, demonstrando total consciência com relação a sua má fase. DC não se omite e estou convicto de que não é um foco de problema no elenco azul – a meu ver, beira o absurdo sequer cogitar sua negociação na próxima janela de transferências.

As palavras contidas nessa reportagem condizem à opinião do autor, não tendo qualquer relação com o Chelsea Brasil

Category: Opinião

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Article by: Wladimir de Castro Rodrigues Dias

Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho), 24 anos. A preferência é o futebol bretão, mas me interesso pelo esférico rolado em qualquer terra. Desde a infância, tenho no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; o melhor jogador que vi jogar foi o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também no O Futebólogo, no Doentes por Futebol e na Corner.