As Mudanças Táticas de Di Matteo

Roberto Di Matteo no Allianz Arena( Foto: Soccer360.com)

Quem não se lembra daquele Chelsea campeão da Champions League? Quem não se lembra do futebol retrancado, conformado, disciplinado, cooperativo, dinâmico, limitado, e por que não dizer mediocre? Sim, vencemos a Champions League, jogando um futebol burocrático e robótico. Mas isso é ruim? Para especialistas e comentaristas Brasil a fora é ruim. Mas para o torcedor, também é? O bom é vencer e todos os torcedores querem isso: vitória! Independente de como ela venha. Claro, ver nosso time jogando um futebol frágil ofensivamente é triste, mas com certeza é muito gratificante saber que vencemos o melhor time do mundo jogando dentro das nossas capacidades e admitindo nossa inferioridade.

O Di Matteo fez do Chelsea o time campeão da Champions League (maior competição de clubes do mundo) sem apresentar um futebol bonito e vistoso, mas acham mesmo que ele quer que tal façanha se repita? Duvido! Roman Abramovich (proprietário do Chelsea) está atrás de toda e qualquer decisão do italiano e pela quantidade absurda de dinheiro que gastamos nessa janela de transferências, podemos ficar cientes de uma coisa: o russo já deu a ordem! Ele quer o Chelsea jogando um futebol mais dinâmico e menos repetitivo, mais agressivo e menos aguerrido, com mais talento e menos força, com mais brilho e menos previsibilidade.

Sabendo de tais condições e analisando a forma do Chelsea jogar, percebi algumas  mudanças que estão comprometendo a qualidade defensiva do Chelsea e, não somente, estão comprometendo o sistema. Sabendo de tais mudanças, preparei essa análise onde podemos ver as mudanças táticas que o Di Matteo implantou  na forma do time se portar em campo. Separei duas formações táticas semelhantes, ambas são o 4-2-3-1, porém o papel tático de cada jogador mudou, principalmente dos meias e dos volantes, então analisarei a formação usada pelo Di Matteo na final da Champions League e a formação na final da Supercopa da Uefa, que apesar de serem as mesmas, mudam e comprometem a forma da equipe jogar, positivamente ou negativamente.

CHELSEA: FINAL DA CHAMPIONS LEAGUE 2011-2012…

Tática do Chelsea na final da Champions League 2011-2012

Devido as circunstâncias da competição, não tivemos Ivanovic, Terry, Meireles e Ramires pra esse jogo. Lógico, Chelsea estava absurdamente desfalcado e com 2 dos principais elementos de defesa da equipe sem poder jogar. Era pra ser uma catástrofe, mas não foi: o Chelsea se defendeu muito bem o jogo todo.

Nessa partida tivemos Bertrand começando entre os 11 incial, jogando pela esquerda como meia lateral. O jovem exerceu uma função bastante importante, que era, além de atacar, defender na mesma proporção, subindo e descendo o jogo todo. O mesmo foi designado para Kalou pela direita, que também foi escalado para jogar como meia lateral pela direita, com as mesmas responsabilidades táticas do Bertrand.

Juan Manuel Mata tinha liberdade total para armar as jogadas inciando-as por qualquer lado e claro pelo centro. Lampard ficou responsável por fazer a cobertura do Ashley cole, que por incrível que pareça, estava liberado para atacar balanceadamente. Já Mikel teve uma tarefa um tanto quanto complicada, que era cobrir as investidas malucas ao ataque de David Luiz e cobrir as subidas alucinógenas de José Bosingwa pela direita.

Pois bem, esse era o Chelsea do Di Matteo antes de ganhar a Champions League. É claro, sem os reforços que tem hoje, mas devemos convir o seguinte: lógico que desejamos um futebol mais bonito sendo apresentado pela equipe, mas mudar drásticamente a ideologia do time em prol de uma causa seria tolice e está sendo exatamente o que está acontecendo com o Chelsea hoje. Roberto Di Matteo mudou demais a forma do time jogar, ainda que o esquema tático seja o mesmo.

CHELSEA: FINAL DA SUPERCOPA DA UEFA.

O que conseguimos ver na final da Supercopa da Uefa, contra o Atlético de Madrid, foi exatamente aquilo que também vimos nas primeiras partidas da Premier League e da Pré-temporada. Nas primeiras partidas da Pré- season, tivemos de 10 a 11 substituições por partida, portanto não dá pra citar jogadores nesses jogos. Na Premier League ocorreram os mesmos erros, mas ainda não posso citar nomes de jogadores nesse esquema. Porém, na final da Supercopa da Uefa, tudo que aconteceu na Pré-temporada e na Premier League se repetiu em um jogo único e com esses jogadores que citarei abaixo:

Tática do Chelsea na final da Supercopa da Uefa contra o Atlético de Madrid.

Ramires jogou o primeiro tempo pelo lado direito e por ali mesmo ficou, exercendo função semelhante a que desempenhava antes do título da Champions, mas com uma diferença: Ramires não tem mais tanta liberdade quanto tinha antes. Hoje, Ramires tem que pegar a bola, correr pra linha de fundo, cruzar ou tentar um drible (o que nem de longe é seu forte). Raramente o jogador brasileiro consegue aparecer como elemento surpresa (qualidade essa que o consagrou no Chelsea).

Fica nítido que, com a chegada de Hazard, algum dos meias teria que se sacrificar e esse papel foi designado a Ramires, por ser mais veloz e por ter mais resistência física. Mas já que Ramires está sendo sacrificado, alguma coisa de muito bom deve estar acontecendo e não poderia ser diferente. Aquilo que todos esperávamos está ocorrendo: a dupla dinâmica de ‘’littles’’ Mata e Hazard está funcionando. Porém, ficou claro que os dois estão revezando demais seus posicionamentos em campo e ao mesmo tempo que isso é bom, porque confunde o adversário, pode ser também ruim, porque pode acabar confundindo os próprios jogadores do Chelsea e foi justamente o que aconteceu. Hazard e Mata, nessa nova tática de Di Matteo, jogam da seguinte forma: quando Hazard está pelo centro criando jogadas, Mata fecha pela esquerda vindo por dentro, e quando o Hazard cai pela esquerda para imprimir velocidade. o espanhol toma conta da criação. Isso é bom? De certa forma sim! Ter jogadores talentosos e inteligentes no elenco ajuda a determinar as capacidades do time e essas inversões de posições durante as partidas, dependendo da posse de bola, é muito benéfico para a qualidade de futebol praticado. Mas sejamos sinceros: Hazard e Mata estão se perdendo nessas inversões e deixando de criar.

Outra mudança significativa que podemos notar é a forma do Mikel jogar. Antes o nigeriano jogava fazendo cobertura e desarmando, e agora joga desarmando e destribuindo passes.

Pois bem pessoal, essa é a minha análise das mudanças que Di Matteo fez taticamente para a mudar a forma do time jogar. Por enquanto estamos meio confusos, já que tivemos uma Pré- temporada ruim, mas tivemos um bom inicio de Premier e quando achávamos que tudo estava perfeito, tomamos uma ‘’paulada’’ vexatória de 4×1 na cabeça. Então agora eu pergunto à vocês: gostaram das mudanças táticas de Roberto Di Matteo?

Category: Opinião

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Article by: Kallil Carlos