Análise da Barca

Malouda vem de duas péssimas temporadas

A partida desta terça, quando os titulares do vice-campeão da FA Cup golearam os reservas do campeão, foi extremamente proveitosa para apontar certas falhas no elenco e indicar com quem Roberto Di Matteo pode realmente contar, não só para a final em Munique, mas para a temporada que vem.

Começando no gol, Ross Turnbull fez uma partida patética e mostrou que não serve para a reserva de Petr Cech. Caso o Chelsea queira ter uma reposição de nível para o camisa 1, Courtois, contratado pelo clube junto ao Genk-BEL e emprestado ao Atlético de Madrid, foi o goleiro menos vazado do Campeonato Espanhol, fora Casillas e Valdés, que jogam nos dois únicos polos da Liga Espanhola.

A Paulo Ferreira basta oficializar a aposentadoria. O pobre lateral foi muito útil ao Chelsea entre 2004 e 2008, e só segue no elenco por generosidade do clube com um atleta bastante profissional. Além de sua função de tradutor dos milhares de jogadores que falam a língua portuguesa no elenco dos Blues e seus treinadores. Sua última partida de verdade pelo clube foi o jogo de ida, contra o Benfica, em Portugal, onde teve uma atuação sólida.

Já do outro lado, Ryan Bertrand, de 22 anos, tem muito mais futuro pela frente. Sua atuação no jogo de hoje foi prejudicada pelo time, mas em outras partidas da Premier League onde entrou em campo com AVB e Di Matteo, mostrou boa técnica, com condições de ser um bom reserva para Ashley Cole. Destaque para o 0x0 com Arsenal em Emirates.

No meio campo, a situação é mais crítica. Certo que Oriol Romeu ainda é jovem, mas a queda de nível técnico, e sobretudo, a desatenção do jogador são assustadores em relação a ano passado, quando foi titular. Cada vez mais desleixado, Romeu tem dormido em campo pelo Chelsea, e não ser que seu comprometimento pelo clube mude, será mais válido um empréstimo do que contar com ele para eventual reserva dos volantes.

Triste mesmo é a situação de Michael Essien. Ele não é sobra do grande jogador que foi, tudo parece dar errado com o ganês: ele posiciona-se mal, está fora de forma, faz faltas cada vez que tenta desarmar e nem de longe tem a qualidade técnica de outros tempos. Ele ainda pode ser extremamente útil ao time na final, em Munique, mas para isso, vai ter de se esforçar muito. Sua solitária partida razoável na temporada foi justamente no histórico 4×1 contra o Napoli, em Stamford Bridge, onde mostrou alguma consistência. Vamos esperar que o segundo bom jogo venha a ser em Munique, caso entre em campo.

Ele pode até merecer uma chance de começar a próxima temporada com uma preparação correta e ter sua última chance com a camisa do Chelsea, mas sua má forma e principalmente, sua fragilidade física (a qualquer momento pode ter nova lesão) indicam cada vez mais que seus dias de Chelsea estão terminando.

Florent Malouda não está melhor. Desde que a temporada do Double terminou, o francês coleciona atuações terríveis com a camisa dos Blues. Foram duas péssimas temporadas, com nível técnico horroroso e nenhum comprometimento dentro de campo. Com a chegada de Marko Marin, no verão, a tendência é que o camisa 15 desapareça mesmo do Chelsea, por mais que dê entrevistas surreais afirmando que sonha em ser o Ryan Giggs do clube, suas atuações dentro de campo são irritantes, afundam o time e demonstram muita falta de vontade e objetividade.

O jovem Daniel Sturridge mostrou, mais uma vez, o que vem mostrando desde que Roberto Di Matteo assumiu: ele não parece pretender atuar sob o comando do italiano. Além da enorme queda técnica em relação a quando o time jogava no esquema de AVB – que atrapalhava todos os jogadores, mas era benéfico apenas ao camisa 23 – o atacante inglês mostra que não está afim mesmo de bola: disperso, sumido, mal posicionado, ele tem sido um a menos para o Chelsea sempre que entra em campo.

Caso outro treinador assuma o clube e pretenda mudar o esquema, talvez ele possa ser boa opção para o futuro. Mas por outro lado, Sturridge demonstrou limitações técnicas, ainda que tenha feito gols importantíssimos pelo clube, sua jogada perigosa de cortar para o meio já ficou manjada, e o atacante não tem como forte o drible nem a velocidade, muito menos o passe, que é seu maior ponto fraco. Como está valorizado, pode ser uma boa moeda de troca ou render algum dinheiro para o clube em uma futura negociação.

Por fim, Romelu Lukaku. Inacreditável que um atacante como ele tenha custado 18 milhões de libras. Fora o preparo físico, não tem nada que um garoto do Youth não teria. O Chelsea jogou dinheiro fora, poderia ter comprado um jogador mais experiente e consolidado em uma liga melhor que a belga.

Não se pode afirmar que o futuro de Lukaku será como o de Sinclair ou Di Santo, ainda que suas últimas atuações sugiram isso – o gol perdido dentro da área hoje foi patético – mas a única forma de salvar o investimento feito sobre o camisa 18 é emprestá-lo, como ele vem pedindo. Em um time onde tenha mais chances, pode mostrar do que realmente é capaz, o que dificilmente conseguirá no Chelsea, que já tem Drogba e Torres para a posição, além de uma lista de especulações sobre possíveis novos atacantes.

Category: Opinião

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Article by: Rodrigo Q