Kenedy não conseguiu vingar no Chelsea (foto: Divulgação)

Analisando emprestados: Kenedy merece nova chance no Chelsea?

Em menos de quatro meses, o Chelsea completará seis anos desde a compra do meia Kenedy, na época a grande promessa do Fluminense. Hoje, com 25 anos, o versátil meio-campista acumula altos e baixos no futebol europeu, colocando-se no seleto quadro de jogadores instáveis que os Blues negociam empréstimos a cada temporada.

Vinculado ao Granada CF até junho deste ano, vivencia a melhor temporada da história do modesto time espanhol, acumulando 40 partidas, sete gols e cinco assistências, com as somas de La Liga, Copa del Rey e UEFA Europa League. Portanto, perto do retorno à Londres para definir seu futuro, resta saber: o brasileiro ganhará fôlego para se provar merecedor e integrar-se ao elenco de Tuchel ou mais uma vez será negociado? Nesse sentido, seria liberado de graça na metade da próxima temporada. Ou seja, Kenedy merece nova chance no clube de Londres?

Antes de iniciarmos a análise do jogador, é importante ressaltar que além do ganho ou perda técnica, uma avaliação deste porte requer um entendimento administrativo. Dessa forma veremos quão vale para o clube se comprometer com uma possível renovação contratual, reajustando assim, seu salário e potenciais luvas e outros bônus. O quão é válido para o jogador estar vinculado se já não há mais intenções de utilizá-lo. E por último e talvez de grande relevância para os dirigentes que moldam as finanças de futebol do Chelsea: seu retorno financeiro.

Quem é Kenedy?

Antes de tudo, Kenedy é natural de Santa Rita do Sapucaí/MG, sempre obteve destaque nas categorias de base do Fluminense, chegando ao status de ser a principal promessa de sua geração – que já tinha Gerson no time principal e Pedro, hoje no Flamengo, como companheiro de time na base.

Surgindo como lateral esquerdo, por sua alta qualidade técnica passou a ser utilizando como ponta esquerda e meia enquanto profissional. Ainda em sua primeira temporada na equipe de cima, já havia feito o suficiente para os Blues investirem oito milhões de euros em sua contratação.

Apesar das expectativas na Premier League, Kenedy já era um jogador de seleção de base – com passagens pela equipe sub-17 e sub-20. Ainda assim foi repassado ao Watford, onde praticamente não entrou em campo. Antes da sua primeira mudança, teve 20 partidas no clube e dois gols. Durante esse período, o meia jogaria praticamente os últimos quinze minutos e teria mais espaço em competições menos privilegiadas, como a Carabao Cup e as rodadas iniciais da FA Cup.

Kenedy, em sua chegada (Foto: Site oficial do Chelsea)

Montanha-russa europeia

Já com bagagem internacional, Kenedy retornou ao Chelsea em 2017 para integrar o time B e ocasionalmente completar o time principal. Durante toda a temporada intercalou o plantel sub-21 e profissionais, somando apenas cinco jogos antes de acertar empréstimo ao Newcastle, onde jogaria por duas temporadas. Tendo a minutagem necessária para mostrar serviço, não empolgou no mediano time dos Magpies, apesar de seu bom início. Ao todo foram 41 jogos e três gols em um time modesto, onde se passaram mais dois anos de seu extenso contrato com os Blues.

Sendo assim, diante das dificuldades no futebol inglês, trocou de país e foi atuar na La Liga. Torneio este, característico pela alta técnica e qualidade individual de suas estrelas, ao contrário do jogo coletivo e intenso da Premier League.

No Getafe, foi relativamente bem, marcando três gols em 27 jogos na equipe, que foi apenas 15ª colocada na competição. Portanto em mais uma nova oportunidade de jogar, acabou aquém e assim, tornando-se de vez um viajante da bola a cada fim de temporada. Sem qualquer brecha para reestrear em Stamford Bridge, permaneceu na Espanha para jogar em um time ainda menor, o Granada.

Entretanto, contrariando todas expectativas, ele foi pilar em um time surpreendente, que envolveu os adversários e conquistou feitos acima do esperado. Titular do Granada, fez bonito na La Liga e UEFA Europa League, onde duela com o Manchester United nas quartas-de-final da competição e integra o top-8 da La Liga, onde soma 27 partidas e três gols. Ao todo, o meia já tem 40 jogos e sete gols marcados no atual time e tudo indica que ao fim da temporada, encerrará seu quinto empréstimo em cinco temporadas consecutivas.

Kenedy merece nova chance no Chelsea?

Ao considerarmos o histórico do jogador, o brasileiro hoje, no máximo, será um versátil meia-lateral que pode completar grupo. Analisando seu potencial e feitos, dificilmente merecerá nova chance nos azuis do oeste londrino. Apesar da realidade citada, ele pode ser útil devido a sua qualidade técnica. Porém, com apenas mais uma temporada de vinculo com os Blues, poderá assinar pré-contrato em janeiro e sair de graça caso não renove. Após o time injetar oito milhões, ainda que não lucre ao final das contas, seria interessante vendê-lo para repor parte do dinheiro de 2015.

Com isso, o meia que hoje talvez viva seu melhor momento desde sua saída do Brasil há seis anos, vive um cenário ainda obscuro. Em caso de uma improvável renovação, seguirá sendo repassado até um clube bancar sua contratação em definitivo, ou deixar Londres de forma gratuita na metade do próximo ano.

Ainda sem quaisquer proposta formal, Kenedy tem alguns rumores ligados ao retorno para futebol brasileiro e até mudança para outra equipe espanhola.

Por fim, pensando nos Blues, hoje o time está repleto de jovens promissores nas posições de atuação do Kenedy. Pelo lados de campo, atuam Timo Werner, Hudson-Odoi, Hakim Zyiech e outros jogadores que completam elenco no time atual.

Category: Opinião

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Article by: Gabriel de Oliveira

Jornalista, natural do Rio de Janeiro, possuo 23 anos de idade e bagagens pelas editorias de futebol nos sites Vavel Brasil, Ludopédio e Esfera Esportiva. Também integrei a equipe de editores da página Bate-Bola Inglês no Facebook e sou autor de dois livros: A importância das mídias alternativas no jornalismo moderno e Vizinhos Distintos: o caos no Haiti e o paraíso dominicano.