Relatório de empréstimos: avaliação de meio de temporada

A temporada 2022/23 no Chelsea tem sido muito atípica como um todo. Para além da mudança de gestão, o clube passa por uma reformulação quase que completa no corpo de diretores e em algumas áreas do staff técnico. Na área dos empréstimos, Carlo Cudicini é o grande responsável, com Andy Myers, ex-treinador da equipe sub-21, fazendo parte da equipe como treinador técnico de jogadores emprestados.

Mas uma coisa permanece: a importância dos empréstimos, sobretudo para o desenvolvimento dos jovens talentos do clube.

Os destaques

Em seu terceiro empréstimo, mais uma vez, Ian Maatsen está se saindo bem. É um dos nomes de confiança de Vincent Kompany, não apenas contribuindo defensivamente, mas também no ataque: são oito participações diretas em gol para o lateral esquerdo na temporada.

Apesar das dores de cabeça que Graham Potter tem tido pelo lado esquerdo, com as lesões de Ben Chilwell e as atuações inconsistentes de Marc Cucurella, Maatsen deve seguir com os Clarets até o fim da temporada. Contudo, deve chegar em Cobham para a próxima pré-temporada buscando desafiar a competição por uma chance no Chelsea.

Callum Hudson-Odoi outro que tem tirado muitos benefícios de seu empréstimo até aqui, sem dúvidas, abrindo os olhos do Chelsea em relação ao seu futuro. O atacante se tornou uma peça regular no time do Bayer Leverkusen e, mesmo com a troca de treinadores, seu status não foi alterado.

Hudson-Odoi foi fundamental para a classificação do Bayer para os play-offs da Europa League e também tem feito boas atuações pelo clube na Bundesliga, apesar da fase do time não ser das melhores. Jogando na Alemanha, onde a fisicalidade é bastante presente, Callum tem recuperado alguns aspectos que chamavam atenção em seu jogo nos tempos de academia. Mesmo tendo a possibilidade de chamar Hudson-Odoi de volta nesta janela de inverno, é bem improvável que o Chelsea o faça.

Por sua vez, Levi Colwill quase foi vendido ao Brighton na última janela de verão, mas ainda bem que o Chelsea conseguiu limitar a ida do jogador ao sul da Inglaterra a um empréstimo até o fim da temporada. Demorou até que Levi conseguisse ter tempo real de jogo, mas, desde que conseguiu, não para de impressionar.

Com lesões na defesa, Roberto De Zerbi deu mais oportunidades a Colwill que logo correspondeu. Sendo assim, o jovem zagueiro segue figurando entre os XI iniciais há algumas partidas e vem performando de forma incrível e (re)lembrando o porquê dele ser um dos prospectos ingleses mais animadores dos últimos anos.

 

Achando o caminho

O empréstimo de Sam McClelland ao Barrow é o melhor para começar esta seção, já que seu empréstimo vinha sendo ótimo até o baque que sofreu em outubro.

Assim que chegou ao time da League Two, Sam assumiu a titularidade e se tornou um pilar da defesa. Porém, identificaram uma hérnia no jogador e ele está fora dos gramados desde então. A expectativa é que o zagueiro retorne no início deste ano, mas uma lesão pode mudar muito o curso da temporada. Além disso, estando em seu último ano de contrato, o empréstimo pode afetar diretamente a permanência de Sam no oeste de Londres.

Lucas Bergström saiu em empréstimo para o clube da League One, Peterborough United, e logo de cara teve de competir pela titularidade com outro goleiro que chegou ao clube por empréstimo. No entanto, o guarda-redes sueco saiu na frente e assumiu a posição.

Logo, Lucas tem boas chances e tem correspondido, continuando as boas performances que teve em seus anos na academia do Chelsea. Lógico que, até, houveram erros da parte do jovem goleiro, o que é normal na vida de quem joga na posição. Ainda mais para alguém que está em formação. Em suma, a experiência e as impressões tem sido positivas.

Outro goleiro que deixou o Chelsea em empréstimo foi Jamie Cumming, que retornou para o MK Dons após já ter passado a temporada 2021/22 no clube. Junto a Cumming, Henry Lawrence, que teve um bom empréstimo para o AFC Wimbledon na última temporada, também fez o movimento de empréstimo para o Stadium MK.

Os jovens Blues tem tido boas chances até aqui, mas, com a chegada do novo treinador, esperam ainda mais minutos nesta segunda metade da temporada.

Bryan Fiabema, atacante norueguês, é mais um jogador do Chelsea que saiu em empréstimo para um clube da League One: o Forest Green Rovers. Fiabema tem suas chances, mesmo sendo mais uma peça de rotação. Até aqui, tem um gol e duas assistências pelos Rovers.

Enquanto isso, outro atacante saído de Cobham está buscando seu espaço no Leyton Orient, da League Two. Jayden Wareham teve poucas chances até aqui, apesar de ter marcado dois gols em 10 minutos na sua estreia como titular pelo clube diante do Sutton United no EFL Trophy. Além disso, criou boas chances enquanto esteve em campo, ainda assim, não conseguindo reverter sua posição como reserva.

Jayden Wareham foi o segundo maior jogador com contribuições para gols no Dev. Squad em 2021/22 (Reprodução: jay.wareham/Instagram)

Dujon Sterling é mais um jogador das categorias de base do Chelsea que já vivenciou experiências de empréstimo anteriormente. Depois de passar uma temporada com o Wigan e outra com o Blackpool, Sterling, desta vez, rumou ao Stoke City onde estava fazendo boa temporada e mostrando clara evolução.

Porém, o lateral acabou se lesionando e está de volta a Cobham para fazer tratamento. Coincidentemente, a lesão de Dujon coincidiu com a de Reece James o que o torna uma opção inviável para substituir o camisa 24 dos Blues – apesar de ter muitos dos atributos necessários para ser uma alternativa viável a James.

Ethan Ampadu voltou para a Itália nesta temporada, desta vez, para defender o Spezia. Porém, a situação é bastante parecida com a que viveu na última temporada com o Venezia – e também em 2020/21 com o Sheffield United. Ou seja, mais uma vez, Ampadu está em um clube que luta para permanecer na elite do futebol nacional. Ainda assim, o galês tem aproveitado bem as chances que tem recebido, geralmente, jogando como meia central ou defensor central.

Abaixo das expectativas

Não tem como começar com outro nome aqui sem que seja Tino Anjorin. O jogador, que defendeu o Huddersfield na última temporada, voltou para o John Smith’s Stadium para jogar pelos Terriers. No entanto, como em 2021/22, se vê assombrado por uma lesão grave, desta vez no tornozelo.

O meia atacante precisou operar e ficará mais tempo fora dos gramados. Na última temporada, Anjorin acabou ficando grande parte da temporada se recuperando de uma fratura no pé. Quando teve chances, saudável, atuou com regularidade e acumulou importantes minutos.

Rumando para o noroeste da Inglaterra, são três nomes Blues em empréstimo ao Hull City. Nathan Baxter, goleiro de 24 anos, está em sua segunda temporada com os Tigers, desta vez, com a opção do Hull City comprá-lo ao fim do contrato de empréstimo. Baxter demorou a receber sua chance na Championship 2022/23, mas conseguiu seu espaço e logo se tornou titular. Contudo, uma lesão o afastou dos gramados por um tempo e até aqui ele não conseguiu retomar a titularidade.

Xavier Simons é mais um dos emprestados do Chelsea ao Hull que recebeu algumas poucas oportunidades até aqui, e o mesmo acontece com Harvey Vale. Porém, a ausência de Vale tem certa base por conta de uma lesão que sofreu em outubro enquanto servia a Seleção Inglesa Sub-20. Mesmo assim, são muitos poucos minutos para o meia e para o atacante do Chelsea, que são duas das grandes promessas de Cobham.

Vale e Simons foram titulares pela primeira vez juntos no Hull na partida contra o Fulham pela FA Cup. Ambos fizeram boas apresentações, jogando cerca 60 e 70 minutos respectivamente. Foto – Alex Dodd – CameraSport

A expectativa é que Vale e Baxter retornem ao Chelsea em janeiro, enquanto Simons deve seguir em Hull sob o comando de Liam Rosenior – que tem a grande tarefa de organizar o clube do noroeste inglês depois de assumir o comando da equipe em novembro.

Enfim, o empréstimo de Joe Haigh à equipe sub-21 do Derby County começou de forma bastante promissora. Mas, Haigh foi mais um jogador assombrado pelas lesões e está afastado dos campos desde setembro. Com o contrato de empréstimo aos Rams sendo válido por metade da temporada, então, o meia atacante retornará a Cobham – seja para jogar pelo sub-21 ou para sair em outro empréstimo (caso esteja recuperado).

O restante do esquadrão dos emprestados

O goleiro Ethan Wady é a segunda opção no Woking, da National League. Por sua vez, Romelu Lukaku voltou à Inter e sua segunda passagem em Milão está sendo totalmente diferente do que os torcedores, o jogador e o clube. Não apenas pelas performances, mas também pelas lesões.

Baba Rahman retornou para sua segunda temporada em empréstimo ao Reading e tanto ele como Lukaku estiveram representando suas seleções (Gana e Bélgica, respectivamente) no Catar durante o mês de dezembro. Na França, Malang Sarr tem atuado pouco pelo Mônaco enquanto, na Itália, Tiémoué Bakayoko segue no Milan, mas sem jogar um minuto sequer até o momento.

Entre Lukaku, Rahman, Sarr e Bakayoko, é improvável que vejamos qualquer um deles vestindo a camisa do Chelsea novamente.

Chelsea Women

Jorja Fox está em seu segundo período de empréstimo. Na última temporada, defendeu o Charlton Athletic e em 2022/23 veste a camisa do Brighton. Jorja logo conquistou espaço no clube do sul da Inglaterra e faz um bom empréstimo até aqui, sobretudo por estar jogando em uma equipe competitiva da elite do futebol feminino inglês.

Fox em ação pelo Brighton (Reprodução: jorjarfox/Instagram)

Charlotte Wardlaw foi emprestada ao Liverpool pela segunda temporada consecutiva. As Reds retornaram para a primeira divisão e a expectativa era de que Charlotte tivesse espaço na mesma medida, ou ainda mais, do que teve enquanto o clube estava na segunda divisão. Porém, isso não aconteceu.

O Liverpool utilizou pouquíssimo a jogadora na primeira metade da temporada e o Chelsea optou por chamar a jogadora de volta pouco depois da abertura da janela de transferências de inverno. Agora, Charlotte está com a equipe de Emma Hayes na Espanha, onde fazem um período de treinos antes do retorno da FA Women’s Super League em meados de janeiro.

Por sua vez, Aggie Beever-Jones está emprestada ao Everton nesta temporada. Portanto, a jogadora é mais uma das emprestadas que joga na divisão mais alta do futebol feminino inglês e com regularidade, em um clube que conta com uma boa base de jovens no elenco. Um passo muito importante em seu desenvolvimento.

Emma Thompson é mais um produto da academia do Chelsea, como as três citadas anteriormente. Emma saiu em seu primeiro empréstimo este ano e está defendendo o Lewes, que disputa a Women’s Championship, com o objetivo de ganhar experiência no nível profissional.

Thompson tem dois gols pelo Lewes (Reprodução: lewesfcwomen/Instagram)

Por fim, Lucy Watson deixou o Sheffield United rumo às Blues em julho de 2022 e logo foi confirmado que ela seria emprestada ao Charlton Athletic. No entanto, Watson rompeu o ligamento cruzado anterior logo no início da temporada e seu empréstimo foi terminado. A atacante retornou à Cobham e faz sua recuperação acompanhada dos médicos do Chelsea.

Category: Conteúdos Especiais

Tags:

Article by: Nathalia Tavares