Partidas Históricas: Um título de despedida

Vamos recordar a temporada 2008/2009 dos Blues, e contar uma pouco de duas passagens de técnicos por Stamford Bridge durante esse período. Passagens que foram totalmente opostas.

O primeiro chegou debaixo de muito holofote e grandes expectativas, mas com o tempo perdeu o crédito e sua filosofia de trabalho não agradou ao elenco, logo depois foi demitido.

O segundo foi contratado como interino para comandar a equipe por cerca de quatro meses. Com muito treinamento organizou bem a equipe, conquistou jogadores e torcida. E para coroar sua estadia em Londres, teve uma despedida inesquecível e emocionante.

Fracasso brasileiro

Foto: Wander Roberto - Gazeta
(Foto: Wander Roberto – Gazeta Press)

Luiz Felipe Scolari foi o técnico escolhido para guiar o Chelsea às conquistas na temporada 2008/2009. O brasileiro foi apresentado no dia 1 de julho de 2008 e tinha contrato com o clube londrino até julho de 2010.

Felipão teve pouco recurso financeiro para reforçar o elenco blue, sua única contratação de calibre foi a do meio campista Deco, ex-Barcelona. Sob o comando do técnico também chegaram Mineiro e Quaresma.

O desejo maior de Felipão era Robinho. Em má fase no Real Madrid, ele tinha tudo para fechar com o Chelsea. Porém o negócio não aconteceu e Robinho foi para o Manchester City. Frustrando assim os Blues, Felipão e o próprio Robinho, que queria muito jogar no clube londrino.

(Foto: Chelsea FC)
(Foto: Chelsea FC)

Durante sua passagem por Stamford Bridge, o técnico brasileiro teve altos e baixos no comando da equipe.

Pré-temporada começava bem para o brasileiro- Foram cinco jogos, quatro vitórias e um empate, 19 gols marcados e apenas um sofrido. Para provar o sucesso dos amistosos, uma goleada no Milan por 5-0.

Ótima estreia na Premier League – Com uma vitória por 4-0 diante do Portsmouth, com direito a um golaço do seu contratado Deco, a caminhada do novo técnico em jogos oficiais começava de forma perfeita.

Vitória em cima do City de Robinho – Com o time de Manchester engasgado, o Chelsea venceu o seu mais novo rival de virada, 3-1 fora de casa. Apesar de ter marcado, Robinho sabia que a escolha melhor realmente era o time de Londres.

Empate em dois clássicos – Diante do Tottenham e Man.United resultados por 1-1 no Stamford Bridge. Começava aí, um dos grandes pesadelos de Felipão durante sua passagem pelos Blues: os clássicos.

5-0 no Middlesbrough, fora de casa – Goleada para dar ânimo e confiança a equipe, na teoria sim, na prática… Só se tratou da partida anterior de uma das maiores decepções dos fãs Blues.

A quebra da invencibilidade do Chelsea em Stamford Bridge – Um dos maiores orgunhos dos torcedores do Chelsea foi por água abaixo: ser imbativél no seu histórico estádio. Eram 4 anos e 8 meses (86 jogos) invictos em casa, e Felipão ficou marcado por romper essa sequência. Derrota para o Liverpool, 1-0.

Recuperação contra o Hull, com direito a golaço de Lampard – Logo após a derrota para o Liverpool, os Blues venceram o Hull City por 3-0, Lampard fez mágica.

Novo 5-0, e um jogador se mostrava fundamental para Felipão- Com um Hat-Trick de Anelka, o Chelsea goleava mais um adversário na Premier League. A partida e a fase de Anelka mostravam que o francês era um dos principais jogadores dos Blues e de Felipão na temporada.

Drogba insatisfeito – Um dos erros graves de Felipão foi dizer que Anelka e Drogba não podiam atuar juntos na equipe titular. E com o francês jogando muita bola, sobrou para o marfinense o banco de reservas.

(Foto: Getty Images)

Mais uma derrota em casa, desta vez, para o Arsenal – E os pesadelos dos clássicos continuavam a perseguir Felipão. De virada, os Blues foram derrotados pelos Gunners, 2-1. Insucesso que tirou o Chelsea da primeira colocação.

Mais dois fracassos e corda no pescoço – Um empate por 2-2 com o Fulham e uma derrota humilhante para o Manchester United por 3-0, faziam da próxima partida de Felipão nos Blues fundamental para sua continuidade na equipe.

(Foto:Reuters)

Foi épico e arrepia até hoje. Uma vitória emocionante diante do Stoke City, por 2-1, mantinha Felipão no cargo e prometia uma reviravolta em seus comandados Blues.

Relembre a partida!

Mais uma vez, derrota para o Liverpool – E a ressurreição de Felipão não aconteceu coisa nenhuma. Um jogo após a partida contra o Stoke, nova derrota para o Reds, desta vez por 2-0 no Anfield. Derrota que jogou o Chelsea para o quarto lugar na tabela.

Pressão gigantesca pra cima do brasileiro.

 0-0 com Hull City no Stamford Bridge, foi o fim da era ‘big Fill’ – Em uma partida totalmente apática dos Blues, Felipão não resistiu. Demissão mais que necessária, já que o time não queria mais o treinador.

“Infelizmente, os resultados e o desempenho do time parecem ter se deteriorado num momento crucial da temporada. A fim de manter-se na disputa pelos troféus que ainda estão em jogo, nossa única opção foi fazer a mudança agora”, dizia o comunicado. (Foto: Chelsea FC)

Na sua passagem por Londres, Felipão teve um aproveitamento de 62%, com dezenove vitórias, dez empates e sete derrotas, totalizando trinta e seis partidas disputadas.

Carequinha interino a frente dos Blues

(Foto: Clive Mason/Getty Images)
(Foto: Clive Mason/Getty Images)

Com a saída de Felipão do comando do Chelsea, o cargo de treinador ficou vago. E como solução imediata, Ray Wilkins foi encarregado de assumir os Blues. Porém o interino dirigiu o Chelsea em apenas uma partida: vitória sobre o Watford, por 3-1, fora de casa, pela FA Cup, com direito a três gols de Anelka. Seu substituto já assistia a partida nas arquibancadas.

Ao lado de Roman Abramovich e Bruce Cuck, Guus Hiddink assistia a vitória dos Blues diante do Watford. (Foto: Richard Heathcote/Getty Images)

Guus assume os Blues

Ainda com chances de conquistas em duas frentes: Champions League e na FA Cup, o holandês assumia o azul de Londres. O treinador chegava com prazo de validade, ficaria somente até o fim da temporada 2008/2009. Pois mesmo assumindo o Chelsea, ele não deixou para trás o cargo de técnico da seleção russa.

Foram poucos, mais marcantes momentos de Hiddink no Chelsea. Felicidades, frustrações e uma despedida emocionante marcaram sua jornada em Cobham.

Na Premier League, campanha excelente, com apenas uma derrota sob o seu comando a equipe garantiu a 3º colocação e alcançou com facilidade um dos seus primeiros objetivos: garantir a vaga direta na próxima Champions League.

Na competição europeia, grandes partidas.

O Chelsea já estava nas oitavas da Champions. O clube chegou ao mata mata ainda sob o comando de Felipão, que conseguiu uma campanha de 2º lugar na fase de grupos.

Restou pela frente a Juventus. Que foi superada: 2-2, na Itália; 1-0 em Londres.

Nas quartas, o Liverpool. Mais um grande foi superado: 3-1, em Anfield; 4-4, no Stamford Bridge. Dois jogos memoráveis.

Semi final, o maior desafio: Barcelona. Na casa do rival, 0-0 e muito sufoco. Em casa, um empate injusto por 1-1, que tirou o sonho da esperada revanche contra o Man.United na final do torneio europeu. Essa partida foi marcada pela péssima atuação da arbitragem.

Uma das maiores decepções da história do time londrino.(Foto: Reuters)

Restava ao Chelsea a FA Cup.

Sob o comando de Hiddink, Coventry City e Arsenal foram superados na copa nacional, alcançando assim a grande final da competição.

Para Guus e os Blues, a final da FA Cup era a última cartada.

Não era ‘apenas um título’. Significava um título dedicado a despedida de Hiddink, mais do que ele, os jogadores queriam isso.

(Foto: Wikipédia)

Em 30 de Maio de 2009, Everton era o adversário do Chelsea na final da competição mais velha da história do futebol.

Wembley recebia a festa, quase 90 mil torcedores azuis… E amarelos.

“Amarelo é a cor”: O Chelsea perdeu o sorteio que antecedeu o jogo e teve que ir a campo de amarelo. (Foto: Getty Images)

De amarelo, o Chelsea entrava em campo para buscar o penta da competição. Motivação não faltavam para o time londrino. Porém, o Everton também tinha sede de título. E logo tratou de mostrar isso.

Aos 25 segundos de partida, um time que tinha como principal objetivo se defender diante de um adversário superior, abre o placar de forma surpreendente e histórica.

Gol mais rápido de todas as finais da FA Cup.

Saha foi o autor do marcante gol.

Depois do gol, o Everton, mais do que nunca, só se defenderia dos ataques dos Blues.

O gol de Saha, aos 25 segundos, superou o recorde de um ex-Blue, Di Matteo, na Final da FA Cup em 1997, havia marcado contra o Middlesbrough com 43 segundos de partida. (Foto: Reuters)

Vídeos: A história sendo reescrita.

Não foi o começo ideal, mas ainda restavam 89 minutos e 35 segundo para o Chelsea empatar e virar.

Com o seu lado esquerdo inspirado, composto por Ashley Cole e Malouda, o Chelsea buscava por ali o gol de empate. Porém, as primeiras finalizações do time londrino aconteceram pelo meio campo, com Lampard, em cobrança de falta, e Essien, com um chute de fora da área que passou longe.

O gol já parecia questão de tempo, era muito evidente a superioridade do Chelsea. E o empate aconteceu…Com o mister Wembley.

Aos 20 minutos de partida, Anelka fez boa jogada e tocou para Lampard, o meia foi rápido e mandou a bola para Malouda, que dominou e cruzou para área do Everton.

A bola veio perfeita e encontrou a cabeça de Drogba.

O atacante que até aquele momento vinha bem marcado, se infiltrou entre os zaqueiros Joseph Yobo e Joleon Lescott e com muita categoria e seu faro de matador não perdoou Tim Howard. Cabeçada forte e precisa no canto deixando o goleiro sem reação.

(Foto: PA)

Vídeo: Gol de Drogba


Empate dos Blues, amarelos.

Tudo igual na grande final, o sonho do título voltava a ficar mais perto e a tensão por começar atrás do marcador era superada.

Três minutos mais tarde, Lampard quase virou em uma finalização de longe.

O Chelsea tinha mais posse de bola e chegava com mais perigo ao gol adversário. Porém, a virada do placar não seria nada fácil, o Everton se defendia muito bem.

O primeiro tempo terminou mesmo em 1-1, jogo de paciência para o Chelsea.

Sabendo do domínio territorial dos Blues na primeira etapa, principalmente na esquerda, o técnico do Everto, David Moyes, trocou seu lateral-direito. Novo marcador para a dupla Cole e Malouda.

O segundo tempo começou bem pegado, com poucas chances de gols e muitas faltas.

60 minutos, e Hiddink fez sua primeira substituição: colocou Ballack no lugar de Essien e soltou um pouco mais a equipe.

A partida continuou truncada. Mikel era quem mais combatia pelos Blues.

Nesse meio tempo de partida mais física, foi o Everton que levou perigo. Em dois lances de bolas aéreas, Cahil e Saha finalizaram, porém não obrigou Cech a trabalhar.

O fim do jogo se aproximava. As equipes já não buscavam o gol com tanta intensidade.

20 minutos para o apito final.

Frank Lampard;

Um dos maiores jogadores da história do Chelsea estava discreto na partida. Mas para poder decidir, o craque que leva o número 8 atrás do seu uniforme, precisava de apenas uma bola boa.

E aos 71 minutos, a bola encontrou o pé esquerdo do meia, que não é a mais especial.

E de canhota mesmo, a 25 metros do gol, ele soltou a bomba. Chute venenoso e sem chances para o goleiro Howard, que ainda chegou a resvalar na bola.

Delírio em Wembley.

20º gol de Lampard na temporada, esse sem dúvidas, o mais importante. (Foto: Chelsea FC)

Super Frank sai correndo para comemorar de forma inédita: dando um volta na bandeirinha de esquanteio. Lembrando o seu pai, que em 1980, contra o mesmo Everton, na mesma competição, em uma semi final, marcou pelo West Ham e comemorou desse mesmo jeito.

Vídeos: Tal pai, tal filho.

 

Mais uma vez Lampard foi decisivo, agora, faltando 19 minutos para o apito final, o Chelsea estava a frente do marcador.

Fazendo mais uma fez história na FA Cup.

(Foto: Wikipédia)

E a equipe londrina queria mais. Logo depois do gol de Lampard um lance polêmico na partida. Malouda, um dos destaques do Chelsea, soltou um chutaço, a bola foi no travessão e quicou dentro do gol, porém o juiz não validou o gol. Erro grave contra o Chelsea.

Os Toffees precisavam atacar, mas a experiência do elenco Blue fez a diferença nos minutos finais da partida, com trocas de passes o time manteve a posse de bola.

Aos 89 minutos, em chute de longe de Cahill, o Everton chegou ao gol de Cech, porém não levou perigo.

Faltavam ainda quatro minutos de acréscimos.

Que nada mudaram o rumo da partida.

Apito final.

(Foto: TheFA.com)

Chelsea Penta Campeão da FA Cup.

Com muita emoção Guus Hiddink e os jogadores fizeram festa no gramado. Comemoração em tom de despedida.

Declarações dos dois treinadores:

Hiddink levou tanto tempo para sair do vestiário depois do jogo, que houve até uma especulação de que ele poderia ter mudado de idéia sobre deixar o clube, mas não. “Peço desculpas pela demora”, disse ele. “Nós todos estávamos fazendo uma festa de despedida. Isso é quase a despedida perfeita, mas devo dizer que teria sido ainda melhor se tivéssemos ido para outra final há poucos dias. Não é só porque eu queria estar em Roma, mas eu adoraria ter jogado contra o Manchester United coisa que eu nunca tive a chance. Estou contente por ter ganho este troféu antes de sair. Mas este clube deve ganhar muitos troféus a cada temporada. “

“Eles foram a melhor equipe e aproveitou as melhores condições do que nós. Se o Chelsea tivesse ido para o jogo sem Drogba, Terry e Lampard, nós teríamos uma melhor chance? Eu acho que sim. Nós fomos a campo sem Yakubu, Phil Jagielka e Mikel Arteta e eles são o equivalente a esses jogadores.”

Presentes finais para Hiddink

Depois da partida o treinador revelou uma curiosidade:

“Durante o jantar, na noite antes da final, eles me ofereceram dois presentes. Um deles era uma camisa emoldurada onde todos assinaram. Ela veio de coração… E eles também me deram um lindo relógio. Eu normalmente não uso relógio, mas esse eu vou usar”, disse o treinador.

O relógio foi um Rolex Daytona avaliado em 15 mil libras.

Escalações das duas equipes na final:

(Foto: Wikipédia)

Campanha do título:

Third Round

Chelsea 1-1 Southend United

Gol: Kalou 31′

Southend United 1-4 Chelsea (Replay)

Gols: Ballack 45′, Kalou 60′, Anelka 78′, Lampard 90′

Fourth Round

Chelsea 3–1 Ipswich Town

Gols: Ballack 16′, 59′, Lampard 85′

Fifth Round

Watford 3–1 Chelsea

Gols: Anelka 75′, 77′, 90′

Sixth Round

Coventry City 0–2 Chelsea

Gols:Drogba 15′, Alex 72′

Semi-final

Chelsea 2-1 Arsenal (Wembley)

Gols: Malouda 33′, Drogba 84′

(Foto: Reuters)

O título da FA Cup 2009 selou uma passagem marcante de um treinador vitorioso e muito querido por Stamford Bridge.

Hiddink trasformou a equipe do Chelsea dentro de campo e fora dele, em pouco tempo de trabalho, apenas 4 meses, conquistou facilmente a torcida e os jogadores do time londrino. Sua passagem marcou.

O caneco da FA Cup foi um título muito merecido para o holandês, que ficará para sempre marcado na brilhante história do Chelsea.

(Foto: PA)

Artilheiro da temporada –

(Foto: Espn.com)

Anelka foi o artilheiro dos Blues na temporada 2008-2009 com 25 gols, desde o começo na pré temporada o francês já mostrava que essa temporada seria especial para ele. Ainda sob o comando de Felipão, Anelka marcou quatro gols em uma vitória por 5-0 diante do Milan, em amistoso.

Com Drogba machucado, Anelka foi o atacante titular durante o começo da temporada e impressionou. Ele foi premiado com o prêmio de melhor jogador da Premier League do mês de Novembro em 2008.  E mesmo com a volta de Drogba manteve-se na equipe titular. Com Guus Hiddink, Anelka atuou de ala mas manteve a performa-se. O camisa 39 marcou três hat-trick na tempora. E foi o artilheiro da Premier League, o que lhe valeu a Bota de Ouro com 19 gols no total.

Lampard foi o líder de assistências e melhor jogador da temporada (Foto: Adrian Dennis/Getty Images)

Resultados finais da temporada:

Jogos: 59
Vitórias: 37
Derrotas: 07
Empates: 15
Gols marcados: 110
Gols sofridos: 44

Category: Conteúdos Especiais

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Article by: Luan Gomes