Um bom momento para sorrir

A derrota para o Liverpool nos pênaltis na Supercopa da UEFA foi muito pequena. Quem assistiu nessa quarta-feira (14) a segunda partida oficial do Chelsea na temporada dormiu a noite com muitas certezas de que o time fará um grande ano sob as mãos de Frank Lampard. Se a goleada sofrida contra o Manchester United mascarou o potencial do time para o torcedor mais cético, a partida de ontem abriu os olhos do mesmo.

Seja com os jovens ou até mesmo com os mais veteranos, os Blues fizeram ontem em Istambul uma grande apresentação. Jogamos de igual para igual para um time que é soberano na Inglaterra e que foi campeão da Europa com toda a justiça. E mais. Numa partida onde ficou evidente que Lamps rodou o elenco e preservou os nossos jogadores.

Mesmo sem ter Maurizio Sarri a beira do gramado, ontem pareceu em alguns momentos que o time tinha a cara do italiano. Fulminantes acelerações de jogadas, um time consciente taticamente e que sabia o que fazia com a bola nos pés. Se o ‘Sarribol’ era uma ideia, certamente ela foi plantada e floresceu nos Blues. Lindo de ver.

Os veteranos

Ainda sem o melhor condicionamento físico, foi gratificante ver a disciplina tática e a entrega de Pedro pelo lado direito do ataque. O espanhol nunca chegou a ser uma unanimidade entre a torcida. Mas, começou a conquistar seu espaço no coração gelado do londrino (ou pelo menos no meu paulista).

Um dos mais veteranos do elenco, Pedro ainda é importante na equipe (Foto Chelsea FC)

Azpilicueta é um líder nato. A braçadeira de capitão não poderia estar em outro lugar que não fosse no braço do nosso lateral-direito. Ainda buscando o melhor ritmo de jogo, o espanhol parece conhecer bem seus companheiros e vai ser fundamental para dar os ajustes finais no sistema defensivo.

Na frente, Giroud continua sendo artilheiro em jogos decisivos. Ontem, ele fez o dele e foi substituído porque cansou. O francês será uma boa opção para Lamps durante a temporada. Se não titular absoluta, pelo menos uma grande alternativa para Abraham e Batshuayi.

Os jovens

Para quem não consegue ou não tem o hábito de acompanhar a Championship (segunda divisão inglesa) certamente ficou bem satisfeito na tarde de ontem. Tomori, o garoto de 21 anos entrou no lugar de Christensen no fim da segunda etapa e contribuiu para segurar os insinuantes ataques do Liverpool.

Ouso dizer que a comissão técnica/diretoria acertou ao facilitar a ida de David Luiz ao Arsenal. Tomori, junto com Christensen e Zouma têm condições totais de formar uma grande dupla de zaga ao lado de Rudiger. Essa vai ser talvez uma das maiores disputas por posição na temporada.

Assim como Tomori, Mount segue conquistando cada vez mais torcedores desconfiados. O inglês jogou pelo lado esquerdo do campo na decisão e foi muito bem. Versátil em qualquer posição do meio-campo ofensivo, ele tem muitas chances de ser figura presente no Chelsea 2019/20.

Garoto entrou na partida e mostrou que o Chelsea está muito bem servido na posição (Foto: Metro)

Já Abraham mostrou ainda mais seus atributos. Perdeu o pênalti decisivo, é verdade. Mas, calma, o garoto é talentoso e não se surpreenda se deixar Batshuayi e Giroud amargando o banco durante a temporada. Diferente dos usuais centroavantes grandalhões, Abraham é veloz. Isso numa equipe jovem e que joga com a velocidade é fundamental. Precisa ainda ajustar a finalização. Se isto fizer, poderá até brigar para estar na seleção da Inglaterra junto a Harry Kane.

Mesmo com dois resultados negativos, o cenário está longe de ser de terra arrasada pelos lados de Stamford Bridge. Pelo contrário. Cada vez mais me encho de confiança e certeza de que a temporada será boa não só nos resultados, como no futebol apresentado dentro das quatro linhas.

As palavras neste texto condizem com a opinião do autor, não tendo qualquer relação com o Chelsea Brasil

Willian Guerra