Novas considerações sobre a implementação do Sarribol

“Nós ainda estamos trabalhando no nosso jeito de se defender baseado na posição da bola e pressionando na maneira correta”, disse Maurizio Sarri. “Temos mais trabalho para fazer”, completou.

Ok, esse discurso de que a equipe está melhorando ou vai melhorar em alguns meses já foi colocado em debate por várias ocasiões nesta coluna. O início de campeonato é absolutamente empolgante, os resultados, o modo ofensivo de atuar, a pressão sobre o adversário. A partida diante do Bournemouth foi mais uma prova do encanto desta proposta tática e desse modelo de jogo. Certamente, Maurizio Sarri deve estar majoritariamente feliz com o desempenho do plantel.

O Chelsea teve a posse de bola superior, o número de finalizações maior que o adversário e foi uma equipe mais incisiva. A equipe não foi mal, pelo contrário, foi um time que fez valer o fator “campo” e conseguiu se impor em relação ao Bournemouth. Entretanto, dois aspectos devem incomodar Maurizio Sarri nesta fase do progresso londrino.

Primeiro ponto

O primeiro ponto é o poder de fogo da equipe. Vamos tomar de base os números do último jogo: Se você finaliza 24 vezes, não pode acertar apenas seis vezes ao gol. É um raciocínio simples e bastante lógico. Não podemos colocar essa situação (ou essa estatística) como dependente de um futuro promissor. Ou seja, que esse fato será sanado daqui semanas ou meses de treinamento. A equipe conta com Hazard, Pedro e Willian para a criação de jogadas e para finalizações também. Entretanto, Morata e Giroud precisam ser mais ativos, mais presentes (e efetivos) nas situações de jogo.

Desta forma, a equipe tem mais de 700 passes e 72% de posse, mas no último toque erra regularmente. O questionamento é “Como recolocar dois centroavantes que não estão produzindo dentro desse cenário de reconstrução tática?”. Ou seja, recolocar centroavantes na proposta tática que é moldada por muita produção de atacantes e meio-campistas criativos do Chelsea.

Segundo ponto

O segundo ponto é a tal da distância entre as linhas dos atletas. A equipe trabalha baseado em um conjunto com marcação de distância entre os próprios atletas do Chelsea. Essa é a proposta que Sarri deseja e vem implementando do time londrino. Atualmente, é o ponto mais abstrato, afinal, requer uma readaptação profunda do setor defensivo. Um exemplo disso é Marcos Alonso. Ao mesmo tempo que o espanhol é um atleta maravilhoso no aspecto de apoiar o ataque, ele precisa melhorar na recomposição defensiva. E acredite, não fui eu que disse isso. São palavras proferidas pelo comandante italiano.

Concluindo

Mas a equipe está progredindo, está empolgando e está “dando liga”. No sábado, mais um grande passo foi dado pela equipe londrina. Haja vista que o Chelsea sofreu – e muito – nos anos anteriores com o desempenho de Eddie Howe no comando do Bournemouth. Antonio Conte e José Mourinho podem confirmar a situação adversa melhor do que esse colunista. Por outro lado, se o ponto da discussão for “beleza dentro as quatro linhas”, o futebol do Chelsea pode ser considerado obra de arte. Pelo menos, aos olhos do admirador que vos fala.

As palavras contidas nessa reportagem condizem à opinião do autor, não tendo qualquer relação com o Chelsea Brasil

João Vitor Marcondes

Taubateano e jornalista.