Emma Hayes ajusta equipe e Chelsea Women mostra sua identidade

Goleada diante do Bristol City tem o DNA azul

Um, dois, três, quatro… Nove gols marcados e nenhum sofrido. Assim foi a estreia do Chelsea Women em Kingsmeadow, sua casa. Diante do Bristol City, a equipe de Emma Hayes não teve piedade das adversárias e massacrou no último domingo (13).

Diferentemente da primeira rodada, quando as Blues visitaram o Manchester United, o jogo do final de semana foi de um time só. Enquanto as Red Devils conseguiram equilibrar no segundo tempo, no empate em 1×1, o Bristol foi apático. Ou seja, não conseguiu ter forças para esboçar qualquer tipo de agressão.

Mérito para Hayes e suas comandadas. Em primeiro lugar, Emma percebeu alguns pontos da estreia. Aproveitou a semana de treinos e aperfeiçoou seu plantel. No gol, Ann-Katrin Berger voltou ao posto de número um no lugar de Carly Telford (basicamente as duas se revezam na posição).

Blundell foi titular

England e Blundell (dir.) foram titulares contra Bristol (Foto: Chelsea FC)

Lateral-esquerda ainda preocupa

Hayes também modificou sua defesa. De pronto, olhou com carinho ao elo mais fraco: a lateral-esquerda. No lugar de Jonna Andersonn, veio Hannah Blundell. Bem verdade é que Blundell pouco foi acionada diante do Bristol, enquanto Andersonn sofreu com a velocidade do United.

Mesmo no contexto de um rival apático, Blundell indicou ser uma opção ao setor. Ajuda na composição do sistema defensivo e também consegue chegar pela lateral, ajudando Erin Cuthbert ou quem estiver na frente. Entretanto, fica o alerta. Isso porque quando a defensora subiu, acabou deixando espaços e se o Bristol fosse uma equipe melhor preparada, possivelmente daria trabalho.

A volta da dupla Kerr-England

Outra mexida foi a própria Cuthbert. Reserva na estreia, ela foi titular no seu 101º jogo pelo Chelsea. E novamente jogou bem. Ativa no meio, criou boas chances e também balançou as redes. Todavia, a decisão mais acertada de Hayes foi lá na frente. Sam Kerr ganhou uma parceira: Bethany England.

Com duas mulheres na frente, a dinâmica de jogo do Chelsea Women é outra. Kerr não fica presa como centroavante. A australiana tem liberdade de deixar a pequena área e iniciar lances para England ou qualquer outra jogadora do meio. O mesmo vale para a artilheira da temporada passada. A camisa 9 é veloz, arrisca de fora da área e com suas qualidades, complementa o estilo de Kerr.

Kerr e England no ataque

Dupla de ataque deixa equipe mais dinâmica na frente

Nove gols, nove nomes e a marca do Chelsea

Falando do jogo, foram nove gols. Marcados por nove atletas distintas: Kirby, Maren Mjelde, Leupolz, Cuthbert, Millie Bright, England, Charles, Harder e Kerr. Mais Chelsea Women, impossível. Há algum tempo comentei sobre a coletividade desse grupo ser a marca de Hayes. O resultado de domingo é mais uma prova disso.

Destaco os tentos de Fran Kirby – seu primeiro após meses longe dos gramados – e as estreantes na temporada, Melanie Leupolz (um golaço de cabeça), Niamh Charles (com estrela, pois havia acabado de entrar em campo) e Pernille Harder (no melhor estilo Harder). Outra grata surpresa foi o retorno de Maria Thorisdottir na etapa final.

A base do ano passado é muito boa. E a chegada dos reforços elevou a qualidade do plantel. São duas rodadas e quatro pontos somados. 10 gols marcados e apenas um sofrido. Em conclusão, ainda é cedo para falar em título. Porém, o Chelsea demonstrou que estará na disputa e dará trabalho aos rivais.

Maria Akemi

Pernambaiana, torcedora do Chelsea desde muito tempo.