Terceiro Tempo: Os destaques do início da temporada

No domingo (06), o Chelsea venceu o Southampton fora de casa por 4 a 1 pela Premier League. O resultado levou a equipe azul de Londres para a quinta posição, enquanto os Saints caíram para a 16ª. A vitória foi importantíssima para a equipe não se distanciar dos primeiros colocados.

No momento, a competição é liderada pelo Liverpool, com 24 pontos e cem por cento de aproveitamento. O Manchester City é o segundo colocado com 16 pontos, seguido pelo Arsenal com 15. Na sequência, com 14 pontos, estão Leicester City, Chelsea e Crystal Palace, respectivamente.

Agora, as competições de clubes sofrem uma pausa para que as seleções internacionais possam jogar na data FIFA, o que significa que os Blues só entram em campo novamente no dia 19 de Outubro, contra o Newcastle, em Stamford Bridge. Essa pausa dá importância ainda maior para a vitória contra os Saints, visto que, em caso de empate ou derrota, o Chelsea ficaria por pelo menos duas semanas longe dos primeiros colocados.

Depois de um começo de temporada conturbado e confuso, o treinador Frank Lampard vem conseguindo implantar suas ideias com maior facilidade, o que tem se refletido nos resultados e no desempenho da equipe em campo. Um time leve e rápido na construção das jogadas, mas que sofre com problemas defensivos, com a quarta pior defesa da Premier League após oito jogos e 14 gols sofridos.

Após as derrotas para o Valência pela Champions League e para o Liverpool pelo campeonato nacional, os Blues venceram o Grimsby Town por 7 a 1 pela terceira rodada da Copa da Liga Inglesa, o Brighton por 2 a 0 pela Premier League, o Lille por 2 a 1 pela Champions e o Southampton por 4 a 1 na última partida.

Esses resultados devolveram a confiança necessária para que o Chelsea consiga avançar para as fases decisivas da Champions League e se manter entre os melhores na Premier League.

Primeiro Tempo: A facilidade fora de casa

O início do jogo contra o Southampton já mostrava a força dos Blues atuando fora de Stamford Bridge. Os gols das sensações do momento, Tammy Abraham, de cobertura, e Mason Mount, após lindo passe de Willian, foram capazes de dar mais tranquilidade para o time, que se mostrava confiante e agressivo desde o minuto inicial.

Apesar do bom início, Danny Ings diminuiu para o Southampton aos 29 minutos do primeiro tempo, reação que foi abafada pelo gol de N’golo Kanté aos 39, após chute desviado na zaga. Na sequência, a equipe de Lampard administrou o placar de 3 a 1 até o final do segundo tempo, quando Michy Batshuayi marcou o quarto depois de bela jogada de Christian Pulisic, que havia entrado no segundo tempo.

O resultado de 4 a 1 foi imprescindível para as ambições da equipe na temporada, mas também mostrou uma deficiência: o time não consegue jogar em casa da mesma forma que joga fora. Essa “anomalia” criou um time que mal pontua dentro de seus domínios.

Desde o início da temporada foram cinco jogos fora de casa, acumulando quatro vitórias. A única derrota fora foi o 4 a 0 para o Manchester United em Old Trafford na primeira rodada da Premier League, jogo em que os Blues não mereceram uma derrota tão humilhante.

Em casa foram seis jogos, somando dois empates, duas derrotas e duas vitórias. Os empates foram contra o Leicester e o Sheffield United, enquanto as derrotas se deram nos jogos contra o Valência pela Champions e contra o Liverpool pelo campeonato nacional. As únicas vitórias foram o 7 a 1 contra o Grimsby Town e um 2 a 0 contra o Brighton pela PL.

Segundo Tempo: Os destaques do início de temporada

Os brasileiros

Após o jogo, Frank Lampard declarou que, caso fosse mostrar um vídeo para algum jovem ensinando como um meio-campista deve atuar em uma partida, mostraria o vídeo da atuação de Willian contra o Southampton.

Após começo irregular, Willian vem crescendo bastante nos últimos jogos da temporada, se tornando o principal criador da equipe, além de ser cada vez mais a referência técnica. O brasileiro já havia salvado o Chelsea no jogo contra o Lille, na França, pela Champions, quando marcou o segundo da equipe de Londres, um golaço após chute de primeira que acabou decidindo o resultado do jogo.

Willian recuperou seu espaço no time titular e agora é um dos destaques da equipe (Foto: Getty Images)

Mesmo que não marque gols com muita frequência, a contribuição de Willian tem se dado na participação em campo, na transição da defesa para o ataque e nas assistências (como no lindo passe enfiado para Mount no segundo gol dos Blues contra o Southampton),

Outro destaque do início da temporada tem sido o volante Jorginho. O brasileiro naturalizado italiano sofreu duras críticas na temporada passada, após ser contratado vindo do Napoli a pedido de Maurizio Sarri. A maioria das críticas se dava pela sua falta de combatividade no momento defensivo e pelo seu não envolvimento em jogadas ofensivas. Isso ocorria porque ele ficava “isolado” como primeiro volante, já que Kanté era usado muito avançado pelo treinador italiano.

Lampard mudou o posicionamento do meio campo, deixando Jorginho e Kanté mais alinhados. Antes disso, quando o volante francês estava machucado, utilizou muitas vezes Mateo Kovacic como volante em seu lugar. Dessa forma, os volantes titulares possuem responsabilidades ofensivas e defensivas divididas. Kanté ou Kovacic usufurem da liberdade que tinham com Sarri na temporada passada, mas se comportam de maneira mais defensiva sem a bola. Essa perspectiva fez surgir um novo jogador: um Jorginho que continua sendo o primeiro volante armador, mas que agora defende bem e participa ativamente de desarmes e interceptações no meio campo.

Outro brasileiro naturalizado italiano que começou bem a temporada foi o lateral esquerdo Emerson Palmieri. O lateral ex-Santos era titular absoluto da equipe até se lesionar, mas terá que brigar pela posição quando estiver disponível para atuar novamente, principalmente porque o espanhol Marcos Alonso entrou muito bem em sua vaga e retomou o bom futebol de outras temporadas pelos Blues.

A base de ingleses

Assim como na maioria dos jogos da temporada, os ingleses da base do Chelsea decidiram o jogo contra o Southampton. Após o gol que abriu o placar no St Mary’s Stadium, o atacante Abraham chegou a oito gols em oito jogos na temporada pela Premier League. Já Mount, que marcou o segundo gol do cotejo, chegou a quatro gols em oito jogos pela mesma competição.

Mas os garotos britânicos não estão fazendo sucesso apenas no ataque. Na defesa, com as constantes lesões do alemão Antonio Rüdiger, o inglês Fikayo Tomori vem sendo o principal zagueiro da equipe, com Kurt Zouma e Andreas Christensen disputando a outra vaga entre os defensores centrais.

Abraham, Mount e Tomori são os principais destaques dos Blues entre os jovens (Foto: Chelsea FC)

Outro jovem, também inglês, que começa a ganhar chances é o lateral-direito Reece James, que, apesar de não ter jogado muitas vezes, substituiu bem o espanhol César Azpilicueta quando foi necessário.

O jogo do Chelsea contra os Saints também marcou o retorno de Callum Hudson-Odoi à equipe titular. Ele retornou de lesão e não fez um grande jogo, mas deixou os torcedores animados com sua volta aos gramados. Já Ruben Loftus-Cheek, outro inglês que, assim como Odoi, ganhou muito espaço com Sarri na temporada passada, ainda não voltou de lesão e segue preocupando aqueles que apreciam seu futebol.

Imaginando, em uma hipótese, que todos os jogadores estejam disponíveis em um futuro próximo, surge para Lampard uma oportunidade inovadora e impressionante. Caso queira, ele pode formar um time com Tomori na zaga, James na lateral direita, Mount e Loftus-Cheek como meias, Hudson-Odoi como ponta e Abraham como centroavante. Caso uma formação como essa venha a ser utilizada, seis jogadores ingleses da base do Chelsea estarão entrando em campo ao mesmo tempo.

Victor Rosa, redator do Chelsea Brasil, analisou recentemente o elenco e procurou entender até onde esses meninos podem chegar.

Essas discussões escancaram a mudança pela qual vive a equipe azul de Londres, pois tantos jogadores jovens não estariam atuando não fosse a punição imposta pela FIFA, que impede os Blues de contratarem até o meio de 2020.

Este é, então, um momento de mudar os paradigmas no Chelsea. A diretoria e a torcida precisam entender que a punição da FIFA pode ter vindo para o bem, ajudando na evolução dos jogadores da base e abrindo horizontes e possibilidades que nunca foram bem exploradas. A maior utilização da base pode servir para um crescimento sustentável do Chelsea, que sempre teve bons times na base, mas poucas vezes conseguiu subir jogadores para o time principal.

Prorrogação: A equipe tende a melhorar

O Chelsea deve ter algumas boas notícias nas próximas semanas. Como foi dito, Hudson-Odoi começa a retomar ritmo de jogo, enquanto Loftus-Cheek, que não atua desde a temporada passada, se recupera de lesão e pode, em breve, dar uma opção de força ao meio campo. Além disso, o esperado retorno de Antonio Rüdiger deve melhorar o desempenho da defesa, que sofre com zagueiros de qualidade, porém inexperientes.

Além disso, N’Golo Kanté, que não vinha cem por cento fisicamente, parece ter voltado ao seu melhor estado, uma ótima notícia para os torcedores. Após a venda de jogadores como Thibaut Courtois e Eden Hazard, o francês se tornou o jogador de maior nome no elenco atual. Assim, espera-se que ele assuma o papel de protagonista que lhe cabe.

Kanté é o jogador mais badalado do atual elenco (Foto: Twitter ChelseaFC)

Kanté deve ser o próximo jogador assediado por gigantes europeus nas futuras janelas de transferências. O Chelsea tem contrato com o francês até 2023, e certamente fará o possível para mantê-lo até o fim de seu vínculo. Neste início de temporada europeia o volante é uma das peças-chave para o funcionamento da defesa e do ataque do Chelsea. Infelizmente, lesões o tiraram de alguns jogos, mas agora parece estar totalmente recuperado.

Bruno Pizarro