Terceiro Tempo: O fim da primeira metade da temporada

O ano de 2019 está chegando ao fim, assim como a primeira metade da temporada. Foi um início de altos e baixos para o treinador Frank Lampard, precisando lidar com a punição da FIFA que impediu o Chelsea de contratar até a janela que se abrirá em Janeiro de 2020.

A temporada passada terminou de forma positiva, com o título da Europa League e a terceira colocação na Premier League. Porém, as saídas do treinador Maurizio Sarri para a Juventus, Eden Hazard para o Real Madrid e David Luiz para o Arsenal tornaram o futuro muito incerto.

Dessa forma, o recém-chegado treinador sabia que precisaria utilizar os jovens da equipe para suprir as carências do elenco. Vale lembrar que, no início da temporada atual, imaginava-se que a punição da FIFA duraria até a metade de 2020.

A recente notícia de que os Blues poderiam contratar já no próximo mês de Janeiro foi extremamente positiva, mas a verdade é que Lampard já estava preparado para passar sua primeira temporada inteira sem contratações.

Primeiro Tempo: Dificuldades

A melhor parte do trabalho do treinador inglês tem sido a boa utilização do elenco e a capacidade de mudar jogadores e formações durante os jogos. Porém, nem tudo tem dado certo, já que “a melhor parte” de seu trabalho é também a parte mais difícil e mais complexa.

Os jovens mais utilizados tem sido: Tammy Abraham, Mason Mount, Fikayo Tomori, Callum Hudson-Odoi e Reece James. Jogadores como Billy Gilmour e Tariq Lamptey tiveram poucas oportunidades, apesar do último ter conseguido uma ótima atuação no segundo tempo da vitória contra o Arsenal por dois a um no Emirates Stadium no Domingo.

Apesar do bom desempenho dos jovens de forma geral, eles estão deixando a desejar em diversos jogos, o que é perfeitamente normal se tratando de atletas inexperientes.

Dentre os jovens mais qualificados, Mount é aquele que vem caindo mais de produção. Ele começou a temporada com muitos gols e assistências, mas agora está tendo dificuldades até mesmo de encontrar sua melhor posição.

Mount não está conseguindo repetir as boas atuações do início da temporada (Foto: Chelsea FC)

Lampard costuma escalar Mount como meia central avançado ou como ponta pelos lados, principalmente pelo lado esquerdo. Mas esse revezamento de posições já chegou a um ponto um pouco instável, pois o inglês não está conseguindo render de forma alguma.

Hudson-Odoi foi uma das principais revelações da temporada passada, sob o comando de Sarri, e por isso esperava-se que, sob o comando de Lampard, ele fosse apenas melhorar.

Isso não vem acontecendo. Odoi entra muitas vezes durante o segundo tempo e até mesmo inicia jogos como titular em algumas oportunidades. Todavia, em nenhum momento da temporada demonstrou o futebol empolgante que conhecemos antes da chegada do novo treinador.

Reece James começou bem, mostrando força e velocidade, mas aos poucos vem perdendo lugar no time, convivendo com algumas pequenas lesões.

Tomori já demonstrou que tem um grande futuro pela frente. O zagueiro é rápido e forte, além de ter uma noção defensiva diferenciada. Seu ponto fraco tem sido o trabalho com bola, principalmente na saída de jogo. Erros bobos já o custaram a titularidade em algumas oportunidades.

É importante lembrar que todos esses jovens estão tendo um ótimo início de carreira pelo Chelsea. As críticas aqui expressas são apenas ponderações que tentam esclarecer as dificuldades da temporada de forma racional. Isso não significa que eles não estejam entre os principais responsáveis pelo bom início de temporada da equipe.

Em relação ao desempenho do time, o destaque negativo principal tem de ser as performances defensivas. São muitos gols sofridos, sejam eles contra grandes adversários ou contra rivais modestos.

Na Premier League, por exemplo, o time tem apenas a oitava melhor defesa, com 28 gols sofridos. Times como o Crystal Palace, o Sheffield United e o Wolverhampton possuem defesas mais sólidas, enquanto o Brighton e o Bournemouth empatam com os Blues nesse quesito.

Isso explica os péssimos resultados recentes do time contra equipes menos qualificadas, como a derrota de dois a zero em casa contra o Southampton, a derrota de um a zero em casa contra o Bournemouth ou a derrota de um a zero contra o West Ham, também em casa.

Já na fase de grupos da Champions League, o Chelsea sofreu nove gols em apenas seis jogos, o que é menos passível de críticas, visto que adversários como o Ajax e o Valência são times com bastante qualidade.

Segundo Tempo: Soluções

As dificuldades também trouxeram soluções. O jovem Abraham pode ser considerado o principal jogador do Chelsea até aqui na temporada. Ele é o “líder” entre os mais inexperientes.

Já são doze gols e três assistências em 19 jogos pela Premier League. Na Champions, são dois gols e uma assistência em seis jogos. A esperança dos torcedores é que ele possa se tornar um atacante como Didier Drogba ou Diego Costa, jogadores privilegiados tecnicamente que conseguiram alcançar altos níveis de identificação com o clube.

Abraham está se tornando um atacante completo (Foto: Chelsea FC)

A utilização do atacante inglês como titular absoluto desde o início da temporada é um dos principais acertos de Lampard. Jogadores como Olivier Giroud e Michy Batshuayi se tornaram meros coadjuvantes que entram esporadicamente na equipe. Está cada vez mais claro que Abraham é o jogador mais pronto entre os jovens.

Em relação ao desempenho do time tecnicamente e taticamente, uma das melhores qualidades de Lampard tem sido a coragem para mudar o time de um jogo para o outro ou dentro do mesmo jogo.

Em bom exemplo foi a vitória contra o Arsenal. O Chelsea começou com três zagueiros, dois alas, dois meio campistas e três atacantes. Ainda no primeiro tempo, Emerson Palmieri deu lugar a Jorginho, deslocando César Azpilicueta para a lateral esquerda e Tomori para a direita, passando a jogar com dois zagueiros, dois laterais e três meio campistas.

O retorno de Antonio Rudiger para a zaga após longo tempo lesionado e a boa utilização dos meio campistas N’golo Kanté, Jorginho e Matteo Kovacic estão ajudando nesse processo de mudanças. São jogadores que sabem desempenhar diferentes funções.

Lampard também muda bastante a formação e a tática de um jogo para o outro, o que o tornou alvo de críticas quando as mudanças não surtiam efeitos. Porém, considerando que ele ainda é um treinador com pouca experiência, o fato de não ter medo de mudar mostra a inquietude necessária para se tornar um grande profissional no futuro.

Prorrogação: Os próximos capítulos

A sequência de jogos que o Chelsea terá no início de 2020 será crucial para as pretensões do clube. No dia primeiro de Janeiro o time visita o Brighton pela Premier League, e depois pega o Nottingham Forest no dia cinco em casa pela terceira rodada da Copa da Inglaterra.

No dia 11, o desafio é contra o Burnley em casa pela PL, seguido pela partida contra o Newcastle fora de casa no dia 18. Mas é a partir do dia 21 de Janeiro que a temporada pega fogo. O time enfrenta o Arsenal em casa nesta data, visita o Leicester no dia primeiro de Fevereiro, recebe o Manchester United no dia 17, recebe o Tottenham no dia 22 e recebe o poderoso Bayern de Munique no dia 25, no primeiro jogo das oitavas de final da Champions League.

Lampard terá de vencer grandes confrontos para ir longe na temporada (Foto: Reuters)

Assim, pode-se dizer que a temporada do Chelsea depende muito de onde o time vai estar no final de Fevereiro. A confiança e o desempenho do time podem depender muito da colocação na PL após tantos grandes confrontos e da classificação ou não classificação para as quartas de final da Champions.

Bruno Pizarro