Terceiro Tempo: Está melhor que o esperado?

Quem assistiu ao Chelsea nesse início de temporada, viu um time ofensivo, com boas variações táticas, bons jogadores e que consegue manter a bola no pé para criar chances no campo de ataque. Também viu um time com problemas, mas que jogo após jogo busca corrigi-los, com paciência e humildade.

O time de Frank Lampard mostra estar em evolução, e o torcedor já começa a sonhar com a possibilidade de aprontar algo a mais na temporada. Caso o time continue a evoluir e os jovens mantenham o bom nível, a temporada pode ser muito especial.

Primeiro Tempo: sequência de vitórias

São cinco vitórias seguidas para os Blues! (Foto: Chelsea FC)

Se no início da temporada o time fez boas partidas mas não venceu, a fase atual é de cinco vitórias consecutivas, em jogos de Premier League, Champions League e Carabao Cup. Resultados que fizeram com que o Chelsea subisse na tabela, se recolocasse na disputa pelas Oitavas da Champions e passasse de fase na Copa da Liga.

Além desses resultados evidentes, ainda tem o resultado psicológico. Torcedores, jogadores, comissão técnica e diretoria comemoram essa sequência e ganham uma confiança importantíssima no trabalho que vem sendo feito. Isso faz com que a projeção para o futuro seja melhor, e Lampard tenha mais tranquilidade para aplicar seu estilo e suas idéias.

Quando as vitórias não vinham, muito se falava em paciência. Era necessário acreditar que essas derrotas faziam parte de um processo, e que o time demonstrava algumas evoluções apesar da temporada difícil. Porém, agora que o time consegue vencer, é muito mais fácil ser paciente e projetar um futuro promissor.

Jogadores como Tammy Abraham e Mason Mount precisam estar com a confiança em dia para fazerem boas partidas e ganharem também a confiança da torcida. É muito fácil “queimar” jovens jogadores quando o time não vence. É normal que boa parte dos torcedores e da mídia, busquem achar culpados para a má fase de uma equipe, e muitas vezes acaba sobrando para os mais novos. Além disso, eles são os menos experientes, e sentem mais essa pressão.

Portanto, é possível dizer que, as vitórias ajudam inclusive, no desenvolvimento mais acelerado dos jovens jogadores. Está diretamente relacionado.

As vitórias criam um clima mais tranquilo, isso faz com que os jogadores entrem em campo mais leves, isso faz com que o futebol deles melhore, isso ajuda na conquista do resultado positivo, que aumenta a confiança do time e dos jogadores, e assim vai.

O Chelsea está conseguindo ter semanas de paz. O vestiário parece estar forte, a torcida está de bem com a equipe, o treinador está seguro no cargo e o trabalho parece estar sendo feito da melhor forma. E isso impacta diretamente na diretoria.

Sem pressão, os diretores do Chelsea tem tranquilidade para estudar a equipe e o mercado. Não havendo a necessidade de dar uma resposta imediata aos torcedores, a direção pode fazer um estudo mais criterioso para a prospecção de jogadores que viriam para agregar o elenco dos Blues.

Se há alguns tempos a torcida avaliava que o problema era um camisa 9, a diretoria buscava um nome disponível no mercado e buscava para dar esse retorno, muitas vezes fazendo um investimento alto, mas que não se encaixava muito bem nas características do elenco, ou que não tinha muito tempo para se adaptar antes de ser cobrado, e que rapidamente era queimado por não entregar o resultado esperado, ele não conseguia estancar o buraco que existia antes de sua chegada. É possível citar o nome do Higuaín, por exemplo, que chegou na metade da temporada passada numa situação parecida com essa, mas outros nomes também podem ser citadas. Outro time que faz algo parecido ultimamente é o Manchester United.

Concluindo, uma sequência de vitórias afeta não só a posição na tabela, como afeta todo o ambiente do clube, e isso é bem vindo demais. Que essa sequência continue, e que venham novas.

Segundo tempo: as lesões preocupam

Kanté tem poucas partidas na temporada. (Foto: Chelsea FC)

Depois de uma sequência de elogios e pensamentos positivos, a crítica. O que o departamento médico do Chelsea está fazendo?

Nessa temporada, a mesma história se repetiu três vezes. O jogador se lesiona, volta de lesão, e se machuca logo depois que faz a primeira partida em seu retorno.

Kanté vinha machucado desde o final da temporada passada. Jogou no sacrifício naquela final de Europa League contra o Arsenal. Desde então, foi poupado durante toda a pré temporada, focando apenas em se recuperar. Perdeu até alguns jogos no inicio do ano. O problema é que, depois que jogou a Supercopa contra o Liverpool, sentiu dores e voltou o tratamento. Semanas depois, jogou novamente e sentiu dores novamente. Um ciclo que ainda não teve fim. O meia foi dispensado da seleção francesa, antes mesmo de entrar em campo, devido a problemas físicos.

O zagueiro Rüdiger foi outro que sofreu com isso. Também não fez a pré temporada para se recuperar de lesão, ficou em tratamento até se liberado pelo DM. Fez inclusive uma partida pelo Sub-21 do Chelsea para ganhar tempo de jogo antes de voltar a jogar pelo profissional. Porém, quando voltou, foi substituído no intervalo, e quase dois meses depois, ainda não se recuperou.

O último caso é o de Emerson Palmieri. Esse fez toda a pré temporada e estava muito bem pelos Blues, até que se machucou atuando pela seleção italiana. Uma lesão que não foi considerada muito grave, tanto que o jogador voltou a jogar depois que retornou ao Chelsea. Mas o pior aconteceu. Emerson saiu machucado logo no início da partida, e ainda não foi liberado pelo DM desde então.

Além desses três jogadores, Ruben Loftus-Cheek ainda não se recuperou da lesão que teve na temporada passada. Era uma lesão grave, era esperado um longo tempo de recuperação mesmo, mas o medo que fica é o de que acelerem o retorno do jogador, como fizeram nos outros casos, e isso faça com que o jogador volte a se lesionar e a ficar um tempo parado.

O holandês Marko van Ginkel não deixará de ser citado. Esse sempre sofreu com lesões e muitos nem se lembram que está no elenco do Chelsea. Mas é um jogador que mesmo em forma, não deve fazer parte dos planos.

Essa lista de jogadores conta com atletas importantes, principalmente para o setor defensivo. Kanté é o melhor volante do mundo, e Rüdiger é considerado por muitos, o melhor zagueiro do Chelsea. Além deles, Emerson briga com Alonso pela titularidade e Loftus-Cheek também busca uma vaga no meio campo da equipe.

Essas lesões freiam um pouco o crescimento da equipe de Frank Lampard, que deve usar demais esses quatro jogadores quando estiverem à disposição. Mas o que preocupa mesmo é o departamento médico, que cometeu erros que custam caro, a temporada é longa. É necessário que haja uma equipe competente para dar suporte ao treinador, para que o treinador tenha todas as peças disponíveis sempre e o time consiga disputar com qualidade todos os torneios e jogos que aparecerem.

Prorrogação: a variação é positiva

Lampard tem variado as peças antes de cada jogo. (Foto: Chelsea FC)

Aquele velho clichê de que o treinador tem uma dor de cabeça boa para resolver se aplica ao Chelsea nessa temporada.

Por não poder contratar, os Blues buscaram várias peças que estavam emprestadas. Com isso, formou um elenco completo, equilibrado, mas que possuía muitas peças que ainda não haviam sido testadas em uma partida de alto nível, como são as de Champions ou Premier League.

Um time totalmente equilibrado e cheio de jovens se juntou a um treinador novo e com muitas idéias. O resultado até aqui é ótimo, e foi possível ver muita gente boa sendo usada em muitas funções diferentes, se encaixando em alguns sistemas táticos bem distintos uns dos outros.

Isso gera uma dúvida na torcida, muitos tem seu estilo favorito de ver o Chelsea jogar e preferem um ou outro esquema tático. Mas isso também impõe uma dificuldade ao adversário, que não sabe o que vai encontrar, e isso dificulta a preparação para o jogo.

Para entender as opções de Lampard, basta observar a lista de jogadores do elenco, e as funções que podem desempenhar em campo:

  • Kepa e Caballero – goleiros
  • Azpilicueta – Lateral Direito/Esquerdo ou Zagueiro (esquema de 3)
  • Reece James – Lateral/Ala Direito ou Meia Defensivo
  • Rudiger – Zagueiro ou Lateral Direito
  • Zouma, Tomori, Christensen – Zagueiros
  • Emerson – Lateral Esquerdo
  • Alonso – Lateral/Ala Esquerdo
  • Jorginho – Regista ou Meia Defensivo
  • Kanté – Volante ou Meia (em um 4-3-3)
  • Barkley, Kovacic, Loftus-Cheek – Qualquer função do meio
  • Mason Mount – Meia por dentro, Armador ou pelos lados
  • Pulisic e Willian – Ponta Direito/Esquerdo, Armador ou Segundo Atacante
  • Hudson-Odoi e Pedro – Ponta Direito/Esquerdo
  • Abraham, Batshuayi e Giroud – Centro Avantes

A partir desse leque de opções, Lampard alterna o esquema entre 4-4-2, 4-3-3, 4-2-3-1, 3-4-3-, 3-4-2-1-, 3-5-2 ou a formação que escolher para uma partida ou uma situação de jogo que aparecer.

Essa variação, se bem executada, só tem a agregar, e mesmo que Lampard nunca tenha um time ideal, o Chelsea pode ter um padrão de jogo, independentemente dos 11 escalados e de onde eles vão atuar.

Victor Rosa

Curso jornalismo e carrego o sonho de trabalhar acompanhando futebol todos os dias da minha vida. #GoBlues #KTBFFH