O Chelsea na temporada 2020/21: Meio de Campo

Havertz chegou para ser um dos principais caras do meio

Chelsea Brasil está fazendo uma série de textos especiais que antecedem o início da nova temporada. A terceira parte do Guia da Temporada 2020/21 é sobre o meio de campo. A cada dia um texto sobre o time londrino, jogadores do elenco e considerações sobre as melhores possibilidades para deixar o elenco dos Blues mais forte.

Fazia tempo que o torcedor do Chelsea não ficava tão empolgado quanto a um meio-campo. A janela de transferências foi impressionante. Além disso, os atletas mantidos também indicam que há um futuro brilhante em Stamford Bridge.  Às vésperas da Premier League 2020/2021, chegou a hora de falar da “coluna vertebral” do time. Quem deve atuar na equipe inicial? O que esperar desse promissor grupo? Mason Mount terá espaço entre os 11 iniciais? Então, vamos ao que interessa.

A base do time e um quebra-cabeça a ser montado

Danny Drinkwater, N’Golo Kante, Jorginho, Marco Van Ginkel, Mateo Kovacic, Ross Barkley e Tiemoue Bakayoko. Esses são os volantes à disposição de Frank Lampard no plantel. Para simplificar a análise, foram excluídos Drinkwater, Bakayoko e Van Ginkel, pois tudo indica que eles não figurarão no elenco até o final da temporada.

De pronto, sobram Kante, Barkley, Jorginho e Kovacic. O croata foi eleito Atleta da Temporada e possivelmente seja titular em 20/21. Por sinal, é ao redor do camisa 17 que Lampard deve pensar seu esquema tático. Do quarteto, Kovacic foi o que mais atuou no ano passado. Foram 47 jogos.

Dados de Kovacic na PL

Conforme dados contabilizados até novembro de 19, meia dominou setor quando foi escalado (Reprodução)

Boa parte deles como meia centralizado (33 partidas) e outra parte na função mais defensiva (12). Mesmo discreto, Kovacic é a engrenagem do setor. Isso significa que ele atua como “herói invisível” para que os homens de criação possam brilhar no ataque.

Na outra função defensiva, Kante (que teve apenas 28 jogos na última temporada) inicialmente se desenha à frente de Jorginho. O francês foi titular e capitão nos últimos compromissos (Bayern de Munique pela Champions League 19/20 e no amistoso contra o Brighton Hove & Albion). Recuperado de lesão, o camisa 7 – mesmo especulado fora – tem tudo para se manter nos 11 iniciais.

Jorginho ou Kante: quem estará no meio?

Isso não quer dizer que Jorginho seja carta fora do baralho. Em suma, ele foi o segundo maior passador (2,257) dos Blues na Premier League 19/20. Ademais, também o segundo maior desarmador e interceptador (o que também levou Jorginho a ser o líder no ranking de cartões).

O ítalo-brasileiro esteve em 44 jogos na temporada passada e chegou a fazer boa dupla com Kovacic. Eles foram a melhor dupla de meias, segundo dados da própria Premier League até maio de 2020: 576 combinados. Outro ponto a favor de Jorginho é seu poder de finalização.

Kanté foi o preferido até agora

Jorginho ganhou espaço com lesão de Kante. Quem será titular em 20/21? (Foto: Getty)

Jorginho e Kovacic se completam: um defende para outro atacar, vice-versa. Há uma sintonia entre os dois que ainda parece adormecida com Kante. Contudo, a qualidade do francês é inegável e sua experiência em grandes competições pode fazer a diferença num plantel tão jovem.

Há ainda Barkley, inglês que é o coringa de Lampard. Em suma, ele esteve em 31 partidas, chegando a variar suas funções entre volante, meia-esquerdo e segundo atacante. Apesar de não ser um atleta de muita qualidade, pode agregar ao elenco como peça de reposição.

O jovem e promissor meio ofensivo de Lampard

Apresentada as opções de marcação, chegou a hora de debater a criação e ofensividade do meio-campo. Revelado na Academia, o trio Ruben Loftus-Cheek, Mason Mount e Billy Gilmour conta com o apoio de Lampard para evoluir. Para começar, Gilmour é uma joia ainda sendo lapidada. Mesmo jovem, quando entrou conseguiu brilhar e se destacar. Entretanto, perderá o início da temporada, porque ainda se recupera da lesão que o afastou na reta final de 19/20.

Mount, que esteve em campo pelo Chelsea 53 vezes na sua temporada de estreia, possivelmente será o “reserva de luxo” de Lampard. O jovem de 21 anos é versátil e, ora atua como meia ofensivo, ora na função de ponta. Contudo, com a chegada de Kai Havertz deve perder espaço entre os 11.

Mount cobrando falta

Mount tem tudo para ser o 12º jogador de Lampard (Foto: Getty Images)

E por falar em Havertz, ele é o mais novo contratado do elenco. Chegou há poucos dias e vem trabalhando intensamente em Cobham. Tudo para recuperar o tempo perdido na novela gerada com o Bayer Leverkusen. Com a mesma idade de Mount, o alemão desembarca em Londres para ser titular.

E apesar de fazer muitos gols – 18 na temporada 19/20 – prefere atuar como meia de criação. Ou seja, pode perfeitamente ser alguém como Lampard foi nos tempos de Chelsea: criar jogadas e chegar com força no ataque, para finalizar e ser mais um homem de frente. Prova disso é que nos 25 jogos nos quais foi meia ofensivo no Leverkusen, marcou quatro gols e contribuiu com três assistências.

Lampard terá um 12º jogador?

A briga pela titularidade será boa entre Havertz e Mount. Consequentemente, ambos podem crescer juntos. Especialmente o inglês, que também produz como criador. E sabe marcar gols. Foram quatro tentos e duas assistências quando exerceu a função de cérebro no ataque. Portanto, é provável que o camisa 19 seja sempre acionado pelo treinador.

Nesse sentido, Loftus-Cheek está muito atrás dos dois companheiros. Apesar de promissor, o atleta de 24 anos sofreu com lesões. Com isso, perdeu boa parte da temporada 19/20. Por outro lado, quando em campo impressionou. Foram nove jogos (a maior parte como meia centralizado) e duas assistências.

Cartas fora do baralho

Baker emprestado ao Vitesse

Baker em ação pelo Vitesse (Foto: Four Four Two)

Outros nomes no elenco são Lewis Baker e Conor Gallagher. Todavia, ambos parecem distantes do grupo. Podem sim figurar como reservas, mas é pouco provável que fiquem no plantel em 20/21. Não podemos esquecer de Hakim Ziyech. Pelo Ajax, na temporada 19/20 esteve em campo 38 vezes. Desse total, 13 como meia ofensivo. Contudo, Lampard deverá utilizá-lo como ponta, onde rende e produz mais ofensivamente. Esse tema ficará a cargo do colega Felipe Silva, na parte Ataque do Guia da Temporada, a ser publicado nesta sexta-feira (11).

Em conclusão, ainda é precoce saber como o Chelsea se desenhará em 2020/2021. São bons reforços chegando. A base mantida já demonstrou ter potencial para ir cada vez mais longe. O que importa de fato é Lampard encontrar o equilíbrio entre defesa e ataque. Afinal, se não fizer, de nada adiantará marcar gols.

A construção das jogadas pelo meio, bem como a defesa. A proteção da zaga são os volantes e a Premier League é dinâmica. Não é suficiente apenas marcar. Os defensores também devem saber jogar para os da frente. É um quebra-cabeças a ser montado ao longo da competição.

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Maria Akemi

Pernambaiana, torcedora do Chelsea desde muito tempo.