Na História: A “Velha Guarda” que reabriu as portas aos títulos europeus

Zola e cia ajudaram a pintar Europa de azul

A história de sucesso do Chelsea a nível europeu começou na década de 1970. E demorou até os Blues reerguerem a bandeira azul no continente. Ter a honra de reinar na Europa novamente somente foi possível na temporada 1997/1998. Em suma, anos antes da Era Abramovich, uma geração de ouro marcou época nos Blues.

Os torcedores mais antigos já sabem o troféu conquistado: a UEFA Cup Winners’s Cup, contra o Stuttgart, da Alemanha. Por que voltar ao tempo e relembrar a façanha no “Na História” de hoje? Simples: há similaridade com o Chelsea atual. Aperte o cinto pois a viagem ao passado começa a seguir.

O contexto da temporada 97/98

Apesar do título da FA Cup no ano anterior, o Chelsea iniciava 97/98 sob muitos questionamentos em relação ao seu sistema defensivo. Situação semelhante a de Frank Lampard no seu primeiro ano como treinador dos Blues, não é mesmo torcedor? Na Premier League de 96/97 o time de Londres sofreu impressionantes 55 gols em 38 jogos. E os tentos a favor? 58. Ou seja, saldo de apenas +3.

Time de 97-98

Elenco recheado de ídolos dos passado

Ruud Gullit, então treinador no início da temporada, foi às compras. A meta era reforçar o gol. Anteriormente o posto foi revezado entre Dmitri Kharine, Kevin Hitchcock e Frode Grodås (Grodâs foi a campo como titular em boa tarde da temporada anterior). Contudo, nenhum dos três transmitia a solidez desejada. Eis então que surge o nome de Ed de Goey, holandês com passagem no Feyenoord.

De imediato de Goey vestiu a camisa 1 e provou ser a opção certeira ao time de Gullit. O treinador também reforçou o meio-campo com Gustavo Poyet. Posteriormente veio o ataque. Para a função de “matador” optou-se pelo jovem Tore Andre Flo. Os três se encaixaram perfeitamente no elenco cujos nomes de destaque eram Dan Petrescu, Frank Leboeuf, Denis Wise, Gianfranco Zola, Roberto Di Matteo, Jody Morris.

Rusga interna quase atrapalhou projeto

Contudo, o Gullit não ficaria até o final da temporada. Após um atrito com o presidente Ken Bates, o ex-defensor holandês foi desligado da função de treinador. Diante disso, no dia 12 de fevereiro com efeito imediato assumiu o atacante Gianluca Vialli. Por sinal, dividindo-se entre as funções de atleta-comandante.

O desempenho nas competições

Apesar da queda de Gullit, o Chelsea está bem na Premier League e na temporada. Até 8 de fevereiro de 1998 os Blues somavam 14 vitórias, oito derrotas e três empates na competição nacional. Contudo, nos bastidores a relação do holandês com Bates era ruim. Anos após o embate, o inglês classificou Gullit como um “playboy” que apenas se interessava por sua imagem. De pronto o ex-jogador rebateu e afirmou sempre trabalhar pensando no Chelsea.

Rusgas à parte, Vialli foi oficializado como treinador em 12/02. Amargou uma sequência de três derrotas, até que enfim venceu. Disposto a esquecer os problemas extracampo, o italiano conduziu os Blues à duas conquistas. Curiosamente, mantendo as ideias táticas de Gullit.

A primeira delas transcorreu no dia 29 de março de 1998. Frank Sinclair e Roberto Di Matteo marcaram na final da League Cup contra o Middlesbrough (rival da FA Cup anterior, justamente vencida pelos Blues). O título foi um alívio um mês depois da mudança de comando. Também garantiu otimismo ao plantel já experiente em decisões. Embalados pelo troféu doméstico, era a vez de sonhar alto na Europa.

Título da League Cup 98

Conquista da League Cup embalou elenco dos Blues

A glória na Cup Winners’ Cup

Criada em 1960 a competição reunia os campeões domésticos da edição anterior. Foram realizadas 39 edições, sendo a última delas em 1998/1999. A vaga do Chelsea havia sido herdada pela conquista da FA Cup de 1996/1977. A caminhada azul no torneio teve início no mês de setembro, ainda sob o comando de Gullit.

Foram trê vitórias e uma derrota com o holandês. Vialli estreou em março e guiou o Chelsea até a final, no dia 13 de maio de 1998. Os números do italiano são os seguintes: quatro vitórias e uma derrota (quartas de final, semi e final). A única derrota aconteceu na primeira semifinal, contra o Vicenza: 1×0 fora de casa. Na volta, 3×1 com gols de Zola, Poyet e Mark Hughes.

Confiança para ir além

Escalações de 98

Times foram a campo dessa forma, Zola entrou aos 71′

Faltava um degrau à glória eterna daquele grupo. Chegado o dia 13 de maio, brilhou a estrela do eterno camisa 25. Stuttgart e Chelsea duelaram pelo título europeu no Rasunda Stadium, na Suécia. Assim como os Blues, os alemães chegaram à Cup Winners’ Cup via Copa, mas da Alemanha. Para completar, na temporada 97/98 os dois times foram quarto colocados em suas ligas nacionais.

O jogo era o primeiro entre os dois times. Enquanto o Stuttgart fazia sua estreia na final, o Chelsea ia em busca do bi (o primeiro título veio lá em 1970). Contudo, pelo cenário da partida os alemães – comandados por Joachim Löw – estavam pintando como favoritos.

A estrela de Zola

Vialli tinha dois desfalques e algumas peças não estavam em plenas condições, entre elas Zola. Já o Stuttgart foi a campo com 100% de força. Mas o lado alemão não tinha a estrela do italiano. O camisa 25 entrou substituindo Flo aos 71′. No mesmo minuto aproveitou passe de Wise e fez o único gol do confronto.

Bastava a vantagem no marcador para pintar a Suécia e toda Europa de azul. Foi o título para consagrar uma geração e reafirmar: o Chelsea estava de volta. Muito além de fortalecer a história dos Blues na Europa, de certa forma aquele título significou novos voos. “Nós estamos felizes em vencer, mas não queremos parar aqui. Nós queremos continuar evoluindo e na próxima temporada vamos tentar vencer a Premier League, que é o nosso objetivo”, destacou Vialli ao final do jogo.

Se a vencer a Premier League não foi possível com aquele plantel, pouco depois a Era Abramovich se aproveitou do terreno desbravado por aquele grupo da “velha guarda”. Diante disso Lampard pode se inspirar no passado e escrever um novo futuro. Assim como a equipe de 97/98 se reconstruiu em poucos meses, o inglês tem a oportunidade de gravar seu nome agora como treinador.

Maria Akemi

Pernambaiana, torcedora do Chelsea desde muito tempo.