Blue Perdido #9 – Um craque destinado a ser vermelho

Não existe um fã de futebol no mundo que não conheça Juan Sebastián Verón. No entanto, não são todos que lembram de sua passagem pelo Chelsea. Afinal, não é para menos: contratado para ser um ídolo dos Blues, o argentino acabou sendo um dos maiores vexames da Era Abramovich. Seu sucesso na Inglaterra não se deu com o azul, e sim com o vermelho.

Sucesso no rival

Desde o começo de sua carreira, no Estudiantes, Verón já chamava a atenção por ser um meia clássico. Mais do que isso: seu pai havia sido ídolo no clube argentino. Com 20 anos, depois de 65 partidas disputadas pela equipe de La Plata, o meia foi parar no mais tradicional time do País: o Boca Juniors.

No Boca, com uma “vitrine” maior, começou a chamar atenção de grandes clubes europeus. A princípio, depois de apenas uma temporada no Boca Juniors, foi jogar na Sampdoria. De 1996 até 2001, ficou no futebol italiano, passando também por Parma e Lazio.

Verón marcou seu único gol pelo Chelsea contra o Liverpool (Foto:Alex Livesey/Getty Images)

Na temporada 2001/02, enfim, Verón chegava ao futebol inglês. Mas não ao Chelsea. Ainda sem o dinheiro de Abramovich para trazer grandes nomes, os Blues nem cogitaram trazer o argentino.

Ele então foi para o Manchester United. Apesar de não marcar muitos gols (foram onze em duas temporadas), Verón foi nome muito importante no elenco recheado de estrelas em Manchester.

Pouco tempo em Londres

Depois de 82 jogos em Manchester e sendo um dos principais destaques da equipe, Verón começou a ser sondado pelo Chelsea – que já havia sido comprado por Abramovich. Na temporada 2003/04, então, a negociação foi concretizada, e o argentino era esperado no clube para comandar o meio-campo. Por 15 milhões de libras, Verón era uma esperança para os Blues.

Sua passagem pelo Chelsea não teve sucesso (Foto: Getty Images)

Contrariando as expectativas, Verón não conseguiu fazer sucesso pelo Chelsea. Dividindo a responsabilidade do meio-campo com Lampard, o argentino nunca teve o destaque que havia tido nos clubes anteriores. Seu contrato, que era válido até 2007, não rendeu. Foi apenas uma temporada disputada pelos Blues, com 14 partidas e somente um gol marcado, em um clássico contra o Liverpool.

Decepcionado com o baixo rendimento do meia, o Chelsea resolveu emprestá-lo para a Inter de Milão. Verón, então, voltava ao futebol italiano, sua “porta de entrada” para os gigantes europeus. Depois disso, no entanto, nunca mais voltaria a vestir a camisa dos Blues.

Carreira de brilho

Com exceção ao Chelsea, Verón brilhou por todos os clubes onde passou. No empréstimo à Inter de Milão, foram duas temporadas, com 74 jogos disputados e quatro gols marcados. O argentino foi um nome de referência no clube italiano, assim como havia sido antes de chegar em Londres. Após o fim do contrato com o Chelsea, Verón decidiu que voltaria ao Estudiantes.

Verón sempre foi peça importante na seleção argentina (Foto: Getty Images)

Em 2006, aos 31 anos, ele voltava ao clube que o revelou e que tinha seu pai como ídolo. Somadas suas duas passagens pelo clube argentino (no começo e no final da carreira), foram 280 jogos disputados e 33 gols marcados. Tanto sucesso fez com que, em 2014, Verón fosse eleito presidente do time – papel que assume até hoje.

Pela seleção argentina, o meia também tem um currículo de dar inveja. Foram três Copas do Mundo disputadas (1998, 2002 e 2010) e uma Copa América (2007). Ao todo, em jogos oficiais com a camisa de seu País, Verón somou 73 jogos e nove gols.

Ou seja: de perdido, Verón nunca teve nada. Sua passagem pelo Chelsea foi apenas uma pequena mancha em sua carreira que, infelizmente, ficou marcada de forma negativa.

Lucas Olivan

Jornalista, 22 anos. Apaixonado pelo Chelsea desde 2006 e fã de segundos-volantes que sabem sair jogando. Luto todos os dias pelo objetivo de trabalhar com jornalismo esportivo.