Lições a serem tiradas após a derrota para o Bayern de Munique no Stamford Bridge

Pode-se dizer que, antes da paralisação do futebol inglês em março, o Chelsea estava vivendo um de seus melhores momentos na temporada. A maior evidência disso foi a vitória por 4 x 0 sobre o Everton de Carlo Ancelotti pela Premier League – quando a equipe adversária teve apenas uma finalização na direção do gol –, mas é claro que o momento mais memorável foi justamente a partida anterior: a vitória sobre o Liverpool pela FA Cup por 2 x 0, que classificou os Blues às quartas de final da competição.

A questão é que essas duas partidas foram apenas a primeira vez na temporada 2019/20 em que o Chelsea passou dois jogos seguidos sem levar um gol. E uma análise fria dos números da campanha dos Blues no campeonato inglês deixa mais do que evidente o quanto a equipe vinha sofrendo devido à inconsistência do seu sistema defensivo: foram nada menos que 39 gols sofridos em 29 jogos.

Medindo forças contra a equipe mais eficiente da Europa

Assim, era até esperado que essa inconsistência se fizesse notar com ainda mais clareza no momento em que o Chelsea entrasse em campo para enfrentar, já nas oitavas de final da Liga dos Campões da Europa, justamente o Bayern de Munique. Por mais dolorosa que tenha sido a derrota por 3 x 0 para os bávaros em pleno Stamford Bridge, o placar reflete bem não só o que foi o jogo, mas também o que se esperava que acontecesse nos dias anteriores ao confronto.

Para se ter uma ideia, na casa de aposta esportiva online Betway uma vitória dos Blues dava um retorno de 3.80, enquanto uma vitória dos bávaros dava um retorno de 1.83 por cada aposta realizada. Era como se a equipe alemã é que fosse jogar em casa. Também, pudera: o Bayern é a única equipe a ter 100% de aproveitamento na atual edição da Liga dos Campeões, e isso inclui uma outra vitória em Londres, pela fase de grupos: o massacre de 7 x 2 sobre o Tottenham, como pode ser visto em matéria da Veja.

É claro que ninguém discute a qualidade da equipe treinada por Hans-Dieter Flick, que conta com Thiago Alcântara e Kimmich no meio-campo e o sempre letal Lewandowski no ataque. E, se lembrarmos do que foi dito em edição do Boletim Blue de dezembro do ano passado, para o Chelsea, mesmo chegar às quartas de final da principal competição europeia entre clubes nesta temporada não era nem de longe aquela “obrigação” que foi em temporadas anteriores.

Por outro lado, a derrota para os alemães do patrocínio multimilionário da Audi tampouco pode ser atribuída apenas à fragilidade defensiva do Chelsea. Como dito por Rafael Oliveira em sua excelente análise, a falta de meias de infiltração e definição deixou a equipe londrina com poucas opções de jogadas ofensivas. Assim, de certa forma, mesmo que Frank Lampard tivesse feito o que alguns esperavam e colocasse William entre os titulares, era improvável que o panorama da partida mudasse.

As peças que faltam para o Chelsea

Não é mais nenhuma novidade dizer que, a despeito das boas atuações que a dupla de volantes Jorginho e Kovacic vem tendo, o Chelsea precisará buscar reforçar para o seu sistema defensivo. Como vimos, a lateral-esquerda é das posições mais carentes do elenco, e não faltam boas opções no mercado. No entanto, tão importante quanto isso é fazer bom uso do dinheiro do novo patrocínio da Three para contratar também algum jogador de meio de campo que faça mais do que simplesmente jogar a bola para Abraham ou Giroud.

Como visto em matéria do GloboEsporte.com de dezembro do ano passado, foi reduzida pela metade a punição que o Chelsea havia sofrido de não poder contratar novos jogadores. Assim, Lampard poderá contar com uma equipe muito mais forte para a próxima temporada. E isso, por sua vez, terá o benefício adicional de dar tempo ao tempo para que os jogadores jovens do elenco possam amadurecer em seu próprio ritmo, sem o peso de “resolver” uma partida.

De resto, é importante lembrar que ainda será realizado o jogo de volta contra o Bayern. Como foi noticiado recentemente pelo portal Terra, o presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, disse que o planejamento da entidade é terminar a Liga dos Campeões até o fim de agosto. Sem Jorginho e Marcos Alonso (ambos suspensos), esta será uma oportunidade e tanto para Lampard remodelar o Chelsea não só em termos defensivo, mas também em termos de variações de jogadas ofensivas.

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