Jovens do Chelsea: os habilidosos atacantes

A série sobre os valores vindos de Cobham continua agora com os atacantes do elenco

Devido à proibição de contratar novos jogadores, o Chelsea precisou usar a sua base na atual temporada. Diversas lacunas em todos os setores do campo foram preenchidas por jovens atletas que voltaram de empréstimo ou subiram para o time principal. Assim, a expectativa foi muito grande pois finalmente o clube iria colher os frutos da ótima academia.

Os garotos não desapontaram. Eles corresponderam e desempenharam papel importante na mudança de filosofia dos Blues. Além disso, o projeto de Frank Lampard passa, principalmente, pela renovação do elenco e troca de mentalidade. Pensando nisso, o Chelsea Brasil criou a série Jovens do Chelsea, dividida em três partes, destacando a importância desses jogadores para o presente e futuro dos azuis de Londres.

Confira abaixo a terceira parte da série: Os habilidosos atacantes

Ataque

Não há dúvidas que o ataque é o setor do campo que mais chama atenção dos torcedores. Fundamental na marcação de gols, que são o objetivo principal do esporte, os atacantes são os atletas mais decisivos dentro de campo. Portanto, não é de se estranhar que os clubes invistam tanto em pontas habilidosos ou centroavantes matadores.

Ataque do chelsea é jovem e promissor

Chelsea “virou” a chave recentemente e agora é um time que propõe o jogo (Foto: Getty)

No Chelsea, o setor de ataque vem aumentando de importância recentemente. Ao longo dos últimos dez anos tivemos algumas tentativas de mudar o estilo dos Blues de reativo para o propositivo. Entretanto, desde a primeira tentativa, com Carlo Ancellotti, o clube vem alternando altos e baixos. Assim, pode-se dizer que foi com Maurizio Sarri que a “chave virou” e o Chelsea agora é um time ofensivo.

Lampard chegou e potencializou a ideia trazida pelo italiano. Além disso, o ídolo dos Blues mudou a estrutura do clube em volta do elenco principal para que a filosofia ornasse com a proposta de jogo. Assim, as categorias de base passaram a ter papel fundamental. Ou seja, as posições ofensivas passaram a ter mais destaque.

Tammy Abraham

O principal expoente da revolução ofensiva de Lampard  é Tammy Abraham. O inglês de 22 anos é um dos que está no Chelsea desde criança. Artilheiro em todas as categorias de base, o destaque foi a temporada 14/15 em que, aos 18 anos, anotou 32 gols em 26 partidas. A boa sequência, inclusive na seleção nacional sub-19, garantiu a sua estreia no time principal em 2016.

Abraham é a esperança de gols

Abraham começou bem a temporada 2019/20 (Foto: Getty)

O atacante caracteriza-se pelo bom posicionamento, imposição física e oportunismo. Contudo, o principal atributo de Abraham é a movimentação. O inglês começou a sua carreira atuando pelas pontas e isto garante uma intimidade maior com dribles em profundidade. Aliando esses chamados “dribles táticos” à capacidade rápida de recomposição defensiva, o camisa 9 pode ser considerado um artilheiro versátil e promissor, com potencial para ser um dos melhores do mundo.

Instinto goleador

Em 2016, Abraham seguiu para o Bristol City por empréstimo, onde marcou 26 gols em 48 oportunidades. Assim, se tornou o maior artilheiro jovem da história da Championship. A sua participação foi tão boa que rendeu os prêmios de Jogador do Ano do Bristol e Jogador Jovem do Ano. No ano seguinte, foi emprestado para o Swansea, mas não foi tão bem, anotando oito gols em 39 jogos. Contudo, na temporada 2018/19, Abraham foi emprestado ao Aston Villa e tornou-se titular absoluto do clube, marcando 26 gols em 40 aparições. Foi, então, que o recém-nomeado técnico Lampard garantiu o retorno do jovem para o elenco principal dos Blues quando assumiu.

Movimentação de Abraham

Mapa de calor mostra a mobilidade do artilheiro dos Blues na atual temporada (Foto: SofaScore)

Em 2019/20 já são 15 gols em 34 jogos oficiais por todas as competições. Titular em 23 oportunidades na Premier League, o atacante anotou 93% dos seus tentos de dentro da grande área. Isso só comprova o seu poder de definição de jogadas e a sua importância como referência ofensiva para os Blues. Todavia, a sua eficiência, nesta temporada, não é tão alta. O jogador tem uma média de 2,5 finalizações por jogo e 17 grandes chances perdidas, só na Premier League. Este fato pode se explicar pela idade e pela diferença de competitividade que a primeira divisão possui com relação à segunda.

Fim da maldição?

A “maldição da 9”, como é conhecida a grande capacidade do Chelsea de ver grandes atacantes não funcionarem no clube, é uma das sombras para Abraham. Porém, o jovem já demonstrou que sabe lidar muito bem com a pressão. Após um pênalti perdido logo no início da temporada, ele deu a volta por cima e se tornou o principal nome nas súmulas do Chelsea. A sua participação em gols e na criação de jogadas foi tão fundamental que os reservas não deram conta do recado quando entraram.

Pupilo aprende rápido

Abraham tem a capacidade de aprender com os companheiros de time (Foto: Getty)

O novo camisa 9 tem a confiança plena de Frank Lampard. O que prova isso é que em nenhum momento a sua titularidade foi contestada, nem mesmo com as contratações previstas. Inclusive, o técnico inglês visa, no mercado de transferências, potencializar as qualidades de Abraham, que é um ótimo “aluno”. Uma de suas qualidades é justamente a capacidade de aprender com jogadores do elenco, vide o trabalho de pivô com Giroud e a condução com força física de Batshuayi.

Callum Hudson-Odoi

A maior promessa ofensiva das categorias de base do Chelsea nos últimos anos tem nome e sobrenome: Callum Hudson-Odoi. O inglês de apenas 19 anos é presença constante desde os oito anos nas conquistas nacionais e internacionais dos jovens Blues. Inclusive, desde o sub-17, já integra as convocações para a seleção nacional garantindo um mundial da categoria. Odoi anotou três assistências na final do torneio vencido em cima da Espanha.

A boa participação do inglês foi interrompida por lesão (Foto: Reprodução Twitter do jogador)

Sua primeira aparição no time principal foi contra o Newcastle na FA Cup de 2017/18. Além disso, naquele ano, ainda ajudou o esquadrão sub-18 a vencer outra FA Youth Cup. Devido às suas excelentes apresentações ao longo dos últimos anos, Odoi foi confirmado como parte do elenco principal para a última temporada. Sob a tutela de Sarri, o jovem marcou seu primeiro gol como profissional contra o PAOK na Europa League. A partir daí a sua participação nos jogos só aumentou e, antes de sofrer uma grave lesão no tendão de aquiles, o ponta anotou cinco gols na temporada.

Habilidoso e agudo

A principal característica de Odoi é o drible. Assim, a sua principal qualidade é abrir espaços na defesa adversária por meio de duelos individuais. Além disso, o jovem ainda alia velocidade e arrancadas às suas fintas, o que o torna perigoso em vários locais do gramado. Com a facilidade de cair pelas duas pontas, a sua abordagem nos confrontos varia conforme o lado em que joga.

Odoi pode atuar pelos dois lados do campo

Mapa mostra a polivalência de Odoi ao poder atuar dos dois lados (Foto: SofaScore)

Ao jogar pela esquerda, a condução para o arremate com a perna direita é a principal arma. Porém, Odoi ainda não demonstrou a mesma qualidade nas finalizações no time de cima. Por outro lado, jogando pela direita, seu lado assistente toma conta. O inglês, nessa posição, consegue aliar a boa chegada ao fundo com incursões agudas para completar passes em profundidade. Essa versão de Odoi costuma ser a mais perigosa e utilizada desde a sua subida para o primeiro esquadrão.

Grande potencial

Quando se fala em jogadores da base, seu valor é calculado principalmente pelo potencial futuro. Muitos atletas tem um grande potencial e um presente repleto de pequenas falhas. Este não é o caso de Hudson-Odoi. Desde tenra idade o atleta vem demonstrando maturidade técnica para se manter em um lado principal. Entretanto, os aspectos táticos, físicos e psicológicos ainda pesam no seu jogo.

Lampard potencializa Odoi

O “efeito Lampard” pode maximizar o potencial de Odoi (Foto: Getty)

Assim, é possível afirmar que o seu valor só aumenta, mesmo após a grande lesão que o tirou da reta final da temporada passada. Odoi é uma das joias a serem lapidadas nas mãos de Frank Lampard. Portanto, mesmo com a chegada de novos nomes, o jovem deve continuar tendo oportunidades de crescer e se tornar um dos grandes ídolos do Chelsea.

Armando Broja

Com 1,91m de altura, Armando Broja é mais um centroavante alto proveniente da base azul. O albanês de 18 anos é figurinha carimbada nas seleções juniores do seu país. Além disso, o jovem foi artilheiro nos esquadrões de desenvolvimento do Chelsea. Na temporada atual já são 19 gols e cinco assistências em 32 partidas como ponta de lança.

Broja é uma das joias do Chelsea

Broja recentemente renovou contrato com o clube (Foto: Reprodução Twitter do jogador)

Broja teve a sua estreia pelo time principal na vitória por 4-0 sobre o Everton, na liga nacional. A oportunidade, entretanto, não veio de graça. Após alcançar a marca de 20 gols pela academia na FA Youth Cup, o jovem cavou a sua oportunidade. Com a volta dos campeonatos nacionais, espera-se que Broja tenha mais algumas chances nesta temporada.

Jogo dos “buracos”

Assim como seu ídolo, Ronaldo, Broja é um atleta que gosta de atacar espaços nas costas dos zagueiros. Partindo das duas pontas ou centralizado, o albanês alia boa explosão à sua envergadura. Portanto, é um jogador difícil de ser marcado em velocidade. Seus pontos deficientes ainda se devem pela falta de maturidade. Ou seja, a tomada de decisão e a finalização no 1×1 deixam a desejar, apesar do alto número de gols.

Broja usa velocidade como arma

Velocidade nas costas dos zagueiros é a principal arma de Broja (Foto: Getty)

Contudo, o seu potencial de desenvolvimento é alto. Broja pode ser comparado com o próprio Abraham antes dos empréstimos. Apesar do inglês ter números melhores, o albanês não fica muito atrás e tem a vantagem da velocidade ao seu favor. Nenhum atleta no elenco principal dos Blues tem características semelhantes ao garoto. Assim, investir no seu desenvolvimento torna-se uma ótima aposta para daqui a três ou quatro anos.

Ataque para dar e vender

Desde a saída de Didier Drogba a torcida do Chelsea ficou órfã de um centroavante de peso. Com Diego Costa foi o mais próximo que se poderia chegar de um novo ídolo. Porém, as polêmicas e atitudes extra-campo ofuscaram o desempenho no gramado. Além dele, Fernando Torres, Álvaro Morata, Gonzalo Higuaín, Andryi Shevchenko e atualmente Giroud e Barshuayi falharam em impressionar.

Todavia, não é só de centroavantes que viverá o setor ofensivo Blue. As pontas, que trouxeram grandes jogadores e alegrias para o torcedor, estão bem municiadas. Jogadores como Odoi, Christian Pulisic, Tino Anjorin, Timo Werner e Hakim Zyiech formam um time jovem, mas experiente.

Portanto, a vastidão de opções ofensivas só fortalece a filosofia de Lampard. Assim, o time pode ter profundidade para disputar todas as quatro competições que normalmente disputa e ainda ter versatilidade tática. Com um elenco preparado para dar frutos pelo menos pelos próximos dez anos, é de se imaginar o entusiasmo dos fãs. Então, realmente o futuro parece azul.

Lucas Jensen

Jornalista que ainda acredita que o futebol pode ser apreciado sem torcer (mas não se segura e torce mesmo assim). Fã de tática e do jogo reativo, se deleita nos contra-ataques e toques 'de primeira'. Amante racional da Premier League e nostálgico do Calcio, seus hobbies incluem teorias mirabolantes e soluções inusitadas.